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Moradores de Meaípe temem que muro não fique pronto antes do verão em Guarapari

Por Carolina Brasil

Publicado em 24 de outubro de 2019 às 16:50
Atualizado em 25 de outubro de 2019 às 07:50
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Após suspensão da empresa vencedora no processo de licitação, a prefeitura convocou a segunda colocada que aguarda ordem de serviço para iniciar a obra

Há cerca de cinco meses, a Prefeitura de Guarapari colocou pedras para criar uma barreira física no ponto mais afetado para contenção da maré. Fotos: Folha da Cidade

Moradores, comerciantes e empresários de Meaípe estão preocupados com a conclusão da obra de recuperação que objetiva reconstruir parte do muro da orla, derrubado pela força do mar. No local, o avanço da maré tem causado estragos e, consequentemente, incertezas sobre qual será o cenário quando o verão chegar.

Para Marlene Amado, presidente da Associação de Moradores do bairro, o tempo é muito curto. “Estamos em uma época onde a maré muda muito. E, além do clima ser uma condicionante, estamos muito próximos do verão. Para ser concluída a tempo da alta temporada, vai exigir muita boa vontade”. Opinião compartilhada com Vinícius Brina Gramiscelli, empresário local. “São cinco meses de obra parada e, agora, fica a dúvida de como será no verão”.

Vinícius Brina Gramiscelli não sabe o que esperar para o verão na orla.

De acordo com a publicação em Diário Oficial, feita no último dia 22, a empresa S&A Serviços e Obras, segunda colocada no processo de licitação, foi convocada e o contrato determina o prazo de 120 dias para o término da obra, contatos a partir da assinatura da ordem de serviço, trâmite que ainda não aconteceu.

A Prefeitura de Guarapari, através da Secretaria Municipal de Obras (Semop), informou que essa assinatura será realizada o mais breve possível, respeitando os prazos e os trâmites do processo. Uma data não foi informada.

Além dos prejuízos para a economia local, a situação da orla da Praia de Meaípe também chama a atenção para a segurança de quem frequenta o balneário. “Outra preocupação da população são os riscos de uma obra parada, um grande buraco que se formou, as pedras e, principalmente, os vergalhões que estão expostos na areia da praia. Pode acontecer uma tragédia se uma criança ou uma pessoa desavisada cair ali. Sem contar a repercussão negativa que isso teria, estão ignorando o perigo que está lá”, destacou Tatiane de Jesus Gomes, comerciante e moradora antiga da região.

Vergalhões expostos trazem insegurança aos moradores.

Urbanização

Paralela à obra do muro, a orla de Meaípe passa por intervenções para urbanização que já estão sendo executadas pela mesma empresa. Um dos trechos da via à beira mar será uma “Rua de Lazer”, exclusiva para pedestres. “Acreditamos que o fechamento da rua para veículos e a criação de um local de passeio, para que as famílias possam aproveitar, será muito bacana”, destacou Marlene.

Porém, a presidente da associação e o empresário ouvido pela reportagem fizeram ressalvas a respeito do nível da rua naquela extensão. “Com a colocação dos meios-fios, vimos que a rua ia ficar muito acima do nível das residências e comércios locais, em época de chuva a água iria invadir os imóveis”, pontuou Marlene Amado.

“O secretário de obras já esteve aqui, mostrou boa vontade e a promessa de rebaixar a rua através de solicitação a empresa. Houve diálogo e o compromisso da adequação”, completou Vinícius.

Parte da via à beira mar será exclusiva para pedestres.

Um dos representantes da S&A Serviços e Obras, que preferiu não gravar entrevista, afirmou que esse pedido será atendido.

Em nota, o município confirmou que já foi definida uma solução para a questão junto à empresa e que, no local, será feito um rebaixamento de nível da rua e todo o escoamento de água será feito pelo lado do mar. A resposta esclarece ainda que uma equipe de topografia da Semop irá trabalhar junto à contratada para estabelecer um nível que não prejudique os proprietários de imóveis.

Engordamento

A população também espera uma solução a longo prazo, com engordamento da praia.

Para a população, as obras não terão durabilidade se o problema do avanço do mar não for sanado. “De nada vai adiantar se não tiver a engorda da praia. Ainda estamos aguardando notícias sobre o projeto, houve um primeiro diálogo com o Governo do Estado, muito inicial, mas ainda não temos nada concreto”, salientou Marlene. Além da praia, a erosão também comprometeu o asfalto em alguns trechos da rodovia na região.

Sobre isso, procuramos o DER-ES que respondeu em nota:

“O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES) informa que já foi feito um deslocamento da faixa de rolamento neste segmento. Antes do verão está previsto a implantação de uma nova pista auxiliar para garantir a segurança dos usuários neste segmento rodoviário.

Também está prevista a realização de licitação com o objetivo de contratar empresa para executar serviços de construções de espigões, engordamento da praia e demais serviços que venham garantir de forma definitiva a segurança dos usuários.”

 

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