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Situação de Rua: o que pensam organizações de Guarapari que trabalham com essa população

Em Guarapari, parte da população têm notado um aumento de pessoas que encaram essa condição

Por Gislan Vitalino

Publicado em 23 de junho de 2021 às 18:00
Atualizado em 24 de junho de 2021 às 17:10

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Várias são as razões que levam uma pessoa a decidir deixar seu lar e morar nas ruas. Ainda que as necessidades dessa população sejam muito específicas, diversos setores da sociedade civil têm propostas distintas para humanizar a relação com essas pessoas e dá-las novas perspectivas.

Em Guarapari, nos últimos meses, parte da população têm notado um aumento de pessoas que encaram essa condição. Enquanto alguns setores da sociedade se organizam para oferecer algum tipo de assistência para essa população, outros setores acreditam que esse amparo é responsabilidade exclusiva do poder público e que algumas formas de ajudar diretamente podem dificultar o trabalho dos órgãos responsáveis.

Ações sociais

Para o Presidente da Associação de Moradores da Praia do Morro, Caiê Hofstatter, por exemplo, a situação deve ser tratada como um caso de saúde pública e não de segurança, como acontece as vezes. “Muitas vezes, as abordagens que essa população recebe é desrespeitosa e agressiva, então aquele indivíduo que já está em uma situação difícil acaba reagindo de forma semelhante”, afirmou Caiê.

Atualmente, Caiê tem organizado um grupo de pessoas e organizações que realizam ações sociais em prol de pessoas necessitadas. Segundo ele, essa iniciativa tem o objetivo de promover ações para humanizar as relações com essas pessoas, permitindo uma aproximação mais efetiva. “Trabalhar como quem toca uma boiada, não resolve nada, pois se tiramos uma pessoa de um lugar, sem uma estrutura que ampare o problema, logo teremos outra pessoa ali em situação semelhante”, explicou.

Ele reconhece que algumas pessoas que se encontram nessa situação precisam de uma atenção maior, mas acredita que é preciso tratar individualmente, cada realidade. “Não se pode tratar todos como criminosos, mas como pessoas que precisam da atenção da saúde pública. Hoje existem propostas amplas e completas, que buscam dar novas perspectivas para esse público. É preciso pensar algo que funcione e não tratar essa população como lixo”, destacou.

Segundo ele, a população em situação de rua com quem trabalha, tem apontado algumas dificuldades em relação ao Centro POP, principalmente em relação ao horário de funcionamento curto e a dificuldade de locomoção até o local do espaço.

Um dos projetos que integram essas ações sociais reunidas por Caiê Hofstatter é o Projeto Luz, organizado pelo Pastor Aloísio Domingues. Todas as sextas-feiras, os voluntários do grupo distribuem marmitas para a população em situação de rua de Guarapari. “Alimentar essas pessoas não vai fazer com que outras procurem as ruas. Viver nas ruas é algo difícil. Por um prato de comida, não vale a pena para ninguém deixar sua casa e sua família”, contou o Pastor.

A Associação Amigos no Bem também cumpre esse papel. Segundo um dos coordenadores, Maurício Faria, a ONG distribui cerca de 300 refeições todas as semanas. Além disso, também são distribuídas cerca de 150 cestas básicas mensais e ofertados serviços de psicanálise, cabeleireiro e direcionamento para o emprego. Desde novembro de 2020, o grupo mantém um espaço no bairro Ipiranga que tem como foco o amparo à pessoas em vulnerabilidade.

Função do Poder Público

Outros grupos da sociedade, entretanto, acreditam que o trabalho direto com as pessoas em situação de rua pode atrapalhar o trabalho das instituições responsáveis pois, se há amparo à essa população nas ruas, não há motivos para que eles busquem o amparo nas iniciativas do Poder Público. Sendo assim, algumas formas de ajudar diretamente ao público, podem dificultar o trabalho dos órgãos responsáveis.

A Otília Piumbini é moradora de Guarapari e integrante da Rede de Promoção de Ambientes Seguros de Guarapari (Repas). Ela acredita que o trabalho voltado para essa população precisa estar centralizado pelas instituições do Poder Público que exercem esse papel.

“As intenções são boas, mas pode acabar atrapalhando o trabalho das instituições responsáveis. O ideal é que que toda ajuda fosse direcionada para os órgãos responsáveis, como o Centro POP, em Guarapari”, explicou Otília.

Para ela, existe um bom trabalho sendo realizado atualmente pelo Centro POP, mas há ainda pontos que precisam ser aprimorados pelo município.

O que diz a Prefeitura?

De acordo com a Prefeitura, o quantitativo de pessoas em situação de rua no município varia conforme a época do ano, visto que, entre novembro e fevereiro, esse quantitativo cresce devido ao aumento no número de turistas que visitam o município e devido à migração de pessoas vindas de outras regiões do Espírito Santo e de outros estados, como também da busca por local que ofereça menor índice de violência para com as pessoas em situação de rua.

Sobre esse número, também incide a população residente em Guarapari, com familiares no município, com vínculos ou não, mas que por motivos diversos, estão em situação de rua.

Sobre a capacidade de atendimento do Centro Pop, a Prefeitura informou que a instituição possui capacidade para atender 80 casos (famílias ou indivíduos) por mês. Entretanto, o quantitativo de atendimentos atualmente disponibilizado está acima da capacidade prevista. O histórico de atendimentos tem acontecido conforme a tabela abaixo.

Janeiro: 120 usuários;

Fevereiro: 150 usuários;

Março: 141 usuários;

Abril: 105 usuários;

Maio: 112 usuários.

Sobre a reclamação ouvida de alguns dos atendidos do Centro POP sobre o horário de funcionamento, a Prefeitura informou que a normativa prevê que o serviço esteja aberto para atendimento ao público, necessariamente nos dias úteis, cinco dias por semana, oito horas por dia, considerando equipe mínima que garanta acesso dos usuários aos serviços do Centro Pop.

Para ampliação do funcionamento como em feriados, finais de semana e período noturno, é preciso inicialmente avaliação infraestrutura, e da possibilidade de ampliação da equipe. A PMG informou também que a análise dessa ampliação deve ser considerada nos períodos de maior rotatividade de público, assim como a possibilidade de locomoção gratuita de pessoas em situação de rua que necessitam utilizar os serviços o Centro Pop.

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