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“O comércio não aguenta mais ser refém da violência”

Por Glenda Machado

Publicado em 31 de agosto de 2015 às 18:04
Atualizado em 31 de agosto de 2015 às 18:36
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COMERCIANTES do Ipiranga cobram mais policiamento no bairro.

“O comércio não aguenta mais ser refém da violência”. Esse é o desabafo dos comerciantes que estão indignados com a insegurança no bairro Ipiranga. São oito estabelecimentos em um trecho de aproximadamente 60 metros que já foram assaltados 15 vezes neste ano. Só a locadora, por exemplo, foi alvo dos bandidos por quatro vezes. Na farmácia, assaltaram duas vezes em 20 dias. E a joalheria foi arrombada duas vezes em um mês.

“A situação está difícil para o trabalhador honesto. Nós trabalhamos com medo, porque só neste ano fomos assaltados a mão armada quatro vezes. O bandido vem aqui, coloca a arma na nossa cara e leva o nosso dinheiro e nem preso vai. Agora quem vai arcar com o meu prejuízo de mais de R$ 20 mil? Cheguei a contratar segurança particular, mas não tive como manter porque o custo é alto”, afirma revoltado o proprietário da locadora, Sidney Ribeiro.

Para os comerciantes, eles se tornam alvos fáceis da criminalidade diante da ausência de policiamento no local. “Minha joalheria foi arrombada duas vezes em menos de um mês. Um prejuízo de quase R$ 20 mil. Eu acionei a polícia. Eles conseguiram prender um dos bandidos, mas já está solto de novo. O jeito foi reforçar a segurança com grades. Mas acho que se tivessem viaturas rondando aqui já intimidaria”, destaca o proprietário, Josapha Gomes Nunes.

Na farmácia, o medo fez com que dois funcionários pedissem demissão. “Os assaltantes entram com arma, intimidam os funcionários, ameaçam. Na primeira vez, o nosso funcionário disse que não ia dar a aliança. Duas semanas depois, eles voltaram e falaram que tinham vindo buscar a aliança. O funcionário pediu demissão, inclusive está desempregado. O medo falou mais alto”, relata o gerente da farmácia, José Antônio.

A solução tem sido apelar para medidas preventivas. “Depois que a minha loja foi assaltada a mão armada, instalei câmeras de videomonitoramento. Eles foram bem agressivos e levaram cerca de R$ 7 mil em produtos eletrônicos. Somos reféns de um sistema que não funciona, ficamos coagidos, porque acionamos a polícia. Mas eles não capturaram os bandidos”, conta o proprietário da loja de informática, Gelbes de Souza.

Assim como eles, não faltam exemplos. O escritório de contabilidade da rua também foi arrombado, mas o dono preferiu não acionar a polícia. “Entraram na recepção e levaram tudo, um prejuízo de R$ 3 mil. Coloquei mais um portão de segurança e agora trabalhamos trancados e só abrimos a porta mediante identificação. Não chamamos a polícia, porque depois não adianta. Eles têm é que fazer um trabalho preventivo”, conta Willssiff Nascimento.

Na padaria, foram duas vezes. O jeito foi contratar vigia noturno. Na mercearia, também foram duas vezes. “O problema é que não temos policiamento ostensivo, sem viaturas no bairro, somos alvos dos assaltos”, destaca o proprietário, Adeir Carvalho Leite. E na loja de agropecuária, mais um assalto. “A insegurança está em toda parte, trabalhamos com medo e cadê os policiais?”, questiona o dono, Marcelo Berteli.

Guarapari registra pelo menos um assalto por dia

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10º Batalhão conta com 234 policiais. Até agosto deste ano já realizaram 3.264 operações policiais.

223, este é o número de crimes contra o patrimônio registrados até agosto deste ano em Guarapari. São os assaltos, roubos e furtos no comércio, em residências e em vias públicas. Mas se levar em conta os crimes que não são registrados, esse número pode até dobrar. O problema é que mesmo quando a polícia militar faz o seu papel de prender os assaltantes, muitos respondem judicialmente pelo crime em liberdade.

Dos 28 detidos em flagrantes em delito de furto ou roubo neste ano, apenas 12 estão presos segundo dados do 10º Batalhão da Polícia Militar de Guarapari. Um, por exemplo, tem 26 passagens pela polícia, sendo 10 por assalto. No extenso currículo conta até com tentativa de homicídio. Mas esse cidadão está solto. Para o subcomandante da PM, Major Heron Roman, o grande problema é a precariedade da legislação.

“Nossa legislação está ultrapassada, é precária e engessa muito o trabalho de quem está a frente no combate à violência. Muitas vezes, prendemos o meliante, mais de uma vez, por diversos crimes, mas acaba sendo solto. Estamos intensificando o policiamento, contamos hoje com 234 policiais. Só neste ano, fizemos 3.264 operações policiais. O videomonitoramento também vem somar e agilizar o nosso trabalho”, destaca o subcomandante.

Quanto a Ipiranga, ele ressalta que há policiamento ostensivo no bairro 24h. “Ipiranga faz parte da equipe que abrange a região central com policiamento 24h. Também conta com o Patrulhamento da Comunidade. Ipiranga está incluída na equipe que também atende outros bairros como Coroado e Kubitschek. É uma equipe das 9h às 16h e outra das 16h às 23h. Além da equipe de motopatrulhamento que ronda a região central das 9h às 16h. E temos ainda a 2ª Cia da Polícia Militar sediada no Centro, próximo ao bairro Ipiranga”, explica.

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