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Coluna Marcelo Moryan: O gabinete de vidro: e se você fosse o prefeito?
Por Marcelo Moryan
Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 15:00
Atualizado em 22 de fevereiro de 2026 às 15:00
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“A cidade é a tentativa mais bem-sucedida do homem de refazer o mundo em que vive segundo o desejo de seu coração.” — Robert E. Park
O problema, claro, é que o coração muda de ideia quando a conta chega.
Diz-se que, de longe, todo cidadão é um mestre do urbanismo e um gênio das finanças públicas. É natural — e não há nenhum demérito nisso. Quem vive a cidade sente o calo apertar e sabe, com uma clareza que nenhum relatório técnico reproduz, onde o problema dói de verdade.
Mas você já parou para pensar no que aconteceria se a caneta passasse para a sua mão?
Certa vez, estive pessoalmente com a gestão anterior para questionar a reforma de uma ciclovia. Ela estava com pequenos defeitos — coisas mínimas e com material duradouro. Sugeri que aquele recurso fosse aplicado onde a carência era real. O administrador, munido de documentos e justificativas técnicas sobre “custos de manutenção futura”, seguiu em frente. O resultado todos conhecem: o que era bom foi trocado pelo pior, e o dinheiro público seguiu um caminho que a lógica do morador simplesmente não aprovava.
Esse episódio me deixou com uma pergunta que não sai da cabeça: por que decisões que parecem absurdas para quem usa a rua fazem tanto sentido para quem assina o cheque?
Para entender esse mistério — e ele é um mistério genuíno —, proponho um exercício. Não de imaginação fácil, aquela que se pratica confortavelmente nas redes sociais. Um exercício de responsabilidade real.
Imagine que nas últimas eleições, foi você quem ganhou. O palanque ficou para trás. Agora você está sentado diante de uma montanha de processos, prazos e um orçamento que tem mais compartimentos do que um armário suíço.
O Nó da Verba Carimbada: você vê o posto de saúde precisando de reforma urgente, mas o dinheiro disponível em caixa só pode ser usado em “Inovação Tecnológica”. Se desviar um centavo para a obra necessária, seu CPF entra na mira do Tribunal de Contas. Como você explica isso para quem está há horas na fila do atendimento?
O Relógio da Burocracia: você quer resolver o problema hoje. Mas para comprar o material, precisa de três orçamentos, um edital juridicamente blindado e uma empresa que não desapareça no segundo pagamento. A urgência do povo raramente cabe na velocidade da lei — e a lei, diga-se, foi criada exatamente para proteger o povo.
A Tentação da Obra Nova: manter o que já existe não rende fotografia bonita, não tem placa de inauguração, não tem discurso. O maior desafio de qualquer gestor é resistir à tentação de deixar sua marca — geralmente sobre algo que já funcionava bem, como aquela ciclovia.
E Agora? O Desafio Está Lançado.
Chega de teoria. Se você fosse o eleito — com todos os entraves burocráticos e orçamentos engessados que descrevi acima —, o que você faria?
O microfone está aberto:
- Qual seria sua prioridade número um — aquela que todo mundo aponta no bar, mas ninguém toca no gabinete?
- Você teria estômago para manter o que funciona, mesmo sabendo que ninguém vai te dar crédito por isso?
- Como lidaria com o dinheiro na mão e as mãos atadas pela lei?
Escreva nos comentários. Queremos saber se o seu plano de governo sobrevive ao primeiro contato com a realidade do gabinete.
Guarapari está ouvindo. E aí — qual é a sua jogada?
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As informações e/ou opiniões contidas neste artigo são de cunho pessoal e de responsabilidade do autor; além disso, não refletem, necessariamente, os posicionamentos do folhaonline.es
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