Anúncio

Todos os sábados, às 15h, o folhaonline.es apresenta um artigo de Direito assinado por um advogado, em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil Jovem de Guarapari. Semanalmente, temas e leis variados são abordados para esclarecer dúvidas jurídicas.

Coluna Entenda Direito: Pejotização: o que o STF vai decidir e por que isso importa?

Por Redação Folhaonline.es

Publicado em 31 de maio de 2025 às 15:00
Atualizado em 31 de maio de 2025 às 15:00

Anúncio

*por Juliana Miranda de Barros, OAB/ES 36.151

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
imagem coluna direito
Imagem: reprodução

Pejotização é o nome dado ao fenômeno pelo qual uma empresa contrata uma pessoa jurídica, normalmente criada pelo próprio trabalhador, com o objetivo de prestar serviços. Essa prática pode ocorrer de duas formas distintas: de maneira lícita, quando há efetiva autonomia entre as partes, ausência de subordinação jurídica, liberdade na organização da atividade e assunção dos riscos pelo prestador; e de forma fraudulenta, quando, apesar da formalização por meio de pessoa jurídica, estão presentes os elementos caracterizadores do vínculo empregatício — pessoalidade, habitualidade, onerosidade e subordinação.

Embora seja muitas vezes vista como vantajosa, a pejotização tem gerado polêmica na Justiça, especialmente quando se identifica que há, na prática, uma relação de emprego disfarçada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É justamente esse debate que chegou agora ao STF. Em abril, o ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão nacional de todos os processos que discutem a validade da contratação por PJ ou como trabalhador autônomo, até que o STF julgue a questão.

O STF vai decidir se esse tipo de contratação é válida, em quais situações ela pode ocorrer, quem deve julgar essas causas (a Justiça do Trabalho ou a Justiça Comum) e quem tem o dever de provar se houve ou não fraude, empregado ou empregador.

Autônomos, prestadores de serviço, microempreendedores e até profissionais liberais devem estar atentos, porque a decisão do Supremo vai influenciar diretamente a forma como as relações de trabalho são organizadas no Brasil.

Uma coisa é certa: pejotizar exige cautela. Se a sua intenção é contar com alguém que esteja disponível em horários fixos, siga ordens diretas, esteja sujeito à sua supervisão constante e atue de forma subordinada dentro da estrutura da empresa, então o mais adequado — e juridicamente seguro — é fazer uma contratação com registro em carteira, pela CLT.

Agora, se a prestação for flexível, com liberdade de horários, autonomia técnica e apenas diretrizes gerais sobre o resultado, a contratação por PJ pode ser adequada. Essa prática é comum em áreas como tecnologia, saúde e consultorias técnicas.

Como advogada atuante na área trabalhista, acompanho de perto essas transformações. E posso afirmar: estamos diante de uma das discussões mais relevantes dos últimos tempos. Não se trata apenas de um debate entre “ser CLT” ou “ser PJ” — mas de definir os limites entre liberdade contratual e proteção social no mundo do trabalho.

Juliana Miranda de Barros
Juliana Miranda de Barros, OAB/ES 36.151, advogada trabalhista atuante nos Tribunais Superiores. Presidente da Comissão de Direito do Trabalho da 4º Subseção OAB/ES.
Instagram: @julianabarros.adv

Mais de Aline Rodrigues

Imagem para artigo

Coluna Entenda Direito: Como resolver conflitos sem ação judicial?

Fotio tema (1)

Coluna Entenda Direito: Transporte aéreo e o Direito do Consumidor: como proceder diante de overbooking, atraso ou cancelamento

Gospes Virtuais- Imagem do Artigo

Coluna Entenda Direito: Golpes virtuais: como a lei protege você?

IMG_018capa3

Coluna Entenda Direito: O preço de não planejar a aposentadoria

As informações e/ou opiniões contidas neste artigo são de cunho pessoal e de responsabilidade do autor; além disso, não refletem, necessariamente, os posicionamentos do folhaonline.es

Anúncio

Anúncio

Veja também

WhatsApp Image 2026-01-30 aut 12.36.49

Coluna Marcelo Moryan: “Eu morri. Eles viajaram”: a última entrevista de Orelha

Avatar-Abdalla-

Coluna Palavra de Fé: As dores passam

Anúncio

Anúncio

26.01.2026 - Rede Abraço passa a oferecer atendimento especializado para dependência em apostas on-line e jogos digitais

ES cria programa de apoio voltado ao vício em jogos e apostas on-line

Rede Abraço amplia atuação e passa a acolher pessoas com compulsão por jogos digitais e apostas esportivas

ifes 2026 alunos

Guarapari amplia Passaporte Ifes e dobra número de vagas

Programa passa a contar com dois polos, inclui novas disciplinas e atenderá 120 estudantes da rede municipal

Anúncio

WhatsApp Image 2026-01-23 at 10.40.25 (2)

Arte nos muros: escola de Guarapari promove reflexão sobre equidade e identidade capixaba

Muralismo foi idealizada pela equipe gestora da escola Dr. Silva Melo, com a atuação do artista Vinícius Graffit

Palavra Colada Vila Velha

Frases de escritoras de Vila Velha se tornarão intervenções urbanas

Selecionadas serão impressas em cartazes para serem colados em locais culturais do município

Anúncio