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Rosimara Marinho: fé, dedicação e doçura para maternar

Às vésperas do Dia das Mães, o exemplo lindo da entrevistada da edição 60 da revista Sou

Por Carolina Brasil

Publicado em 10 de maio de 2025 às 09:00

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Rosimara com Pedro no colo ao lado do marido Tales que segura Luiza. Fotos: arquivo pessoal

Aos 42 anos, a jornalista, assessora de imprensa e corretora de imóveis Rosimara Marinho tem especial apreço pela maternidade. Dedicada e concentrada em tudo que já se propôs ou se propõe a fazer, não seria diferente em relação à Luiza (3) e ao Pedro (1). Em uma tarde chuvosa e agradável, Rosimara recebeu a revista SOU para uma conversa que teve um pouco de tudo. Confira: 

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Revista SOU: Antes da Rosimara esposa e mãe, tem a jornalista, qual o balanço que você faz da sua carreira?

Rosimara Marinho: Como jornalista passei por diversos veículos e trabalhei bastante até o trilhar o caminho da assessoria de imprensa, que já era um desejo desde a faculdade. E foi nessa época que eu criei o “Tudo é Mara”, que era para ser um site e acabou se tornando um blog no formato do jornalismo que eu sempre gostei de fazer, que é falar de coisas boas, positivas. O Tudo é Mara ganhou notoriedade, eu também consegui empreender como assessora e isso me fez muito realizada enquanto jornalista.

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SOU: Agora, vamos a sua “carreira” de mãe, foi preciso lutar por ela também, não é mesmo?

RM: Sim, mas é de muito aprendizado que eu gosto sempre de compartilhar. Estava com 35 anos quando procurei um médico com o desejo de engravidar, e foi desanimador, pois ele, sem ver exame algum, elencou somente problemas. Mas eu disse a ele que acreditava no Deus do impossível, e Ele quem decidiria se eu geraria um filho e, mesmo que tivesse uma impossibilidade, eu adotaria uma criança. Bom, saí de lá bem chateada, conversei com Tales, meu marido, e decidi interromper o método contraceptivo. Depois de seis meses, procurei outro médico que me tratou completamente diferente; já me passou uma série de exames pré-concepcionais para investigar a minha saúde fértil e que fizeram toda diferença; me explicou toda complexidade de engravidar que existe independentemente da idade. Empatia, conhecimento e informação me tranquilizaram. Em menos de um ano eu estava grávida da Luiza.

SOU: E quais outras lições você tem para as tentantes?

RM: Suplementação e acompanhamento nutricional são importantíssimos, eu recomendo especialmente para mulheres depois dos 30/35 anos, precisamos cuidar do corpo para a gestação. Além disso, buscar relaxar, conversar com o companheiro, passear e cuidar da mente, ter o momento de conexão do casal é fundamental.

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SOU: Luiza nasceu prematura e como foi a gestação dela?

RM: No início, precisei de repouso quase absoluto por quatro meses, mal saía. Aproveitei essa fase para dar uma freada no trabalho, pois até então eu chegava a trabalhar 16h por dia, e eu senti que precisava focar na minha filha, na minha qualidade de vida e assim foi feito. Após os quatro meses tudo transcorreu normalmente até que, com 30 semanas, minha pressão começou a subir muito e meu médico entrou com alguns protocolos para evitar um parto muito precoce. Ainda assim, com 33 semana eu fui internada, fiquei dois dias na UTI, fui para o quarto achando que teria alta, mas não foi bem assim… Quando meu médico me examinou, ele falou com toda calma que a Luiza estava preste a entrar em sofrimento fetal e faria meu parto. Dr. Murilo Ferraz é assim, e eu digo que ele é um homem de Deus. Disse que prepararia a equipe e a sala de parto, e perguntou se eu queria dizer alguma coisa. Naquele momento estavam comigo o Tales, a irmã dele e nosso cunhado, eu disse “quero fazer uma oração”. Eram 18h e pedi a Nossa Senhora que passasse na frente. Rezei muito durante todo parto, minha cunhada se propôs a fotografar e filmar, Tales ficou na sala de parto e, quando a Luiza nasceu, colocaram ela perto de mim, mas logo levaram dizendo que ela precisava de cuidados, ela nasceu bem miudinha com 1,690kg e 40cm, foi bem desafiador.

SOU: E ainda tinha a pandemia por Covid-19. Quantos dias no hospital?

