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Empresário relata prejuízos incalculáveis após queda de calçadão em praia de Guarapari

Proprietário do Foodhall Beach vai definir próximos passos do empreendimento junto à equipe

Por Gislan Vitalino

Publicado em 23 de março de 2022 às 17:38

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Calçadão da Praia da Areia Preta Guarapari Desabamento Queda Deslocamento acidente empreendimento Foodhall Beach Restaurante Prejuízo Empresário
Fotos: Folhaonline.es.

As rachaduras que surgiram em parte do calçadão da Praia da Areia Preta na última semana assustaram moradores, empresários e frequentadores. Posteriormente, parte da calçada chegou a se deslocar, agravando a situação e os riscos para os pedestres. Informado de que a obra pode ter um prazo médio de execução de cerca de 4 meses, o proprietário do restaurante Foodhall Beach, no local, falou sobre a situação que vem enfrentando desde que a estrutura local apresentou fragilidades.

Atualmente, o local está passando por uma obra paliativa, com a colocação de rochas para conter a erosão. A Prefeitura de Guarapari já deu início ao processo emergencial de contratação da empresa que dará seguimento à obra de proteção do muro de arrimo e reconstrução do calçadão.

Segundo o empresário Frederico Reggiani, proprietário do restaurante Foodhall Beach, que atende no calçadão atingido pelas rachaduras, os prejuízos são incalculáveis. “É difícil estimar um valor de prejuízo. Teremos um período que, apesar de invernada, não teremos faturamento. Algumas mensalidades não podem ser suspensas e sempre temos uma preocupação ainda maior com as pessoas que trabalham aqui”, explicou. Na noite desta terça-feira (23), toda a equipe de funcionários se reunirá para conversar sobre os próximos passos a serem tomados pelo estabelecimento.

Em reunião com a Prefeitura na manhã de hoje (23), o empresário informou que o serviço no local deve durar um período de cerca de 4 meses até a conclusão. “Nós até já imaginávamos que uma obra desta proporção não seria tão rápida. Teremos alguns prejuízos já de imediato e um longo tempo que não poderemos funcionar. Mas isso não vai nos impedir de retomar as atividades após esse período. Tomaremos as medidas necessárias, com a suspensão de algumas mensalidades e pretendemos retornar melhores do que estamos sendo obrigados a deixar hoje”, relatou Frederico.

Empreendimento valorizou local

Como recorda o empresário, antes da instalação do empreendimento o trecho final do calçadão da Praia da Areia Preta era um local ainda desvalorizado e sem a devida atenção do poder público. “Essa região é um exemplo de descaso da Prefeitura. É uma parte do calçadão da praia que ficou abandonada desde 2009, quando a Prefeitura fez a obra parcial de reforma do calçadão das praias do Centro. Desde que entramos aqui, em junho de 2019, tivemos problemas com essa calçada, que sempre teve algumas depressões e problemas menores da erosão. Sempre viemos tratando, procurando quem seria o responsável, buscando a Prefeitura, mas sempre tendo negativas”, afirma Frederico.

Até mesmo um problema semelhante, de menor proporção, já aconteceu no local. “No ano passado, tivemos um problema muito semelhante, com menor gravidade. Procuramos a Prefeitura, a Defesa Civil, e foi feita uma obra que hoje está claro que não foi suficiente. O que seria uma obra preventiva, hoje se tornou a necessidade de uma obra maior e corretiva”, destacou o empresário.

Morador tem receio de que outros acidentes aconteçam

O professor aposentado e poeta Luiz Sérgio Quarto é morador do Centro da cidade e afirma que tem receio de que problemas do tipo voltem a acontecer em outros pontos. “Há muito tempo que a Prefeitura ou outro órgão do Estado deveria fazer o que está sendo feito hoje. O mar é isso, a natureza é forte e, se não tiver esse preparo, derruba mesmo”, disse Luiz Sérgio.

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O professor aposentado Luiz Sérgio Quarto reside no Centro de Guarapari há seis anos e frequenta a cidade há 26.

Frequentador da cidade há 26 anos e morador há seis, Luiz Sérgio explica que os moradores de toda a região estão na expectativa de que uma avaliação técnica mais detalhada seja feita no local. “Pelo que ouvimos dizer, a Marinha fará uma avaliação do local, para ver todas as condições dos prédios vizinhos e uma análise técnica mais aprofundada. Isso já traz uma tranquilidade, porque há a preocupação dos moradores sim”, contou o professor. “Esperamos que a obra não seja paliativa e que os moradores tenham essa assistência por parte dos órgãos responsáveis”, concluiu Luiz Sérgio.

Crea-ES recomendou ação imediata

Na última sexta-feira (18) o prefeito de Guarapari e o coordenador da Defesa Civil Municipal foram oficiados sobre a situação do calçadão no local pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES).

No documento, o presidente do Conselho, engenheiro Jorge Silva, faz um alerta à administração. “Caso não seja realizada uma ação imediata, novos desmoronamentos irão ocorrer e poderão expor parte da estrutura da fundação do edifício ao contato com a água marinha e sua dinâmica de turbulência, agravando a situação e trazendo riscos para a própria edificação e a população do entorno”.

Segundo divulgado pelo órgão, a vistoria técnica multidisciplinar realizada pelos especialistas apontou a possibilidade de desmoronamento do muro transeuntes, da queda de poste de energia em via pública ou nas edificações e do rompimento da tubulação de esgoto, com possibilidade de comprometimento da balneabilidade da praia.

O Crea-ES informou também que vem acompanhando o caso desde a segunda-feira (14/3), quando foi demandado pela população para inspecionar a área.

O que diz a Prefeitura de Guarapari?

Em nota, a Prefeitura de Guarapari de Guarapari se posicionou sobre o caso. Confira abaixo a nota enviada à nossa redação, reproduzida na íntegra.

“A Prefeitura de Guarapari, através da Secretaria de Obras Públicas e Serviços Urbanos (Semop), informa que o local está sendo monitorado diariamente pelas equipes de engenharia e Defesa Civil Municipal.  Desde esta segunda-feira (22), as equipes estão trabalhando na colocação de rochas no local, para conter a força da maré, até que sejam iniciadas as obras emergenciais, para proteção do muro de arrimo e reconstrução do calçadão. A data de conclusão, assim como o cronograma completo da obra, será definida após a contratação da empresa, processo este que já teve início de forma emergencial”.

É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização do FolhaOnline.es.

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