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Dengue, chikungunya e zika: três doenças, uma só prevenção

Por Livia Rangel

Publicado em 3 de dezembro de 2015 às 11:27
Atualizado em 3 de dezembro de 2015 às 11:27
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larvas_dengueA recente confirmação da relação entre os casos de microcefalia registrados em bebês e o zika vírus (foram 11 casos no Espírito Santo até o momento) colocou todo o Brasil em estado de emergência. Principalmente porque o vírus é transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transmite dengue e chikungunya.

“O país está vivendo uma emergência em saúde. Essa é uma situação fora do normal. A última vez em que o Brasil decretou estado de emergência em saúde foi em 1917, quando enfrentava a gripe espanhola. O clima é de mobilização e de guerra contra o mosquito em função do que estamos vivendo hoje”, disse o secretário de Estado da Saúde, Ricardo de Oliveira, em coletiva nesta quarta-feira (03).

Com a proximidade do verão, aumenta a preocupação, pois nesta época do ano é naturalmente maior o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, a possibilidade de transmissão de dengue, zika e chikungunya, esta última doença ainda não registrada no Espírito Santo. A gerente de Vigilância em Saúde da Sesa, Gilsa Rodrigues, ressaltou que será necessário fazer uma intensificação de combate ao mosquito diferente do que foi feito até agora.

“Estamos chamando Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, secretarias de Saúde e também de serviços urbanos, responsáveis pela coleta de lixo urbano, enfim, diversos órgãos que possam ajudar no combate ao mosquito, além da população, que precisa dar a sua colaboração. Afinal, 72,87% dos criadouros estão dentro das casas. Esse percentual é maior do que o do ano passado”, enfatizou.

Os principais criadouros do mosquito são vasos de planta e pratinhos que ficam sob os vasos para recolher a água (31,3%); depósitos de água para consumo humano (23,57%); pneus, câmaras de ar, entulhos, sucatas deixadas a céu aberto (25,1%); calhas, ralos, floreiras de cemitérios (18%); e, em menor proporção, depósitos naturais, como bromélias, oco de árvores e buracos em rochas (2,1%).

COMO PREVENIR
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Cartaz da campanha do Ministério da Saúde contra o Aedes Aegypti deste ano.

A campanha lançada nesta semana pelo Ministério da Saúde alerta que o Aedes aegypti mata e, portanto, não pode nascer. O resultado do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) indica 199 municípios brasileiros em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika.

Uma vez que dengue, zika e chikungunya são transmitidas pelo mesmo mosquito, as formas de prevenção das três doenças são as mesmas. São medidas simples, e talvez por isso algumas passem despercebidas. A dica, então, é fazer uma lista com tudo o que deve ser verificado dentro de casa e no quintal para que nenhum item importante seja esquecido.

Outra orientação que deve ser seguida à risca é escolher dias fixos da semana para fazer vistorias e eliminar os criadouros do vetor, pois o ciclo evolutivo do mosquito dura, em média, de cinco a sete dias. Portanto, se a pessoa elegeu o sábado para fazer a vistoria, ela precisa fazer a limpeza sempre nos sábados. Isso porque se numa semana ela fez a vistoria no sábado e na outra deixou para fazer na segunda-feira, por exemplo, já se passou o período evolutivo e novos mosquitos podem ter surgido.

Recipientes como vasilhas de animais domésticos necessitam ser limpos com uma boa escovação nas bordas para retirar possíveis ovos do mosquito. O mesmo deve ser feito com vasos de plantas, tonéis, caixas d’água e a bandeja que fica atrás da geladeira. Aliás, além de limpos, a bandeja detrás da geladeira e os vasos de planta devem ser mantidos sempre sem água.

A escovação desses locais é importante porque a fêmea coloca o ovo na parede desses recipientes e ele pode ficar lá até 450 dias, ou seja, mais de um ano. Assim que entrar em contato com a água, em um ou dois dias o ovo eclode e a larva, que é o primeiro estágio do mosquito, vai para a água. Daí por diante o mosquito completa sua evolução na água e depois vai para o ambiente.

O quintal é outro local que pode se tornar um grande depósito de criadouros do mosquito que transmite dengue e zika, por isso, também deve ser vistoriado toda semana num dia fixo. É importante manter os quintais bem varridos, eliminando recipientes que possam acumular água, como tampinha de garrafa, folhas e sacolas plásticas.

Certifique-se de que as lonas de cobertura estejam bem esticadas para não haver acúmulo de água quando chover. Coloque garrafas vazias de cabeça para baixo, e se por algum motivo tiver pneus no quintal, mantenha-os secos e abrigue-os em local coberto ou descarte-os corretamente se não tiverem utilidade.

Se a casa tiver que ficar fechada por mais de cinco dias, tempo que o mosquito leva para se desenvolver, é importante repassar a lista de verificação antes de sair, lembrando também de manter fechadas as tampas de vasos sanitários e de ralos pouco usados, como os de áreas de serviço e de lazer, que tenham a possibilidade de acumular água; fechar os ralos dos banheiros; e guardar a vasilha de água e de comida dos animais de estimação.

NÚMEROS

Até o dia 1º de dezembro, a Secretaria de Estado de Saúde recebeu a notificação de 11 casos de microcefalia, três deles em bebê já nascidos, além de 10 grávidas com doença exantemática (manchas vermelhas na pele). Os casos estão sendo investigados.

Quanto à dengue, no ano passado, foram notificados 24.944, com 22 óbitos confirmados. Neste ano, até a 46ª semana epidemiológica (entre 04 de janeiro e 21 de novembro) os municípios capixabas notificaram 34.385 casos da doença, com 28 óbitos confirmados.

O zika vírus, registrado neste ano pela primeira vez no território brasileiro, também causa grande preocupação, tanto pelo número de casos, que tem aumentado rapidamente no país, em especial no Nordeste, quanto por causar microcefalia nos bebês quando mulheres grávidas são infectadas. No Espírito Santo foram registrados, até esta terça-feira (01), 185 casos suspeitos de infecção pelo zika vírus, sendo que cinco desses foram confirmados laboratorialmente (04 em Vitória e 01 em Vila Velha).

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