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Coluna Marcelo Moryan: Bloco corrupção: carnaval o ano inteiro
Por Marcelo Moryan
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 15:00
Atualizado em 15 de fevereiro de 2026 às 15:00
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Nesta semana, o Brasil para. Milhões de pessoas tomam as ruas fantasiadas. Durante alguns dias, fingimos que somos outros: reis, rainhas, super-heróis. Depois, voltamos à realidade.
Mas tem gente que não precisa de fantasia. Nem de feriado.
O Índice de Percepção da Corrupção 2025 colocou o Brasil na 107ª posição entre 182 países. Nossa pontuação? Apenas 35 de 100 possíveis — a segunda pior nota da história. Não é coincidência. É projeto.
Enquanto blocos desfilam por três dias, o Bloco Corrupção opera 365 dias por ano, sem cordão de isolamento e com caixa aberto. O caso do Banco Master é exemplar: R$ 6,7 bilhões evaporados em fraudes de crédito consignado, 252 mil contratos que simplesmente sumiram dos registros. Idosos continuaram pagando, mas o dinheiro? Esse tomou rumo desconhecido — provavelmente o mesmo caminho das fraudes bilionárias no INSS, reveladas pela Operação Sem Desconto.
A Transparência Internacional foi direta: o país apresenta “macrocorrupção em escala inédita” e sofre com “infiltração do crime organizado em estruturas estatais”. Tradução: não é caso isolado. É infecção generalizada.
O curioso é que, após cada escândalo, seguimos o mesmo ritual: indignação coletiva, CPI instalada, manchetes por uma semana, promessas de punição exemplar. Depois, silêncio. Os culpados seguem livres, o dinheiro nunca volta, e o ciclo recomeça com novos personagens no mesmo enredo.
Platão já alertava: “A punição que os bons sofrem, quando se recusam a agir, é viver sob o governo dos maus.” Talvez estejamos cumprindo essa sentença há mais tempo do que gostaríamos de admitir.
Enquanto Dinamarca, Finlândia e Noruega ocupam o topo do ranking de transparência, o Brasil segue confortável no pelotão de trás — não por incapacidade, mas por escolha. Escolha de não fiscalizar, de não punir, de olhar para o lado quando o ralo fica grande demais.
A corrupção brasileira virou uma besta tão grande, tão descarada, tão sem-vergonha, que deu até saudade daquele tempo em que a gente dizia: “rouba, mas faz”. Pelo menos sobrava alguma coisa, né? Uma ponte ali, um hospital acolá, um pedaço de asfalto. Agora? Agora é só rouba, rouba e rouba. E não faz nada. Literalmente nada.
Ei, calma! Não sou pessimista, não. Sou realista. Tem diferença.
Então, bora pular o carnaval! Ouvi dizer que as máscaras do FTS estão super na moda este ano. Não, você não leu errado. É FTS mesmo, hahahaha! Não sou louco de escrever o contrário, né?
Eles diziam que eram os últimos dos moicanos… Talvez até fossem, antes do Vorcaro, claro!
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