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Coluna Marcelo Moryan: Troféus: o tapete vermelho e o porrete. Quem leva?
Por Marcelo Moryan
Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 15:00
Atualizado em 18 de janeiro de 2026 às 15:00
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Domingo passado falei aqui sobre o supermercado que estende o tapete vermelho. Não o tecido aveludado, mas a atitude. Aquela sensação rara de que sua presença não é um estorvo.
Mas, ao sair desse oásis, caminho pela cidade e vejo vitrines adornadas com aqueles certificados dourados, emoldurados com a pompa de um tratado de paz internacional: “Melhor Atendimento 2024”, “Destaque Empresarial”, “A Preferida do Público”. É fascinante. Claro, existem prêmios sérios, fruto de suor e métrica real. Mas vivemos numa era em que a competência muitas vezes não se prova, se compra. Chega uma caravana na cidade, vende o diploma de “O Melhor” para quem pagar o jantar de gala, e pronto: temos uma noite de narcisismo corporativo em que todos aplaudem o próprio reflexo no espelho, enquanto o cliente — aquele detalhe irrelevante — fica do lado de fora.
O verdadeiro certificado, meus caros, não tem moldura dourada. Ele vem diretamente das mãos (e do coração) do consumidor.
Por isso, hoje proponho invertermos a lógica. Vamos instituir o Troféu do Consumidor Real. E ele só tem duas categorias: o Tapete Vermelho e o Porrete.
O Tapete Vermelho vocês já conhecem. É para aquela empresa que entendeu a fragilidade do ego humano. Veja bem: nós, consumidores, somos criaturas emocionalmente subornáveis. Um sorriso genuíno, um “bom dia” que não soe robótico e um cafezinho quente compram a nossa paciência. Atrasou trinta minutos? Se houver boa vontade e gentileza, esperamos mil anos com a mansidão de um monge tibetano. O tapete vermelho é a arte de fazer o outro se sentir visto.
Do outro lado, temos o Troféu do Porrete.
Calma. Não é um convite à violência física, mas à violência simbólica da indiferença. O Porrete vai para aquele estabelecimento em que você entra e se transforma numa alma penada. Você é invisível. O atendente está num transe hipnótico com a tela do celular, rindo de um meme, e quando finalmente nota sua existência, te lança aquele olhar de enfado, um deboche silencioso que diz: “Como ousa interromper minha rolagem de feed para me dar dinheiro?”
O Porrete é para a farmácia que fecha a porta na sua cara trinta segundos após o horário, com a frieza de um carcereiro. É para o restaurante “premiado” em que a pressa do garçom faz você se sentir culpado por mastigar. Nesses lugares, nem a eficiência técnica salva. Pode ser o melhor produto do mundo; se vier acompanhado de cara feia, a experiência é um golpe seco na dignidade.
O mercado está cheio de empresas com diplomas na parede e clientes invisíveis no balcão. Elas pagam para serem chamadas de “Excelência”, mas entregam desprezo.
Então, vamos brincar de jurados da vida real. Esqueçam os certificados comprados. Eu quero saber de vocês: Para quem vai o seu Tapete Vermelho? Quem te fez sentir gente?
E mais: Quem merece o seu Porrete? Qual foi o lugar que te tratou com a relevância de um poste, em que você entrou cliente e saiu fantasma?
A caixa de comentários está aberta. Que comece a premiação que o dinheiro não pode comprar!
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As informações e/ou opiniões contidas neste artigo são de cunho pessoal e de responsabilidade do autor; além disso, não refletem, necessariamente, os posicionamentos do folhaonline.es
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