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Verão: águas rasas escondem perigos

Por Hamilton Garcia

Publicado em 17 de janeiro de 2017 às 12:04

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Mergulhos em locais desconhecidos e com baixa profundidade podem causar acidentes graves e levar à incapacidade motora

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O risco de afogamento costuma ser a principal preocupação das pessoas durante o verão, que no Espírito Santo é sinônimo de praia. No entanto, nesta época do ano também aumentam os casos de acidentes em águas rasas, como em cachoeiras, piscinas, rios, lagoas e mares, com lesão na medula cervical. E as consequências são graves, alerta o ortopedista especializado em cirurgia de coluna Lourimar Tolêdo, responsável pelo Serviço de Cirurgia da Coluna Vertebral da equipe de ortopedia do Hospital Metropolitano, na Serra.

“Podemos citar a paraplegia (paralisia das pernas), a tetraplegia (paralisia de braços e pernas) e, ainda, disfunções neurológicas, como o traumatismo craniano”, relaciona o médico. Lourimar Tolêdo explica que, se o salto for feito de uma grande altura e, ao cair na água, o indivíduo não encontrar espaço suficiente para o mergulho, há grande probabilidade de ele chocar a cabeça contra o fundo ou alguma barreira inesperada.

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“Com o impacto, o pescoço é dobrado, mas o resto do corpo continua a se mexer, provocando a fratura de uma ou mais vértebras. Estas, por sua vez, podem comprimir a medula espinhal, interromper as conexões nervosas do cérebro para os membros e acarretar a perda total ou parcial da sensibilidade e dos movimentos de braços e pernas. Tudo de maneira muito rápida”, conclui Lourimar.

O risco de uma ação mal pensada

Segundo o ortopedista, crianças e jovens de até 30 anos de idade fazem parte do grupo mais suscetível a esse tipo de trauma, e orienta: “O melhor é entrar na água andando para conhecer o local antes de mergulhar, e respeitar as placas de sinalização, se houver. Assim, reduz-se a probabilidade de ser surpreendido por pedras, banco de areia ou até mesmo por baixa profundidade”, afirma.

Além disso, com frequência o consumo de álcool ou de outras drogas está relacionado ao problema, que, ao longo do ano, ocupa a quarta posição no ranking das causas de lesão medular, subindo para a segunda na estação mais quente. “As pessoas perdem a capacidade de raciocínio sob o efeito desses agentes tóxicos”, comenta Lourimar Tolêdo.

De acordo com dados do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo (SP), seis em cada dez pessoas que sofrem esse trauma por bater a cabeça ao realizar um mergulho ficam paraplégicas ou tetraplégicas.

Seis dicas para se prevenir

– Conheça o local antes de mergulhar, para saber a profundidade e se há pedras, bancos de areia e outros perigos no fundo;

– Respeite as placas informativas;

– Evite brincadeiras com empurrões para dentro da água;

– Dê preferência às águas cuja profundidade tenha, no mínimo, o dobro da sua altura;

– Proteja a cabeça mergulhando com os braços estendidos ou o faça de pé;

– Não ingira álcool ou outras drogas antes de nadar.

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