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Após perder o filho, mãe organiza ato para acolher pessoas com depressão em Guarapari

Por Sara de Oliveira

Publicado em 27 de setembro de 2019 às 19:05
Atualizado em 27 de setembro de 2019 às 19:05
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Maria Aparecida Rocha está promovendo um grito em favor da vida nesse domingo (29) no Morro da Pescaria.

Maria Aparecida Rocha está mobilizando o Grito pela Vida, que acontecerá no próximo domingo. Foto: Folha Online.

A dor se tornou combustível para uma mãe de Guarapari. Após perder o filho Felipe, de 10 anos, vítima de suicídio, Maria Aparecida Rocha está organizando um ato no próximo domingo (29), com o objetivo de acolher pessoas que estão passando por depressão e promover a conscientização sobre a doença. O “Grito pela Vida”, como foi denominado, acontecerá às 14h no Morro da Pescaria.

Na tarde desta sexta-feira (27), a fotógrafa se reuniu com profissionais da saúde, da educação e de diversas áreas para organizar a ação de domingo. “O objetivo é alcançar e mostrar para a sociedade que há muitas pessoas que estão clamando por socorro e estão passando por depressão, sendo levadas ao suicídio. O que a gente quer fazer a sociedade entender é que a depressão é uma doença e não está relacionada a problemas religiosos ou frescuras”, declarou.

De acordo com Cida, a ação também tem a proposta de acolhimento às pessoas que estão passando pelo problema. “É uma forma de apoio. Porque essas pessoas precisam saber que não estão sozinhas, que serão acolhidas, serão abraçadas e que estamos do lado delas”, afirmou.

Uma reunião foi realizada na tarde desta sexta-feira para tratar sobre o ato e trocar informações sobre o assunto. Foto: Roberta Bourguignon.

O ato vai contar com a presença de funcionários e alunos das duas escolas que Felipe estudou. Os participantes podem ir com camisas brancas ou amarelas, além de levar balões com as mesmas cores. “Eu passei por uma situação que não desejo que ninguém passe, e quero dizer que quem está passando por isso não está sozinho. É um luto que já virou luta”, enfatizou.

Mobilização

Após ter a vida completamente mudada, Cida decidiu se engajar em discussões sobre a depressão, com o objetivo de ajudar pessoas que estão passando pela doença, além de conscientizar a população sobre o impacto do problema. Através das redes sociais, a fotógrafa que também estuda psicanálise, tenta formar uma rede de apoio. “Resolvi mostrar à sociedade que a depressão é uma doença que precisa de cuidados, precisa de tratamento e tem cura”, destacou.

Entre os vídeos gravados diariamente, a orientação é principalmente voltada para os pais, incentivando a importância da atenção à rotina das crianças. “O que eu passo para as mães é que elas nunca desacreditem que seu filho pode estar passando por algum problema. Se ele te disser que está sentindo falta de você, tente entender o que ele está precisando”, observou.

De acordo com Cida, o assunto ainda é um tabu e faltam políticas públicas voltadas para o problema. “Não foi apenas o meu filho que morreu em Guarapari vítima de suicídio, mas foi apenas o Felipe que ganhou voz. Por se tratar ainda de um assunto que as pessoas não têm compreensão, toda vez que acontece um caso, o pano é passado por cima do assunto”, salientou.

Para ela, um das barreiras para a discussão sobre a depressão é o pré-julgamento. “Existem pais no meu instagram que tem medo de falar que tem o filho depressivo em casa, por medo de ser pré-julgado, sendo que é um problema de saúde. Não é um problema de escolha. Nenhum pai quer dar depressão para um filho”, enfatizou.

Diante do luto, Cida encontrou um novo propósito. “O meu objetivo de vida agora é gritar pelo o que meu filho não gritou, pelo o que ele não conseguiu gritar por estar doente, agora quem grita por ele sou eu”, concluiu.

É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização do FolhaOnline.es.

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