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Ocupação em obra paralisada na antiga rodoviária de Guarapari preocupa moradores
Prefeitura informa que acompanha o caso e busca retomar projetos
Por Natiele Ribeiro dos Santos
Publicado em 15 de abril de 2026 às 16:05
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Um cenário de abandono na região de Muquiçaba tem chamado a atenção de moradores. A área da antiga rodoviária de Guarapari, destinada à construção da Unidade de Saúde Arnaldo Magalhães e do Mercado do Produtor Rural, apresenta sinais de deterioração nas estruturas e está atualmente sendo ocupada por pessoas em situação de rua. A situação, que já havia sido denunciada há um ano pela nossa reportagem, se agravou e alterou a rotina e a sensação de segurança na região. A prefeitura afirma que acompanha o caso por meio de abordagens sociais e trabalha para retomar os projetos.
Um morador do local há mais de 20 anos, que preferiu não se identificar, afirma que a presença de pessoas em situação de rua não é recente, mas se agravou ao longo do tempo. “Desde a época do prédio antigo da rodoviária já tinha gente morando por ali. Isso não é de hoje. Só que, de uns anos para cá, aumentou muito. A cidade em si encheu de morador de rua a um ponto preocupante”, relatou.

Ele lembra que, no início das obras previstas para o local, a situação parecia controlada devido à movimentação de trabalhadores. “Quando a obra parou e tudo ficou largado a Deus dará, virou essa vergonha que está hoje”, afirmou.
A mudança no cenário impactou diretamente a sensação de segurança na região. Segundo o morador, atividades simples do dia a dia passaram a ser evitadas.
“Antes, você ainda conseguia ficar por aqui à noite. Eu ia com meus amigos para um bar aqui perto quase toda sexta e voltava tarde. Hoje não dá. Tem muitas pessoas em situação de rua, e não sabemos em que condições elas estão, se estão sob efeito de drogas, se podem fazer alguma maldade. Nem durante o dia a gente se sente seguro direito, quanto mais à noite”, disse.

Apesar do receio, ele ressalta que não houve ocorrências diretas com sua família, mas a preocupação permanece.
“Com a gente, graças a Deus, nunca aconteceu nada. Mas a gente vê as coisas acontecendo em volta, ouve falar, vê briga, roubo. Isso assusta, principalmente porque eu passo o dia fora e minha mãe fica sozinha em casa”, contou.

O morador também contou que antes da paralisação das obras, as pessoas permaneciam na Praça Filomeno Pereira Ribeiro, que também enfrenta sinais de degradação.
Posicionamento da prefeitura
Em nota, a Prefeitura informou que os projetos da Unidade de Saúde Arnaldo Magalhães e do Mercado do Produtor Rural foram herdados da gestão anterior já paralisados. Segundo o município, a atual administração trabalha na atualização dos projetos e na captação de recursos junto aos governos estadual e federal.

De acordo com a prefeitura, a unidade de saúde está sendo tratada em diálogo com o Governo do Estado, enquanto o mercado do produtor rural está em articulação com o Governo Federal. A expectativa é que, nos próximos meses, os convênios sejam concluídos, permitindo o avanço das obras.


Sobre a ocupação do espaço, o município afirmou que a situação é acompanhada pela Secretaria Municipal de Trabalho, Assistência e Cidadania (Semtac), que realiza abordagens sociais contínuas no local. Ainda segundo a nota, o trabalho busca oferecer acolhimento, encaminhamento para serviços socioassistenciais e acesso a benefícios, com foco na reinserção social. A prefeitura destaca que as ações priorizam o atendimento humanizado e a redução da reincidência da situação de rua.
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