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Coluna Palavra de Fé: Se não tiver algo bom a falar, não diga
Por Raphael Abdalla
Publicado em 1 de março de 2026 às 12:00
Atualizado em 1 de março de 2026 às 12:00
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Vivemos em um tempo marcado pela velocidade das palavras. Nunca se falou tanto. Nunca se opinou tanto. Nunca se julgou tanto. As redes sociais amplificaram vozes, mas nem sempre ampliaram a sabedoria. Tornou-se comum comentar sem conhecer, criticar sem compreender e ferir sem perceber. Nesse cenário, um antigo conselho ganha força renovada: se não tiver algo bom a falar, talvez o melhor seja não dizer nada.
A Bíblia trata a palavra como algo poderoso. Em Provérbios 18:21 lemos que “a morte e a vida estão no poder da língua”. Não é exagero espiritual, é realidade humana. Palavras constroem ambientes ou os destroem. Um elogio sincero pode levantar alguém que estava prestes a desistir. Uma crítica cruel pode marcar uma pessoa por anos. Há palavras que curam e palavras que adoecem.
O problema não está apenas no que dizemos, mas na necessidade constante de dizer algo. Existe uma pressão cultural para opinar sobre tudo. Pessoas comentam vidas que não conhecem, histórias que não viveram e dores que nunca sentiram. Muitas vezes não falamos para ajudar, mas para aparecer, vencer um argumento ou alimentar o próprio ego.
O silêncio, porém, também é uma virtude espiritual. Tiago ensina que devemos ser “prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para se irar” (Tiago 1:19). O silêncio não é ausência de posicionamento, mas presença de sabedoria. Nem toda verdade precisa ser dita naquele momento. Nem toda opinião precisa ser expressa. Nem toda crítica produzirá crescimento.
Há quem justifique palavras duras dizendo: “Eu apenas falo a verdade”. Mas a Escritura nos lembra que a verdade bíblica sempre caminha junto com o amor. Efésios 4:15 nos orienta a falar “a verdade em amor”. A verdade sem amor vira agressão. O amor sem verdade vira omissão. O equilíbrio cristão está em unir ambos.
Falar algo bom não significa viver de elogios artificiais ou ignorar erros. Significa perguntar antes de falar: isso edifica? Isso ajuda? Isso aproxima ou afasta? Muitas conversas seriam diferentes se essa simples reflexão precedesse nossas palavras.
Famílias seriam mais saudáveis se houvesse menos críticas destrutivas e mais encorajamento. Igrejas seriam mais fortes se houvesse menos murmuração e mais oração. Ambientes de trabalho seriam mais leves se as palavras fossem usadas para cooperar, não para competir.
Jesus afirmou que “a boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45). As palavras revelam o interior. Quando alguém vive espalhando negatividade, ironia ou desprezo, não é apenas um problema de comunicação, mas de coração. Por isso, o cuidado com as palavras começa na transformação interior.
Talvez o mundo precise menos de opiniões rápidas e mais de pessoas que saibam abençoar com aquilo que dizem. Nem sempre conseguiremos resolver os problemas dos outros, mas sempre podemos escolher não aumentá-los com palavras desnecessárias.
Antes de falar, vale a pena fazer três perguntas simples: é verdadeiro? é necessário? é bondoso? Se a resposta não for positiva, o silêncio pode ser o ato mais maduro.
Em tempos de tanto barulho, aprender a falar menos e melhor pode ser um dos maiores testemunhos de fé, maturidade e humanidade. Porque, às vezes, não dizer nada já é dizer muito.
Raphael Abdalla é pastor titular da Primeira Igreja Batista em Guarapari e presidente da Convenção Batista do Espírito Santo. Possui formação em Direito, Teologia e MBA em Liderança. Idealizador do projeto Redes de Voluntários. Casado com Ana Paula Abdalla.
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