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Exclusivo: Gerente-geral de Ubu, Anchieta, fala sobre as ações para a retomada da Samarco

Por Redação Folhaonline.es

Publicado em 5 de março de 2020 às 13:24
Atualizado em 5 de março de 2020 às 13:29

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Quatro anos após a paralisação das atividades da Samarco, o Espírito Santo ainda sente o impacto socioeconômico e aguarda com otimismo a retomada das operações da empresa. Em entrevista ao jornal folhaonline.es/Folha da Cidade, o gerente-geral de Operações de Ubu, Sergio Mileipe, confirma a expectativa da empresa de retomar as operações até o final deste ano

Gerente-geral de Operações de Ubu, Sergio Mileipe. Foto: Washington Alves/Arquivo Samarco.

O rompimento da barragem de Fundão, no Complexo de Germano, ocorreu em 2015. A empresa está, portanto, com as operações paralisadas desde então em Minas Gerais e as usinas de pelotização paradas aqui no Espírito Santo. Nesse período, quais atividades foram mantidas na unidade de Ubu, no município de Anchieta?

Com as operações paralisadas, a Samarco precisou adequar sua estrutura de pessoas, que hoje é bem mais enxuta, com foco na manutenção dos equipamentos e na retomada de operações. A manutenção contínua é imprescindível para garantir a integridade e a conservação dos equipamentos, para que estejam aptos a operar quando a empresa reiniciar as atividades.

O que mudou nesses anos no Porto de Ubu, em Anchieta, desde o rompimento de Fundão?

Desde o rompimento, implementamos várias melhorias no Porto. Modernizamos o sistema de controle de acesso da área portuária e fizemos obras de melhorias na parte estrutural do píer para reforço e reparação de estruturas. As defensas, por exemplo, que funcionam como amortecedores para os navios que atracam no Porto foram todas trocadas, assim como as telas de proteção ambiental que complementam o cinturão verde.

A Samarco obteve a Licença Operacional Corretiva (LOC) e anunciou a previsão de retomada de operações para o segundo semestre de 2020. Essa previsão está mantida?

Sim, está mantida. No final de outubro de 2019, a Samarco obteve a Licença Operacional Corretiva e pretende retomar as atividades sem a utilização de barragem de rejeito e apenas após a implantação do sistema de filtragem para empilhamento a seco, cujas obras terão um prazo de, aproximadamente, 12 meses a contar da obtenção da LOC. Vamos voltar diferente. A empresa concluiu as obras na Cava Alegria Sul, uma estrutura rochosa e confinada, portanto mais segura, que será usada para receber 20% do rejeito gerado no processo de extração do minério no Complexo de Germano, que fica em Mariana e Ouro Preto (MG).

A maior parte do rejeito, que corresponde a 80%, será filtrada e empilhada a seco. Com a Cava Alegria Sul e as novas tecnologias, teremos mais segurança. Vamos voltar de forma gradual, inicialmente com 26% da capacidade produtiva, com o uso de um dos três concentradores e reativação gradual dos demais. Aqui, na planta do complexo industrial de Ubu, vamos utilizar a quarta usina de pelotização, por ser a de maior eficiência operacional.

Você citou o sistema de filtragem. Essa tecnologia que será implantada na unidade da Samarco em Minas Gerais é a mesma já adotada pela empresa no Espírito Santo?

Exatamente. Já adotamos essa tecnologia para separar o minério. O minério extraído no Complexo de Germano é transportado por meio de minerodutos com 400 quilômetros de extensão cada e chega a Ubu, em Anchieta (ES), em consistência de polpa, com o minério moído em partículas pequenas e misturado à água. Essa polpa é filtrada para separar o minério da água que, na sequência, passa pela usina de pelotização. O resultado é a pelota de minério de ferro, produto final da Samarco. As pelotas são utilizadas, principalmente, na alimentação dos reatores e alto-fornos em siderurgias para produção do aço usado na construção de pontes, aviões, casas, eletrônicos, utensílios, entre outros produtos.

Como o sistema de filtragem vai funcionar no Complexo de Germano?

