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Incêndio revela abandono de patrimônio histórico-cultural de Guarapari

Por Redação Folhaonline.es

Publicado em 16 de abril de 2020 às 15:26
Atualizado em 16 de abril de 2020 às 15:35

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Na última quinta (09), o ocorrido gerou comoção em redes sociais

Foto: Reprodução

Na última quinta-feira (09), ocorreu um incêndio nas Ruínas da Igreja Nossa Senhora da Conceição, patrimônio histórico-cultural localizado no Centro de Guarapari. O ocorrido motivou cobranças da população ao poder público local. 

A construção da Igreja dedicada à Nossa Senhora da Conceição teve início em 1677 e o monumento foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC) em 1989. Desde 2016, o evento “Sarau Ruínas”, promovido pelo “Sinestesia – Criatividade Coletiva” é realizado no local. Após o incêndio, que ocorreu na quinta-feira (09), o coletivo cultural divulgou, por meio de redes sociais, uma nota de apelo pela preservação do patrimônio. 

“As Ruínas da Igreja Nossa Senhora da Conceição, patrimônio histórico e afetivo de Guarapari, acabam de sofrer mais um duro golpe devido ao abandono que sofre há várias gestões públicas.

O coletivo Sinestesia já há quatro anos tem feito ações a fim de gerar atenção da comunidade e da gestão para o monumento e para a cultura local, tão esquecida em nossa cidade.

É com extrema tristeza que lamentamos que mais uma vez nossa história esteja esquecida e sofrendo ataques, não apenas devido ao incêndio, mas a falta de políticas públicas que versem sobre os cuidados aos patrimônios históricos, sejam eles materiais ou imateriais”, dizia o comunicado.

De acordo com Bruno de Deus e Magnago, sociólogo, produtor cultural, poeta e co-fundador do coletivo Sinestesia, o texto repercutiu entre o público das ações do grupo que, assim como os organizadores do Sarau Ruínas, possuem um vínculo afetivo com o monumento. “Houve comoção, imediata, comentários preocupados com a situação atual das Ruínas e fazendo alusão aos outros patrimônios de Guarapari, entre eles o Radium Hotel, a Fonte dos Jesuítas. Há um comentário geral que o morador local não conhece sua história, o Sinestesia, compreende que, na verdade, o que há é pouca divulgação e pouco debate público a respeito da cultura local”.

Bruno conta ainda que, assim que o grupo tomou conhecimento do incêndio, não apenas publicou a nota, como também comunicou-se com os órgãos responsáveis pela preservação do monumento. “Entramos em contato com a Secretaria de Turismo, Empreendedorismo e Cultura (SETEC) e com a Secretaria de Estado da Cultura (SECULT). Também ligamos para o corpo de bombeiros, que já havia sido acionado”.

Segundo o membro do coletivo, a Prefeitura não soube informar mais detalhes sobre a origem do incêndio. “Existem apenas especulações. Em diálogo com moradores locais e na visita que fizemos após o incêndio, a suspeita é que possa ter existido um curto circuito no refletor que existe dentro da torre e tenha caído em um colchão de pessoas em situação de rua que estavam alocadas no espaço, isso tenha originado o incêndio”, afirma Bruno. 

Buscamos a Prefeitura de Guarapari para esclarecer: Qual foi a causa do incêndio? Foi realizada uma análise para verificar os danos estruturais que podem ter sido ocasionados pelo incêndio? Caso sim, foram constatados danos? Será adotada alguma medida a fim de preservar o patrimônio? 

Por meio de nota, o Executivo informou: 

“O incêndio ocorrido na última quinta-feira (09) foi controlado pelo Corpo de Bombeiros em 20 minutos após o acionamento. Até o momento não há confirmação da causa do incêndio.

Durante o período de pandemia o local será isolado para evitar o acesso”. 

Agora, o coletivo aguarda um posicionamento formal do poder público a respeito das medidas que serão adotadas em prol da preservação do patrimônio. “A atual gestão tem tido cuidado de dialogar com a classe artística com mais zelo e dado mais atenção às manifestações locais, mas ainda carecemos de ações mais afirmativas e de posicionamentos claros sobre sua política pública de cultura. A implementação do Conselho Municipal de Políticas Culturais seria vital para que problemas como esse pudessem ter sido evitado e para que também fossem pensadas, nesse momento de pandemia, medidas de auxílio à classe artística”, afirmou Bruno de Deus e Magnago. 

Questionada sobre possíveis benefícios assistenciais à classe artística e às comunidades tradicionais de Guarapari, que foram diretamente afetadas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a Prefeitura não se manifestou.  

Texto: Nicolly Credi-Dio

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