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Conheça Erika Paiva e saiba mais sobre o que seus desenhos representam para ela e sua família

Os desenhos de Erika, em colaboração com o primo cartunista, vão ilustrar apostilas educativas e a pequena artista já tem expor os trabalhos

Por Gislan Vitalino

Publicado em 21 de março de 2021 às 12:00
Atualizado em 22 de março de 2021 às 14:00

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Fotos: acervo pessoal/ reprodução

O dia 21 de março celebra, anualmente, o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data fazendo alusão a alteração do cromossomo 21 do código genético, que recebe um terceiro par (21/3) característico das pessoas com Síndrome de Down.

A referência foi criada em 2006 pela Síndrome de Down Internacional (Down Syndrome International) e seu reconhecimento oficial pela ONU foi proposto pelo governo brasileiro e aceita no mesmo ano. Desde então, o Dia marca a promoção da sensibilização e da informação da sociedade para os direitos, o bem-estar e a inclusão desses cidadãos.

Em homenagem a data, o FolhaOnline.es apresenta hoje a Erika Paiva, que cumpre bem o papel de nos fazer pensar e se atentar para a inclusão e para os direitos da pessoa com síndrome de down. Além de portadora de síndrome de down, ela também possui transtorno do espectro autista, cujos sintomas incluem dificuldades severas de comunicação e interação social.

Desde muito nova, ela sempre gostou de desenhar e pedia material de desenho para a mãe, a Gisele Paiva. “Sempre que a gente perguntava o que ela queria ganhar de presente, ela pedia material escolar. Mas esse material era papel A4 e caneta”. A surpresa veio, no entanto, quando a Érika passou a pedir por materiais mais específicos. “No começo era qualquer caneta, mas depois, com o tempo, a gente foi entendendo que ela foi especificando, pedindo uma caneta mais porosa, por exemplo”, explicou Gisele.

Durante a pandemia, Gisele mandou alguns dos desenhos para o primo de Erika, que é cartunista. “Foi por uma brincadeira, ela desenhou um gatinho que ela tinha adotado, trago para casa e ela ficou muito feliz com isso. Ela fez e assinou, o que eu achei o máximo. Por isso tirei uma foto e mandei para o Daniel ele se interessou e pediu para ver mais desenhos”, contou a Gisele.

O Daniel Paiva é artista e, há anos trabalha com ilustrações, cartuns e caricaturas. Pela experiência, ele foi o primeiro a notar traços importantes nos desenhos de Erika.  “Eu percebi que tinha algo diferente ali. Quando a gente observa que ela é uma criança com síndrome de Down e autismo, a imaginação que eu tinha era que os desenhos seriam mais aleatórios ou desconexos. Mas os desenhos dela eram extremamente coordenados, sólidos, com um traço firme e com a coordenação motora muito boa”, explicou o cartunista.

Ele contou que os traços dos desenhos da Erika superaram e muito a sua expectativa. “Por vezes o desenho dela parece uma bagunça, mas quando a gente olha de longe a gente percebe um caos organizado. O desenho dela tem harmonia. Muita harmonia!”, contou.

Para mostrar o desenho para mais pessoas que poderiam não entender a condição dos desenhos, Daniel optou por colori-los. Gisele explicou que a relação que surgiu entre os dois partir da colaboração para os desenhos deixou a filha muito feliz e a mãe surpresa e maravilhada. “A coisa mais difícil para uma criança artista é a comunicação. O autista tem dificuldade em se comunicar, estabelecer relação com as pessoas. E a Érika começou a desenhar e falar quais desenhos eram para o Daniel e ficou muito feliz com os resultados”, explicou a mãe emocionada. Ela diz que Erika também passou a dar nomes para os trabalhos, para que mais pessoas vejam, estabelecendo também um desejo de comunicação.

Publicação em apostilas educacionais

Além delas, mais pessoas se encantaram com o desenho de Erika. “Eu colori os desenhos e comecei a mostrar para diversas pessoas e entre essas pessoas, uma amiga minha que trabalha com apostilas de educação. E ela se interessou na hora pelo desenho e pediu a autorização para usar nas atividades”, relatou Daniel. Gisele conta que algumas das pessoas inclusive perceberam que as técnicas usadas por Erika se assemelham às usadas por Kandinski e Joan Miró.

Nas atividades, os desenhos em preto e branco e coloridos serão usados como modelos e outras crianças com síndrome de Down que podem identificar que a autora também tem síndrome de Down e serão convidados a reproduzir os desenhos a partir da própria percepção. “O objetivo é mostrar que nessa diferença de percepção de mundo, todas as pessoas podem produzir arte e o interessante é que a arte faça com que esses mundos interajam, que as pessoas se expressem e sejam felizes”, narrou o cartunista.

Redes sociais e exposição “Essas Mulheres”

Reunindo fotos pessoais, histórias e imagens dos desenhos da Érika com a colaboração com o primo cartunista, a família montou o perfil @MundoDaKinha no Instagram. “Lá a gente está contando um pouco a história dela e estamos colocando os desenhos lá, para mais pessoas verem e entenderem o trabalho dela”, contou Daniel.

Segundo Gisele, o perfil tem o objetivo de dar voz ao anseio da filha de se comunicar, além de mostrar para outras pessoas, inclusive pais de crianças com síndrome de down e autismo. “A ideia é que a gente possa enxergar o que tem por trás da simplicidade do que produzem os filhos da gente, essa expressão, essa forma de se comunicar através da arte, da música e da dança. Seja como for!”, explicou.

A Erika também já foi convidada para expor os trabalhos na Exposição Essas Mulheres organizada pela Fundação Aperam, em Timóteo, Minas Gerais.

Apae – Guarapari

A coordenadora-geral da Apae Guarapari explicou que o acompanhamento da família é muito importante no processo de terapia e desenvolvimento da criança com síndrome de down. “Nós temos sempre acompanhado e estimulado as atividades juntamente com a família e com as mães, já que, para a pessoa com deficiência, são como coterapeutas. A gente orienta a família e ela segue essa terapia com a criança”, explicou Abigail.

Ela também conta que apostar nas habilidades e hobbies da pessoa com síndrome de down é essencial para alcançar bons resultados no tratamento. “Quando a família ou os educadores descobrem uma habilidade e essa habilidade é reforçada, com condições de investir nisso, é só sucesso! Eles ficam muito envolvidos nessa tarefa e ficam cada vez mais estimulados a evoluir”, esclareceu a coordenadora.

Imagem: divulgação

Amanhã (22), a Gisele Paiva participa de uma transmissão ao vivo organizada pela Apae Guarapari, no Instagram. Com o tema “O Protagonismo da Pessoa com Síndrome de Down”, a live acontece às 19h30, no perfil da coordenadora @Abigail.Brito92.

É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização do FolhaOnline.es.

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