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HFA: Suporte à crianças que nascem com microcefalia

Por Hamilton Garcia

Publicado em 23 de março de 2016 às 21:36

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O hospital está estruturando protocolos para aperfeiçoar o atendimento desses casos com base num trabalho de acolhimento das famílias

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Zika (2)

HFA investe em atendimento humanizado para mães e bebês nascidos com microcefalia

A epidemia de Zika Vírus e os recentes casos de microcefalia espalhados por todo Brasil têm sido a grande preocupação no âmbito da saúde pública no país. Em Guarapari, no Hospital Maternidade Francisco de Assis (HFA), três bebês foram diagnosticados com microcefalia logo após o nascimento. Para lidar com essa situação, a instituição buscou reforço na área da psicologia. Toda a conduta de trabalho nesse tipo de caso é baseada em uma palavra: acolhimento.

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Como hospital maternidade responsável pelos partos realizados por meio do sistema único de saúde no município, o HFA está diretamente envolvido com a questão da microcefalia. Na maioria das vezes, como aconteceu nos três casos constatados pelo hospital, a mãe só descobre sobre a condição neurológica da criança logo depois do nascimento, o que faz da maternidade o lugar onde essa notícia é revelada.

Por compreender as dificuldades desse momento tão delicado na vida das pacientes, o HFA estrutura um atendimento especial para os casos de microcefalia, que vai além do aparato médico. Uma equipe interdisciplinar de profissionais da saúde, tendo como principal motivador o neonatologista Christiano Adilho, revisa constantemente os protocolos de atendimento desses casos, com o objetivo de aperfeiçoar o serviço prestado. “A gestão do hospital dentro da política de humanização tem como foco o acolhimento das mães e famílias nessa situação e a satisfação no atendimento”, disse o gerente administrativo do HFA, Márcio Garcia.

O trabalho do hospital segue o protocolo estadual de atendimento, que prevê a notificação imediata dos casos de microcefalia às secretarias de saúde do Estado. Logo após o diagnóstico, é colhida a sorologia da criança e são realizados os todos os exames de imagem para conclusão da hipótese e diagnóstico, em que pode ser constatada uma possível relação com o zica vírus. Na alta, o paciente recebe encaminhamento  para o Hospital Infantil de Vitória, onde será realizado o acompanhamento neurológico. É no meio desse processo que entra em cena o serviço de psicologia hospitalar, responsabilidade da psicóloga Laiz Cypriano.

Laiz acompanha o médico na hora de dar a notícia à mãe e ajuda a abrir espaço para que a paciente expresse o que está sentindo e tire as dúvidas. O trabalho da psicóloga é contínuo durante o tempo de internação da paciente e tem o objetivo possibilitar um processo que poderia ser traumático em uma experiência positiva para as mães. “É importante fazer com que essa mãe não se sinta sozinha, tentamos mostrar que estamos junto com elas nessa notícia”, conta a psicóloga.

Acompanhamento pode começar na emergência

O aumento nos casos de microcefalia por todo Brasil tem sua origem atribuída à epidemia do Vírus Zica, que preocupa as autoridades de saúde. Isso porque ao ser contraído por gestantes, a doença pode ter relação de causa com a condição neurológica da microcefalia. Dados do Ministério da Saúde revelam um número de 4.107 casos em investigação no país, sendo que 583 já foram confirmadas para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita.

É por esse motivo que o HFA quer monitorar as gestantes com sintomas suspeitos do vírus no seu pronto-atendimento. “A grávida que procurar a emergência do HFA com sintomas de Zica Vírus, como exantema (avermelhidões na pele) e febre, é examinada e tem a sorologia colhida e encaminhada ao Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo, onde o material é analisado para a possível confirmação de diagnóstico de zica”, conta a enfermeira do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, Thaís Ferreira.

Para a psicóloga Laíz, esse procedimento é uma oportunidade de estabelecer um primeiro contato com a paciente. Dessa maneira, o trabalho psicológico pode ser facilitado por uma relação de proximidade com a gestante.

É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização do FolhaOnline.es.

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