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Pastor Raphael Abdalla
Coluna Raphael Abdalla

Pastor Raphael Abdalla escreve para o folhaonline.es aos domingos passando mensagens de fé e esperança aos leitores.

Coluna Raphael Abdalla

“Eu deveria ter esperado”

Por Redação Folhaonline.es
Eu deveria ter esperado
Foto: reprodução/Magnific

Quase sempre percebemos a precipitação tarde demais. A palavra já foi dita, a mensagem foi enviada e a decisão foi tomada. Depois, quando a emoção perde força, surge aquela pergunta incômoda: por que eu não esperei um pouco? Em muitos casos, uma noite de descanso ou uma conversa serena teria mudado tudo.

A Bíblia diz: “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado” (Provérbios 19:2). Gosto da objetividade desse provérbio. Refletir antes de agir é sinal de maturidade. A pressa se torna perigosa quando já não conseguimos considerar as consequências daquilo que estamos prestes a fazer. Queremos apenas resolver o desconforto daquele momento.

Saul é um exemplo muito humano disso. Samuel havia determinado que ele esperasse, mas os dias passaram, o povo começou a se dispersar e os filisteus estavam cada vez mais próximos. Saul ficou inquieto e ofereceu o sacrifício. Logo depois, Samuel chegou. Ao explicar sua atitude, o rei afirmou que havia sido “forçado pelas circunstâncias” (1 Samuel 13:12).

Talvez essa seja uma das justificativas mais usadas para os nossos erros. Dizemos que não havia outra saída, que a pressão era grande ou que alguma providência precisava ser tomada. Saul realmente estava pressionado. Ainda assim, continuava responsável pela maneira como reagiria. Naquela aflição, resolveu com as próprias mãos o que deveria atravessar em obediência.

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A precipitação também alcança a nossa maneira de falar. Eclesiastes aconselha: “Não te precipites com a tua boca” (Eclesiastes 5:2). O celular tornou esse cuidado ainda mais necessário. Uma irritação de poucos minutos pode produzir uma mensagem que ficará registrada por muito tempo. A pessoa escreve, envia e começa a se arrepender antes mesmo de receber uma resposta.

Tiago orienta que cada pessoa seja “pronta para ouvir, tardia para falar, tardia para se irar” (Tiago 1:19). Ouvir exige paciência, especialmente quando estamos contrariados. Às vezes, formamos uma opinião depois de conhecer somente uma parte da história. Reagimos ao tom de uma frase, interpretamos intenções e tratamos nossa impressão como se fosse certeza. Quando os fatos aparecem, o estrago já foi feito.

A experiência pastoral me ensinou a ter cuidado com decisões tomadas no auge da dor. Quem está ferido costuma querer resolver a vida no mesmo dia. Depois de uma discussão, pensa em romper definitivamente. Diante de uma decepção, decide abandonar tudo. Muitas vezes, essa pessoa precisa primeiro respirar, ser ouvida e voltar ao assunto com o coração um pouco mais quieto. O dia seguinte não resolve todos os problemas, porém costuma nos ajudar a enxergá-los melhor.

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Também me chama a atenção a maneira como Jesus lidava com a urgência. Quando recebeu a notícia de que Lázaro estava enfermo, permaneceu ainda dois dias no lugar onde se encontrava (João 11:6). Todos esperavam uma partida imediata. Jesus conhecia a aflição daquela família e sabia exatamente o que faria. A ansiedade dos outros não alterou o seu tempo.

Talvez você esteja diante de uma decisão importante. Se a raiva, o medo ou a ansiedade estiverem falando muito alto, espere um pouco. Leve o assunto a Deus, descanse e converse com alguém sensato. Algumas situações ficarão mais claras depois que o coração se aquietar.

Muitos arrependimentos começam com a frase: “Eu deveria ter esperado”. A prudência pode fazer com que precisemos dizê-la menos vezes.

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