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ES tem o maior índice do Sudeste de crianças e adolescentes fora da escola

Por Carolina Brasil

Publicado em 16 de março de 2018 às 15:47
Atualizado em 16 de março de 2018 às 15:47
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Mais de 50 mil crianças e adolescentes, de 4 a 17 anos, estão fora da escola em todo o Espírito Santo. Fazem parte desse número os 2.236 que também não estão em sala de aula na cidade de Guarapari.

Em um cenário ideal, todas as crianças e adolescentes, de 4 a 17 anos, deveriam estar no percurso da educação básica, que compreende a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio. Entretanto, essa não é uma realidade em Guarapari, tão pouco de outras cidades capixabas e no Estado como um todo. Na verdade, esse é um problema que se repete e afeta o processo de escolarização em todo o país.

Com base nas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2015, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) divulgou, recentemente, dados preocupantes de evasão e abandono escolar. Para Cleonara Maria Schwartz, doutora em educação e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o problema passa, principalmente, por questões sociais, econômicas e de políticas públicas, além de processos educacionais engessados, que não tratam a educação com singularidade. “Infelizmente, o que se vê hoje são políticas educacionais que optam por modelos educacionais prontos, com materiais apostilados, que retiram a autonomia dos professores de organizar o processo ensino-aprendizagem e, desse modo, os impedem de atender diversidades e singularidades dos estudantes, desconsiderando a complexidade do campo educacional”, explicou a professora, ressaltando que responsabilizar o aluno, os profissionais que trabalham na escola e a família, em nada contribui para avançar no combate a esse problema crônico.

Há vários aspectos no abandono e na evasão escolar, entre eles a oferta de vagas e as condições socioeconômicas das famílias. Foto: Reprodução

No Espírito Santo, 50.374 meninos e meninas, entre 4 e 17 anos, estão fora da escola, o que equivale a 6,3% dessa população, mesmo índice do Brasil, porém o pior entre os estados da região sudeste, onde esse percentual é de 5,8% em Minas Gerais, 5,2% em São Paulo e de 4,5% no Rio de Janeiro. Em Guarapari, 9,1% dos que têm idade de 4 a 17 anos e deveriam estar na escola, ou seja, 2.236 crianças e adolescentes estão fora das salas de aula. “No caso da educação infantil, o problema da evasão e do abandono está articulado à oferta de vagas e também as condições sociais e econômicas da população. Ainda há insuficiência de escolas que atendam crianças de 4 a 5 anos, e também dificuldade dos responsáveis de conjugar o horário de trabalho com o horário da escola de tempo parcial, o que faz com que pais e mães, por trabalharem para o sustento da família, optem por não colocar seus filhos na escola ou por retardarem o ingresso de crianças a etapa inicial da educação básica”, pontuou Cleonara.

É preciso levar em conta as diversidades e as singularidades dos estudantes, e a complexidade do campo educacional. Foto: Reprodução

Entretanto, entre os números, o que mais chama a atenção é que dos mais de 50 mil capixabas, quase 30 mil (29.985) têm idade de 15 a 17 anos e deveriam estar cursando o Ensino Médio. “Muitos jovens, para chegar à escola, enfrentam problemas como falta de dinheiro para pagar transporte, a violência em algumas localidades, falta de atenção à saúde de meninas e meninos que acabam enfrentando a gravidez precoce, necessidade de contribuir com o orçamento doméstico, assumindo trabalhos alternativos”, enumerou a doutora em educação. Para Cleonara, todos esses aspectos necessitam de políticas sociais eficazes que não se restringem somente as educacionais. “É preciso políticas que tratem as desigualdades sociais e econômicas, e políticas educacionais que invistam no acesso, na permanência, na valorização dos trabalhadores da educação para garantir uma formação básica de qualidade”, completou a professora universitária.

Estado

Recentemente, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), anunciou vai investir R$ 70 milhões para promover ações de engajamento para que os jovens capixabas permaneçam na escola e concluam o Ensino Médio. As ações têm como ponto de partida a garantia do acesso e da aprendizagem através de uma Política de Promoção do Engajamento Escolar e Redução do Abandono e Evasão com a construção de centros de mídia, uso de tecnologias e ensino híbrido, apoio aos municípios na promoção do engajamento juvenil e na redução do abandono e evasão, ampliação e construção de novas escolas, formação do professor e apoio a prática didática e currículo inovador. Além disso, a Sedu vai disponibilizar R$ 50 milhões para a construção de 70 creches em todo o estado através dos municípios que aderirem ao Pacto pela Aprendizagem no Espírito Santo (Paes).

Prefeitura

A Prefeitura de Guarapari, através da Secretaria Municipal de Educação (Semed),  esclareceu que a realidade da cidade mudou muito nos últimos anos com relação à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental: Há vagas para todos os alunos que buscarem escolas municipais em idade obrigatória e, segundo a Semed, o índice de abandono dos alunos da rede municipal foi de apenas 0,9% em 2017. Para o enfrentamento do abandono e da evasão escolar, o município informa que faz ações incisivas de monitoramento semanal das frequências dos alunos nas escolas, trabalho  intersetorial  junto ao Conselho Tutelar e a Secretaria de Saúde com o programa Busca Ativa Escolar; participação do Projeto “Na frequência/combate e prevenção da evasão escolar”,  juntamente ao Ministério Público e Conselho Tutelar,  envolvendo as famílias; Projeto “Se liga no Futuro – combate à gravidez na adolescência” em parceria a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), e de Assistência, Trabalho e Cidadania (SETAC), bem como atividades pedagógicas para readequação dos currículos e atividades motivacionais e diversificadas, visando tornar a escola mais atraente e significativa aos alunos.

Foto: Reprodução

Saiba mais

Abandono: Quando um estudante que se matriculou no início do ano deixa de ir à escola a partir de um dado momento durante o ano letivo.

Evasão: Ocorre quando o estudante que frequentou a escola em um dado ano deixa de se matricular para ano letivo seguinte.

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