A novidade, nesse caso, é que o rejeito arenoso, que corresponde a 80% do total gerado no processo de extração do minério de ferro, passará a ser filtrado e sairá desse processo com alta concentração de sólidos, o que possibilita o empilhamento a seco e a recirculação da água na operação. Ou seja, a maior parte do rejeito gerado pela empresa será empilhada a seco, um método de disposição muito mais seguro. E os 20% restantes serão depositados na Cava Alegria Sul. Por ser uma estrutura natural, rochosa e confinada, também trará mais segurança para a operação.

As obras na Cava Alegria Sul já foram concluídas?

Sim, foram concluídas no ano passado. Na primeira etapa, as obras executadas foram para a preparação do espaço, que tem capacidade para receber 9,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Na segunda etapa, foi realizada a montagem eletromecânica do sistema de bombeamento.

Foto: Arquivo/Folha.

A Samarco investe na melhoria executada no sistema de controle de efluentes hídricos de Ubu? Quais as medidas adotadas para o melhor descarte de efluentes para reduzir ao máximo o impacto no ecossistema?

A empresa ampliou o sistema de captação de efluentes industriais para evitar qualquer vertimento fora dos parâmetros legais. Hoje todo o efluente hídrico gerado na Unidade, até mesmo o proveniente de águas de chuvas, passa por um sistema de tratamento muito semelhante aos utilizados para produção de água para consumo humano. Só após uma rigorosa análise físico-química e biológica, que considera 40 parâmetros definidos pelos órgãos ambientais, este recurso hídrico é lançado na Barragem Norte para reutilização no processo produtivo ou devolvido à natureza através da lagoa de Maembá.

Por falar em segurança, as estruturas da empresa estão estáveis? São monitoradas?

Desde o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, a Samarco dedica extrema atenção às atividades de reforço das estruturas geotécnicas e ao monitoramento, que atendem a padrões internacionais de segurança.  As estruturas estão estáveis, possuem a Declaração de Condição de Estabilidade e são acompanhadas também por auditorias independentes. Fortalecemos, ainda, o Sistema de Monitoramento Integrado. Todas as estruturas, em Minas Gerais e no Espírito Santo, são monitoradas 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio do Centro de Monitoramento e Inspeção (CMI), local aperfeiçoado com base nos aprendizados obtidos. Hoje, esse monitoramento conta com mais de 840 equipamentos de última geração.

Assim que reiniciar a extração de minério em Minas Gerais, automaticamente a Samarco retoma as atividades no Espírito Santo?

Sim, lembrando que a empresa vai retomar suas operações de forma gradual nos dois estados, inicialmente com 26% de sua capacidade produtiva.

Até 2015, a Samarco gerava cerca de 3 mil empregos diretos e outros 3 mil indiretos em Minas Gerais e Espírito Santo. Quantos empregados a empresa possui atualmente no estado capixaba? Na retomada, haverá contratações?

Hoje, a empresa possui quase 1.300 empregados diretos, sendo cerca de 430 no Espírito Santo. Com a retomada, podemos ter geração de empregos, mas ainda não temos como precisar quando e quantas vagas podem ser criadas.

Gostaria de deixar uma mensagem para as comunidades dos municípios da nossa região que aguardam o retorno da empresa?

Sim. Queremos demonstrar para a sociedade que reconhecemos os impactos causados e temos compromisso com a reparação e a compensação dos danos que estão sendo conduzidos pela Fundação Renova. Precisamos seguir em frente e a nossa proposta é fazer diferente. Vamos retomar as operações com novas tecnologias que trarão mais segurança. A empresa sempre desempenhou um papel importante na economia mineira e, principalmente, na capixaba. Em 2015, ocupamos a 12ª posição entre as empresas que mais exportaram e a receita da Samarco equivalia a 6,4% do PIB do Espírito Santo e a 1,5% do PIB de Minas Gerais. Podemos e queremos contribuir novamente com as economias dos estados onde atuamos e com o país. Queremos, sobretudo, contribuir para uma mineração diferente.

 

 

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