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Coluna Palavra de Fé: As dores passam
Por Raphael Abdalla
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 12:00
Atualizado em 1 de fevereiro de 2026 às 12:00
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Há dores que chegam sem pedir licença. Algumas são físicas, outras emocionais, outras ainda mais profundas, aquelas que não aparecem em exames, mas insistem em se manifestar na alma. Elas podem nascer de perdas, frustrações, doenças, decepções ou expectativas quebradas. Quando chegam, parecem definitivas, como se fossem permanecer para sempre. Mas não permanecem. As dores passam.
O problema é que, no auge da dor, o tempo parece desacelerar. Cada dia pesa mais do que o anterior, e a sensação é de que a vida ficou suspensa naquele sofrimento. Nessas horas, somos tentados a acreditar que a dor define quem somos, que ela resume nossa história e que não existe futuro além daquele momento. No entanto, a dor é um capítulo, nunca o livro inteiro.
A vida é feita de estações. Há dias de sol e dias de tempestade. Há períodos de abundância e tempos de escassez. Há momentos de riso fácil e outros em que o silêncio fala mais alto. A sabedoria está em não tornar absoluta nenhuma dessas fases. Nem a alegria é permanente, nem a dor é eterna. Ambas cumprem um papel, mas nenhuma delas tem a palavra final.
Curiosamente, muitas dores ensinam mais do que gostaríamos de admitir. Elas nos tornam mais humanos, mais sensíveis à dor do outro, mais atentos ao essencial. Em meio ao sofrimento, aprendemos a separar o que é urgente do que é importante, o que é superficial do que é profundo, o que pode ser perdido daquilo que não pode ser substituído. A dor não é desejável, mas pode ser formadora.
Também é verdade que ninguém amadurece sozinho. As dores passam mais rápido quando são compartilhadas. Um ouvido atento, uma palavra sincera, um abraço silencioso muitas vezes curam mais do que discursos longos. Há sofrimentos que não precisam de explicação, apenas de presença. E há feridas que começam a cicatrizar no simples fato de não serem ignoradas.
A esperança não nega a dor, mas se recusa a se render a ela. Esperar não é fingir que nada está acontecendo, mas confiar que o que está acontecendo não será o fim. É acreditar que, mesmo quando não vemos saída, ela existe. É entender que a noite pode ser longa, mas a manhã sempre chega.
Por mais intensas que sejam, as dores passam. Algumas deixam marcas, é verdade, mas até as cicatrizes contam histórias de superação. Elas lembram que houve sofrimento, mas também que houve cura. E isso, por si só, já é uma vitória.
No fim, a vida segue. O coração encontra novos ritmos, a alma reaprende a respirar, e o que parecia insuportável se transforma em memória. Não porque a dor não foi real, mas porque ela não foi maior do que a capacidade humana de continuar. As dores passam. Sempre passam.
Raphael Abdalla é pastor titular da Primeira Igreja Batista em Guarapari e presidente da Convenção Batista do Espírito Santo. Possui formação em Direito, Teologia e MBA em Liderança. Idealizador do projeto Redes de Voluntários. Casado com Ana Paula Abdalla.
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