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Guarapari: infectologista fala sobre os perigos da hepatite misteriosa

Por Aline Couto

Publicado em 24 de maio de 2022 às 16:39

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hepatite misteriosa
Foto: reprodução.

Assustando muitas pais desde abril deste ano, a Hepatite Aguda Infantil é grave, atinge normalmente crianças até os cinco anos e ainda não tem agente causador definido. No Brasil, a primeira notificação foi da cidade de Niterói, Rio de Janeiro, no dia 28 de abril, e está em investigação. Atualmente há pelo menos dois casos sendo investigados no Espírito Santo.

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O infectologista, e diretor clínico do Hospital Materno Infantil Francisco de Assis – HIFA Aquidaban, de Cachoeiro de Itapemirim, Dr. Daniel Junger, explica um pouco sobre a doença, ainda misteriosa. Ele descreve como pode ser prevenida; quais sintomas devem acender o alerta dos responsáveis; e como está sendo realizado o tratamento atualmente.

Confira:

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Folha: O que é a Hepatite Aguda Infantil?

Dr. Daniel: É uma hepatite grave que acomete crianças, sem agente causador definido – ou seja, não é causada pelos vírus reconhecidamente associados às hepatites.

Folha: Há diferença para a hepatite já conhecida?

Dr. Daniel: Não há diferença significativa em relação aos casos graves da Hepatite A, por exemplo.

O que há de peculiar nesses casos é que se trata de quadros graves de hepatite, mas não identificamos a etiologia, o que impede a definição precisa de contágio e oportunidade de tratamento específico.

Folha: Qual o agente causador da doença?

Dr. Daniel: A hepatite é de provável etiologia viral, sendo o adenovírus o agente mais frequentemente encontrado, seguido do SARS-CoV-2.

Folha: Como e quando os casos começaram?

Dr. Daniel: Em 05 de abril de 2022. Naquele dia a Organização Mundial de Saúde (OMS) recebeu a notificação de 10 casos na Escócia de crianças (11 meses a cinco anos de idade) previamente saudáveis com quadro de hepatite aguda grave de causa desconhecida. Dos casos então relatadas, um caso teve início em janeiro de 2022 e os outros nove casos iniciaram sintomas em março de 2022. As hepatites pelos vírus A, B, C, D e E foram excluídas mas foram detectados o coronavírus (Sars-CoV-2) e/ou o adenovírus em vários casos. Todos os casos necessitaram de internação e 70% evoluíram com hepatite fulminante e falência hepática, necessitando transplante de fígado.

Outros países (como Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Israel, Itália, Holanda, Noruega, Romênia, Espanha e Estados Unidos) também notificaram casos até 22 de abril de 2022. Investigações ativas de detecção de casos elevaram o número total para 145. Não foi registrado nenhum óbito e nenhuma das crianças acometidas havia tomada nenhuma vacina contra Covid-19.

No Brasil, foi realizada a primeira notificação pelo CIEVS RJ – Centro de Informação Estratégica de Vigilância em Saúde do Rio de Janeiro – em 28 de abril de 2022. Ocorreu em Niterói e está em investigação. Os casos prováveis seguem sob investigação.

Folha: Qual a idade mais atingida?

Dr. Daniel: Crianças de 11 meses a cinco anos. Porém, qualquer caso de hepatite aguda grave de etiologia não estabelecida em menores de 17 anos deve ser investigado e notificado.

Folha: Quais os sintomas da doença?

Dr. Daniel: Icterícia (74%); vômitos (73%); acolia/hipocolia (58%); diarreia (49%); náusea (39,5%); letargia (55,6%); febre (29,6%); e sintomas respiratórios (19,8%).

Folha: Como evitar o contágio?

Dr. Daniel: Evitar o contato com pessoas com sintomas tais como vômitos e diarreia, especialmente se associados a icterícia.

Folha: Quando procurar ajuda médica?

Dr. Daniel: Procurar o pronto atendimento pediátrico mais próximo em casos com sintomas suspeitos (náuseas/vômitos, diarreia, fezes sem coloração, icterícia) para receber avaliação médica.

Folha: Como é feito o tratamento?

Dr. Daniel: Como para a maioria das infecções virais, incluindo as hepatites virais de causa já conhecida (A-E), não há tratamento antiviral específico. O tratamento é de suporte e monitoramento de exames laboratoriais.

Infectologista Dr Daniel
Dr. Daniel Junger.

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