RM: Sim e nós duas precisamos de internação. Eu tive alta com sete dias e Luiza precisou ficar. Antes da alta fui diagnosticada com Covid-19 e tive que ir para casa. O protocolo do hospital era ligar para dar o boletim, mas eu virei uma leoa e consegui que fizessem uma chamada de vídeo diária também. Foram dez dias de confinamento e o que me salvou foi a minha fé. Teve ainda um dia que não fizeram contato, foi desesperador, a gente ligava e nada, minha cunhada foi até lá e buscou notícias, pediu uma foto à médica e me mandou. O motivo que nos deram foi “não mudou nada por isso não liguei”. Depois da minha alta, alugamos um imóvel lá e ficava lá visitando a Luiza todos os dias até a alta dela 31 dias após o nascimento. E Deus foi muito generoso com a gente, a nossa vida ali naquele caos, mas as coisas no trabalho estavam fluindo de maneira remota, conseguíamos resolver as demandas, tanto para mim quanto para o Tales, e isso foi muito positivo.

SOU: Conseguiu amamentar?

RM: Sim, mas foi outro desafio. Luiza não pegava, já tomava complemento, mas eu queria ter aquela conexão com ela e fui atrás. A moça do banco de leite me dizia “mãe, você precisa relaxar, seu problema está aqui” (e apontava para a cabeça). Eu questionava que aquilo não cabia para mim, eu sempre muito positiva, como? Não admiti me entregar. Tivemos uma rede de apoio gigante com experiências distintas de mães, avós e profissionais. Tentamos todas as maneiras de amamentar: leite do peito no copinho, na colher, fizemos a translactação – que é o leite do peito via sonda na boca do bebê por uns 12 dias. Por fim, a Luiza começou a mamar em seio materno e mamou até 1 ano e 7 meses. Foi uma benção, leite materno é um alimento ouro.

SOU: Onde a Mara corretora entra na sua história?

RM: Durante a licença maternidade da Luiza, comecei o curso e, quando conclui, eu já estava com Pedro na barriga. Queria ser corretora para trabalhar com meu marido e ajudar na criação dos nossos filhos. De lá para cá, consigo fazer a parte de apresentação de alguns vídeos da imobiliária, na medida em que a maternidade me permite, e atendimentos on-line. Mas ainda estou me reorganizando; a agenda do Pedro é muito cheia.

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SOU: Por falar em Pedro, ele veio para completar a mãe Rosimara?

RM: Eu busquei a igreja e pedi discernimento pois eu queria ter mais filhos, querendo saber o que fazer. Eu coloquei nas mãos de Deus e que se fosse da vontade Dele. Fui muito abençoada com a gravidez do Pedro, pois eu ia ter mais um filho e um menino! Por recomendação médica esperamos um ano, mas engravidei muito rápido e nem tinha ideia. Essa história foi engraçada, pois minha irmã estava na minha casa e me pegou dormindo no meio da tarde e lançou: “Mara, você tá grávida, você nunca dormiu de tarde”. Dito e feito!

SOU: Pedro tem Síndrome de Down, como você se sentiu ao descobrir?

RM: Nós só descobrimos na hora do nascimento. Quando tiraram ele do meu colo para levar para limpar, o Tales estava com uma expressão assustada, olhando para mim e falou “Pedro é Síndrome de Down”; eu disse: E daí, é meu, vou amar, vou cuidar! Tales e eu fomos escolhidos para sermos o pai a mãe do Pedro; e ele foi muito desejado. O susto veio quando soube que ele foi levado à Utin (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal) e ficou lá por 27 dias devido a uma parada cardiorrespiratória e investigação da cardiopatia que ele tem. Porém, já considero um milagre: um sopro fechou e o outro estamos acompanhando; já teve indicação de cirurgia. Estamos orando para que seja feita a vontade de Deus. O Pedro é muito bem assistido por médicos e terapeutas de todas as especialidades. Me dedico muito a ele e a Luiza, para dar qualidade de vida a eles. A maternidade é bênção e a minha fé sempre esteve muito presente em todos os sentidos. E eu sei que Deus não me escolheu à toa para ser mãe do Pedro. Ainda encontrei o grupo Mães T21 Guarapari e estou tendo a chance de aprender sobre e contribuir com a causa com outras mães; engajei e já estamos com ações, programações e realizando encontros periódicos.

SOU: Você tem muita fé, sempre foi assim?

RM: Desde criança, aprendi com minha família. Eu tenho até hoje a Bíblia que a minha avó me deu quando fiz 15 anos. Sou católica praticante e busco cada vez mais a minha intimidade com Deus. Meus filhos são benção em minha vida. Os desafios surgem, mas com fé e perseverança sigo confiante de que serão superados.

Rosimara 1

“Tenho o sonho de escrever um livro com a história dos meus filhos e como a maternidade me transformou tendo outro olhar sobre a vida a partir de uma Utin. Lá você vê a vida chegando e indo embora. Dói e te faz mais triste ou mais forte, você escolhe. A esperança é a fé sempre foram minhas aliadas; foram duas temporadas e 58 dias ao todo que me transformaram imensamente. E não pararia por aí, gostaria de escrever também sobre a maternidade e a Síndrome de Down, compartilhar a minha experiência e tantos aprendizados que só se tem quando você se torna mãe de uma criança T21” 

rosimara marinho

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