Especial Mulher: Política; substantivo feminino

Por Gislan Vitalino

Publicado em 13 de março de 2021 às 12:15
Atualizado em 15 de março de 2021 às 08:49

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08 de março – Lugar de mulher é onde ela quiser! Foto: reprodução Freepik

O Especial Mulher traz como tema final os aspectos da política e a relação deles com as mulheres. A palavra política, é um substantivo feminino que pode assumir dois significados. A organização de um sistema de governo que rege a sociedade e os assuntos públicos; ou a mulher que atua nesse sistema, o feminino do termo político. Comumente, associamos essa palavra ao primeiro significado apresentado.

A imagem dos espaços políticos, por muito tempo, esteve associada aos homens. E isso se reflete na composição desses espaços. Entre os 513 deputados eleitos para a atual legislatura da Câmara Federal, há 436 homens e 77 mulheres. Apesar de a representação feminina na Câmara ter subido de 10% para 15%, o número ainda está distante de representar a população brasileira, composta por 51,5% de mulheres, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Senado Federal, as mulheres ocupam 12 das 81 cadeiras. Um cenário também distante de representar a população brasileira. Desde a Proclamação da República, em 1891, o Brasil foi governado por 38 governantes, sendo apenas uma presidente mulher. Dos 17 representantes eleitos para a atual legislatura da Câmara Municipal de Guarapari, três são mulheres.

Uma dessas mulheres é a vereadora Rosana Pinheiro (Cidadania), líder do Governo Executivo Municipal na Câmara de Guarapari. Essa é a primeira vez que Rosana ocupa um cargo eletivo, mas anteriormente ela já atuou junto ao poder público executivo, judiciário e legislativo estadual.

Rosana Pinheiro. Foto: reprodução

Ela conta que parte dos desafios é a de conciliar a vida pessoal e os papéis que ainda são atribuídos as mulheres com o cotidiano da vida pública. “O homem quando é político, vive aquilo ali. A mulher vive a política, a casa, os filhos… A gente precisa ter tempo para tudo! Inclusive para nós mesmas, a gente precisa se sentir bem, se sentir bonita. Por isso é tão desafiante para nós mulheres”, explicou a vereadora.

Lidar com os questionamentos indevidos também é um desafio que dificulta o espaço. “É preciso estar sempre provando aos outros a sua capacidade. E não só na política, mas em todo o aspecto. A mulher ainda sofre muito com os preconceitos e precisa estar sempre mostrando o porquê de ser uma delegada, o porquê de ser uma médica, uma política”, contou. Religiosa, Rosana reforça que o mérito da presença feminina nos espaços de poder é natural e devido. “Nós não estamos no mundo para brincar. Nós fomos escolhidas por Deus para estar neste mundo. Deus fez Adão e resolveu fazer uma Eva. Desde a fundação, olha nossa importância no mundo”, esclareceu Rosana.

Outra mulher que também vive os espaços políticos, de uma perspectiva diferente, é Bárbara Hora (PT). Militante política desde a adolescência, Bárbara explica que sempre enfrentou resistência nos espaços que ocupou. “A política tem muitos problemas ainda. Se formos olhar, as mulheres ainda recebem menos investimentos quando candidatas que os homens, por vezes disputando em um mesmo patamar”, contou Bárbara.

Bárbara Hora. Foto: reprodução

Em 2020, Bárbara foi candidata a prefeita de Guarapari pelo Partido dos Trabalhadores. Ela conta que já esperava uma resistência por conta do Partido, mas a maior parte dos ataques sofridos não foi por isso, mas por ser mulher. “Eu ouvi algumas coisas por ser mulher, mas não ouvi relacionado ao Partido. O que enfrentamos na rua foi assédio, cantadas, piadinhas. As perguntas não eram da política, mas eram mais voltadas para saber se tinha marido, se tinha filho, se cuidava de casa”, contou.

Para ela, essas perguntas levam a crer que o espaço político não deveria ser ocupado pelas mulheres, porque o papel delas, segundo os que questionam, seria outro. “A mulher não pode estar fazendo campanha porque tem que ter casa, filho, marido. Como ela está aqui pedindo meu voto? E não é isso. Eu tenho certeza de que a gente dá conta. Temos capacidade de fazer as coisas ao mesmo tempo, que muitos homens não têm”, explicou Bárbara.

Estar em um espaço progressista, que debate a ampliação dos direitos das mulheres e a participação delas na política, ajuda, mas ainda existem dificuldades. “Internamente, as direções do meu partido precisam ser compostas por 50% de mulheres. Mas, por vezes, quando vamos para disputa em si, homens são maioria numérica, o que garante alguma facilidade a mais. Meu partido dá oportunidade de que as mulheres ocupem o espaço e a gente tem grandes exemplos disso, mas também é preciso fazer esse debate e conscientizar essas mulheres do porquê isso acontece”, contou.

O ponto de mais claro consenso entre as duas mulheres é que ainda existem muitos desafios a se superar e que isso passa por mais presença feminina nos espaços de poder e por defender a valorização e o respeito das decisões das mulheres, para si e para as outras.

Bárbara e Rosana. Foto: reprodução

Como mensagem final, Rosana deixa o apelo para que mais mulheres persigam as próprias metas e ocupem os espaços. “Nós mulheres temos condições. Hoje, ainda somos minoria na política, infelizmente, mas temos conquistado o nosso espaço. Isso é um grande avanço. Deixo aqui meu incentivo a todas as mulheres que não desistam dos seus sonhos e que não desistam de acreditar no seu potencial enquanto mulher”.

Bárbara frisou que para superar as dificuldades atuais é preciso união e força mútua entre as mulheres. “Quando a gente diz que ninguém solta a mão de ninguém, isso é real. A gente precisa se conscientizar que quando uma mulher é desrespeitada ou sofre violência, ela não está sofrendo sozinha, todas nós sofremos juntas, porque todas corremos esse risco e pelo simples fato de termos nascido mulher. Precisamos ter respeito entre nós e sororidade para entender e amparar a dor das outras”, finalizou.

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