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Ditadura nunca mais

Por Redação Folhaonline.es

Publicado em 5 de novembro de 2017 às 11:02
Atualizado em 5 de novembro de 2017 às 11:02

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Inicialmente, importante deixar claro que abomino todo e qualquer tipo de ditadura, seja de esquerda, de direita, civil, militar, teocrática, monárquica ou qualquer outra. Sou democrata convicto, e creio que apesar de existirem diversas falhas no regime democrático, ainda não foi criado outro sistema melhor.

Temos visto ultimamente vozes que se levantam pedindo o retorno dos militares. A meu ver, nada mais absurdo.

Quando do golpe de 1964, com a tomada do poder pelos militares, eu tinha nove anos de idade, sendo assim, tendo terminado o regime militar em 1985, vivi parte da minha infância, e toda minha adolescência e juventude sob o regime militar. Desta forma, sinto-me apto a dar minha opinião sobre aquela época.

Dizem os saudosistas, que durante os governos militares os brasileiros viviam bem, com mais saúde, com mais educação, como mais segurança, enfim, que vivíamos “anos dourados”.

Primeiramente, importante registrar que a premissa acima não é verdadeira, a exceção da questão relativa à segurança. Apesar de todas as falhas que temos na educação e na saúde, o sistema de hoje atende muito mais pessoas do que atendia naquela época. Prova disso é que tínhamos um alto índice de analfabetismo, bem como uma perspectiva de vida bem inferior a que temos hoje.

Com relação à questão de segurança, com certeza naquela época era bem melhor, mas não creio que possamos creditar aos governos militares tal questão. Na verdade, não havia naquela época o fenômeno do tráfico de drogas, principal responsável pela insegurança nos dias de hoje. Os governos militares não enfrentaram esta questão, não se podendo dizer, portanto, que teriam se saído melhor.

Mas uma situação é certa, vivemos naquela época tempos de mordaça, de falta de respeito aos direitos do cidadão, da impossibilidade de elegermos nosso presidente, de termos que engolir senadores biônicos e governadores indicados pelos militares, de termos nossos passos vigiados, uma imprensa amordaçada, proibição de qualquer tipo de discussão sobre política, fosse entre estudantes, trabalhadores, religiosos ou intelectuais, enfim um silêncio imposto, sob pena de prisão sumária, tortura e completo desrespeito com a dignidade humana; e não me venham dizer que eram contra comunistas, pois eram contra qualquer cidadão que não concordasse com o regime militar.

Vivemos esta situação, de mordaça, de ameaça, de imposição de ideias. Vivemos isto, e só quem viveu e não concordou com o regime militar, assim como eu, sentiu na pele o que significava estar proibido de expor suas ideais, de discordar do regime, de defender a democracia.

Obviamente, aqueles que concordavam com a ditadura, ou de alguma forma se aproveitavam dela a defendiam. Ora, nada melhor que manter os discordantes, sob ameaça de prisão e tortura, calados, marginalizados e oprimidos.

Os saudosistas ainda argumentam em defesa do retorno dos militares, a grave questão da corrupção que assola o país. Pois bem, primeiramente, no tempo do regime militar, ainda que houvesse corrupção, nada poderia se falar a respeito, e ai de quem levantasse tal questão, pois com certeza, como se dizia à época, “era coisa de subversivo”. Quando um órgão de imprensa levantava qualquer dúvida, imediatamente era reprimido e fechado. Afinal, ninguém podia falar contra o sistema. Portanto, não me venham afirmar que não havia corrupção, pois, se havia não se podia investigar.

Acho interessante, que no momento em que vivemos o maior enfrentamento à corrupção, seja pelo Judiciário, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pela sociedade organizada, pela imprensa livre e pelos cidadãos, venham alguns defender o retorno dos militares, o retorno a uma ditadura, onde as coisas são ocultas e ninguém pode investigar nada. Pura contradição.

O único caminho para melhorar a educação, a saúde, a segurança, enfim buscar o progresso social é a democracia, e não somente aqui, mas em todos os países desenvolvidos e civilizados.

Defender o retorno à ditadura militar é um retrocesso inominado, o mesmo que defender o fim das conquistas da civilização moderna, como a liberdade de expressão, os direitos individuais, o direito ao voto, a igualdade, e a liberdade de imprensa, enfim, um verdadeiro absurdo diante das perdas impostas por uma ditadura.

Interessante ainda observar, que aqueles que defendem o retorno da ditadura militar são os mesmos que condenam as ditaduras dos regimes de esquerda na Venezuela, em Cuba ou na Coreia do Norte, ou seja, a ditadura deles não presta, mas a que eles defendem seria legítima e salvadora. Mais uma incrível contradição.

Os jovens encantados com este “canto da sereia” até compreendo, pois não viveram a falta de liberdade, a opressão, a anulação da cidadania, mas apenas lhes peço que tentem se ver nesta situação, sem direito à expressão, à opinião, ao voto, à cidadania. Se conseguirem imaginar tal situação, com certeza perceberão o seu total absurdo.

Não me venham também falar de “intervenção provisória”. Esta foi a armadilha de 64, o que era para ser temporário durou mais de vinte anos, e só terminou com forte pressão e mobilização popular.

Creio que seja obrigação daqueles que defendem a democracia, a liberdade de pensar e se expressar, os direitos coletivos e individuais, a liberdade de imprensa e o direito ao voto, virem a público defender o estado democrático de direito, e clamar em alto e bom som: DITADURA NUNCA MAIS.

Por fim, aqueles que não concordarem com minha opinião, fiquem a vontade para discordar, pois felizmente estamos numa democracia.

Guarapari, ES, 15 de outubro de 2017

por Paulo Gomes, corretor de imóveis e advogado.

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