Anúncio
“Liderança feminina e os desafios de ocupar espaços de poder” é tema de evento na sede da OAB Guarapari
Auditório lotado reuniu advogadas, estudantes e autoridades
Por Natiele Ribeiro dos Santos
Publicado em 23 de março de 2026 às 16:22
Anúncio

O evento “Liderança Feminina e os Desafios de Ocupar Espaços de Poder” reuniu, na última quinta-feira (19), no auditório da 4ª Subseção da OAB-ES, em Guarapari, advogadas, estudantes de Direito e autoridades para debater os obstáculos enfrentados por mulheres em posições de liderança. Com falas de representantes do Judiciário, da advocacia e da segurança pública, o encontro destacou que, apesar dos avanços, a presença feminina em cargos de poder ainda exige resistência, comprovação constante de competência e enfrentamento de estruturas historicamente masculinas.
Com o auditório lotado, o evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) se consolidou como um espaço de escuta, troca e reflexão sobre o papel das mulheres nos ambientes de decisão. As falas das convidadas evidenciaram um ponto em comum: a conquista de espaços de poder ainda vem acompanhada de desafios diários.

“Algumas estruturas não estão preparadas ainda para uma liderança mulher. Então você tem que convencer aquele ambiente de que você vai ser boa para aquele ambiente. Um homem tem credibilidade da primeira vez que ele fala. A mulher tem que falar diversas vezes para começar a ter credibilidade”, afirmou a presidente da OAB-ES, Erica Neves.

“A responsabilidade é dobrada, porque você precisa provar o tempo todo que é capaz. Às vezes, nem só o homem, mas as próprias colegas olham com desconfiança. A gente ainda vive em uma sociedade muito machista. Então, por isso é importante falar o óbvio todos os dias: lugar de mulher é onde ela quiser”, afirmou a presidente da 4ª Subseção da OAB-ES, Mônica Goulart.
A advogada militante especialista em direito da família e sucessões, Flávia Brandão, com 39 anos de atuação, trouxe uma perspectiva histórica ao debate. Segundo ela, o mundo jurídico foi estruturado como um espaço masculino, o que ainda impacta a ascensão feminina.
“Os espaços hoje funcionam como um funil. Estamos avançando, mas chegar ao poder ainda é um desafio. Uma caminhada que estamos construindo. As mais velhas puxando as mais novas,” disse.

A delegada titular da Delegacia da Mulher de Guarapari, Francini Moreschi, compartilhou experiências marcadas por preconceito desde o início da carreira. Ela ingressou na Polícia Civil aos 26 anos, sendo a delegada mais jovem à época, em um cenário de forte desigualdade. Ao longo da trajetória, enfrentou episódios de desconfiança e preconceito, chegando a ser confundida com estagiária em uma situação.
“A gente costuma dizer que ser mulher não é fácil, mesmo em uma sociedade que já evoluiu tanto. A realidade mostra que a situação continua complicada, principalmente quando falamos de violência contra a mulher. As mulheres hoje são assassinadas de formas extremamente violentas, fruto de uma cultura machista que ainda persiste”, afirmou.

A juíza Ângela Cristina Celestino de Oliveira trouxe um olhar sobre a evolução no Judiciário. Com 26 anos de carreira, relembrou um período em que havia poucas mulheres na magistratura e nenhuma desembargadora. “Hoje temos, pela primeira vez, uma presidente mulher em um Judiciário centenário”, destacou.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelas pioneiras, Ângela afirmou que sua trajetória foi marcada mais por adaptação do ambiente do que por sofrimento pessoal. Ainda assim, reconheceu o impacto cultural da presença feminina em espaços tradicionalmente masculinos, especialmente em contextos mais conservadores.
É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização do FolhaOnline.es.
Conheça também o +Sou.
Conteúdo social e empresarial de Guarapari.
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Veja também
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Anúncio