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Depois de morar em imóvel da colônia de pescadores, presidente quer vender para melhorar a sede no Centro

Por Glenda Machado

Publicado em 12 de maio de 2016 às 23:51
Atualizado em 12 de maio de 2016 às 23:51

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MAIS de 100 pescadores estiveram presentes.

Depois de protestos e muita confusão, os pescadores decidiram em assembleia realizada na tarde de hoje que a presidente da colônia vai continuar morando no imóvel da entidade em Meaípe. De um lado, questionam a legalidade de se usar um patrimônio público para interesses particulares. Do outro, alegam que a medida visa cortar gastos da colônia e preservar um bem da categoria.

“Já fizemos duas reuniões, uma em Meaípe e outra na nossa sede no Centro, para prestar esclarecimentos do por que estou morando na casa. Não aceitaram, fizeram protestos na porta da casa, na Câmara, então no dia 28 de abril convoquei uma assembleia geral para hoje para que os pescadores filiados à colônia pudessem votar, porque já tenho o aval da diretoria”, explica a presidente da Colônia dos Pescadores Z3, Marcilene Carneiro Chagas, a Pretinha.

De acordo com ela, estaria morando no imóvel da colônia desde o dia 17 de fevereiro deste ano. “Eu moro em Marataízes, a colônia só tem dinheiro em época de defeso, fora isso não recebo, tenho que trabalhar de forma voluntária. Para diminuir os gastos, vim morar aqui que estava abandonado, os outros invadindo. Então murei, mas não mexi em nada lá dentro”, disse Pretinha.

Ainda conta que ficou surpresa ao ver que as contas de luz, água e IPTU estavam em nome da Associação dos Moradores de Meaípe. “O imóvel é da colônia e como ficou decidido aqui, vou continuar morando lá até regularizar tudo para que a gente possa vender com a autorização dos pescadores e investir na nossa sede com espaço para dentista, médico, uma estrutura boa, porque a situação dos pescadores é precária. Estamos abandonados pela prefeitura”.

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CASA já foi utilizada pelas rendeiras de bilro, hoje está toda murada e fechada.

Mas não é o que contam representantes da Associação de Pescadores de Meaípe e da Associação de Moradores de Meaípe. “É uma atitude arbitrária e contraria o próprio estatuto da colônia. Essa ocupação é ilegal, usar um imóvel de utilidade pública para fins particulares. Os moradores não querem e nunca quiseram se apropriar da casa. Apenas entender assim como os pescadores da região”, destaca o morador de Meaípe, professor Marcus Ely Vailante.

Segundo ele, a associação recebeu uma ligação da presidente da colônia solicitando a retirada dos materiais das rendeiras de bilro – que utilizavam o espaço com projeto social de preservar a cultura no estado e até mesmo como fonte de renda para muitas famílias. “A gente estranhou e foi questionar. Como ela disse que iria morar com a autorização da diretoria, pedimos o estatuto da colônia para explicar aos pescadores. Mas nos negaram”, disse Marcus.

Agora, esse grupo de pescadores que reivindicam o direito de usufruir o imóvel para fins da atividade pesqueira vai pedir judicialmente a anulação da votação. “Ela teria que cumprir normas do estatuto como convocar com 15 dias de antecedência. Estivemos na sede da colônia e no mercado de peixe no dia 3 de maio e não tinha nenhum comunicado, foi anexado apenas no dia 6 de maio com data retroativa a 28 de abril. É um absurdo”.

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PESCADORES de Meaípe vão pedir a anulação da votação.

Jovelino da Silva, pescador desde 1986, saiu indignado da assembleia. “Não queremos tomar a casa, queremos usar para atividade da pesca, guardar nossos materiais. Isso está errado. O povo está aqui hoje aplaudindo sem saber do que se trata”. A casa, que fica a duas quadras da orla, foi adquirida mediante troca de um terreno da colônia na beira da praia de Meaípe em 1993.

“Permuta do qual os pescadores nem participaram. A Associação de Moradores sempre foi parceira da colônia, fazendo manutenção do imóvel, reformas, limpando. O antigo terreno foi uma doação de um morador da região na década de 60 para criar um espaço para os pescadores da região já que a sede era longe, no Centro. Os pescadores daqui vão reivindicar seus direitos”, finaliza Marcus.

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