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Caixas de som nas praias da Enseada Azul: uma mistura de diversão e incômodo entre turistas

Por Redação Folhaonline.es

Publicado em 15 de janeiro de 2018 às 09:44
Atualizado em 15 de janeiro de 2018 às 18:21

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por Larissa Castro

O barulho do mar das praias de Bacutia e Peracanga, na Enseada Azul, ultimamente tem disputado espaço com as mais variadas caixas portáteis de som, que tocam do funk ao sertanejo, em diversas barracas espalhadas pela extensão de areia mais desejada do verão capixaba. Para muitos grupos de amigos, essa diversidade musical em um dia de praia faz parte do lazer, para outros, o barulho excessivo se torna incômodo a partir do momento que o volume é expandido a ponto de atingir a área escolhida para descanso do vizinho. E com opiniões divididas, em apenas 15 dias do mês de janeiro, 10 ocorrências na região da Enseada Azul foram registradas perante o Disque  Silêncio de Guarapari.

Durante o trabalho do folhaonline.es, este foi o maior modelo visto na Praia de Bacutia.

A cada passo dado na Praia de Bacutia, ao menos um guarda-sol possui a caixinha de som portátil pendurada ou apoiada sobre a mesa. Quando a música escolhida fica presente apenas naquela roda de pessoas, agrada a todos os banhistas, mas o que tem gerado revolta é que os tamanhos das caixas aumentaram cerca de três vezes mais, e junto a elas, os seus alto-falantes superpotentes. “Nada contra a caixinha civilizada, eu adoro ouvir músicas. O problema está no exagero e nos DJs da praia. De uns tempos para cá, virou moda e os tamanhos possuem capacidade para sonorizar uma festa, o que impossibilita outros banhistas de terem uma boa conversa a beira mar”, desabafa o advogado que mora na região, Hugo Gaspar.

Hugo conta ainda que por ser um observador da natureza, pode notar a expansão dos objetos sonoros este verão em sua praia favorita do município. “As caixas ficam uma ao lado da outra e com músicas diferentes. Isso é pior do que o carro, que foi proibido de transitar com som alto nas ruas recentemente”, completa.

Apesar de muitos relatarem o incomodo, haver leis que proíbam a prática de som alto, o turista que passa apenas alguns dias na Cidade Saúde, conta que não vê problema em curtir a temporada com os amigos, da forma que eles desejam. Como é o caso do goianiense Caio Afonso, que anualmente passa as férias em Guarapari. “Eu e meus amigos ficamos apenas 15 dias aqui. Então não vejo problema em colocar um som com músicas variadas durante esses dias. O morador que se sente incomodado tem o ano todo para aproveitar as belezas daqui. Nós não”, relata ao som da música ‘Quatro e Quinze’, da cantora Marília Mendonça.

Entre prós e contras à diversidade musical em alto volume pelas praias, em algumas situações, quem não leva o aparelho, se diz contente com aqueles que o possui, como conta a lojista de São Mateus, Marcela Freitas. “Para mim o dia fica mais descontraído e entro na onda daqueles que estão ao meu lado. Não vejo problema. Eu só não trago, porque não tenho”.

Juliano Nunes, Maurício Conde e Fernando Kogika, contam que as músicas que eles costumam colocar, possuem qualidade e todos gostam.

Mas e em casos de insatisfação com o estilo musical transmitido em um ambiente público? Quem deve se retirar ou se policiar?! “No último final de semana, eu presenciei um senhor que chegou cedo à praia, e em seguida, uma garotada com o som alto. Ele dentro do direito de não querer ouvir a música do outro, pediu para abaixar o som e foi criticado. Isso intimida muitas pessoas que se incomodam. Isso não é turismo, é falta de ordenamento. As pessoas evitam o conflito, mas fazem cara feia e preferem ir embora do que pedirem o silêncio”, enfatiza o advogado Hugo Gaspar.

Os turistas de Vitória, Denize Botan, Fabiana Gomes e Caio Valença contam que nunca foram pedidos para abaixarem o volume do som.

O artigo 42 da Lei de Contravenções Penais prevê prisão simples de até três meses ou multa, que vai de R$200 a R$2 mil reais para quem perturbar o sossego, “com gritaria e algazarra” ou “abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos”.

Procurada para saber em que situação a prefeitura se posiciona e quais são as atitudes tomadas, por meio de nota, a Secretaria de Comunicação respondeu:

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura (Semag) informa que somente nesses primeiros 12 dias de janeiro, foram realizados 10 registro no Disque-Silêncio do município somente na região da Enseada Azul. Ressalta ainda que o município possui a Lei nº2272/03, proibindo o uso de carros de som no município e som alto de qualquer espécie em qualquer região da cidade. Contudo, só é permitido eventos em propriedades particulares desde que dentro dos níveis de decibéis permitidos e com a prévia autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Guarapari, conforme Art. 12 da Lei Municipal nº2272/2003. Lembrando que para utilização de propaganda sonora é necessário que o veículo seja devidamente licenciado.

O serviço do disque silêncio encontra-se operante dentro dos horários de funcionamento do serviço, através do número Disque Silêncio: (27) 3362-9423 (de segunda a sexta de 8h às 18h)   (27) 99905-6397 (de terça à domingo de 18h às 02h). Após os horários disponibilizados pela Prefeitura, o cidadão poderá acionar policiamento através do 190, por “Perturbação da Ordem Pública”.

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