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Coluna Marcelo Moryan: Latindo pra lua
Por Marcelo Moryan
Publicado em 26 de março de 2026 às 08:35
Atualizado em 26 de março de 2026 às 08:36
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Deixei a poeira baixar sobre o caso Erika Hilton. Não sou de sair atirando cegamente — prefiro mirar com calma para acertar em cheio. Mas vamos ao básico: você sabia que existe uma Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados? Para quê? Pode parar por aí — porque nem Jesus sabia da existência dela, e olha que ele sabia de tudo.
É daquelas coisas que só vira notícia quando explode em polêmica — agora, com a deputada trans à frente. Pensa só: temos inúmeras câmaras por aí que nunca se importaram em representar as mulheres — porque, convenhamos, não têm mulheres em seu quadro. Aí, quando alguém que não deveria estar ali (segundo o código não dito) chega dominando a conversa, vira o fim do mundo. 84% contra, diz a pesquisa da Real Time Big Data. Que revolução popular de araque!
Mas e as presidentes anteriores? Alguém lembra quem foram? Ninguém. E sabe por quê? Porque não mexeram em nada. Comissões de mulher presididas por mulheres do establishment? Invisíveis. Erika chega — e o mundo explode.
Acompanho o mandato de Erika há tempo. Vamos aos fatos: primeira mulher trans eleita deputada federal em 2022 — com 256 mil votos que ninguém conseguiu ignorar. Ela é a DEFENSORA que não pede licença para falar de racismo, inclusão trans, visibilidade. Abre caminhos enquanto o sistema dorme para as minorias.
Mas sabe qual é a questão mesmo? Aqui está o cerne da história: a discussão nunca foi por ela ser trans. Quem critica com acidez e desrespeito? Alguém consumido de inveja. Porque Erika não é só uma mulher periférica, negra e trans — é uma mulher que domina os argumentos enquanto os críticos dominam as plataformas. Ela fala e desmonta. Eles repetem o que leram na bolha. Quem fez uma pesquisa mínima e a viu falar sabe: ela não baixa a cabeça para ninguém, desconstrói argumentos com bisturi verbal.
Erika é o Neil Armstrong da política brasileira. Pisou na Lua primeiro. Você sabe quem foi o segundo a pisar na Lua? Exato, ninguém lembra. Assim como ninguém se lembrava das presidentes que vieram antes dela — porque foram exatamente o que o sistema esperava.
Enquanto isso, os críticos? Ficam aqui embaixo, latindo para a própria irrelevância, porque nunca tiveram coragem de lutar para sair do chão — estão apaixonados pelo pessoal da “Casa Grande”.
Que eu, tu, ele, nós, vós e eles se acostumem — com ou sem latidos, a lua vai continuar brilhando sem pedir permissão de ninguém.
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