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Mestre Dubú: morador de Perocão com uma vida no mar e uma paixão pela pintura

Por Redacão Folha Vitória

Publicado em 7 de abril de 2017 às 14:00

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Se alguém chegar na Aldeia de Perocão e perguntar pelo pescador José Luiz Ramos, provavelmente não conseguirá nenhuma informação. Mas se falar que está em busca de Mestre Dubú, prontamente vão te mostrar o caminho até a casa dele.

Com 64 anos de idade, Dubú pesca desde os oito e sua especialidade é a pesca da Sarda Cavala, abundante nas Ilhas Rasas, “mas só para quem saber pescar”, adianta Dubú.

Nascido e criado na aldeia de Perocão, Mestre Dubú já viu muito do mar e tem história para contar. “Sabe aquele elefante marinho que aparece na TV lá em Vila Velha? O Fred? Ele já nos visitou aqui em Perocão. Ficou dois dias no gramado de uma casa aqui perto e depois foi embora”. Já pescou com o então ministro Hélio Costa em um dia que ele recorda até hoje com um misto de orgulho e vergonha.

Dubú mostra com orgulho uma de suas pinturas, feita em um pedaço de madeira. Foto: João Thomazelli/Folha da Cidade

Dubú mostra com orgulho uma de suas pinturas, feita em um pedaço de madeira. Foto: João Thomazelli/Folha da Cidade

“Na época eu bebia muito e não estava nem ai para política. Tinha chegado do mar com uma sarda de uns vinte quilos e estava levando para um restaurante aqui em Perocão mesmo. Quando eu passei perto das peixarias, este senhor que estava com os dois filhos, me viu. Na volta ele me perguntou se eu tinha pescado aquela sarda. ‘Você me leva no local onde pescou ela?”.

Dubú conta que levou o distinto cavalheiro até o ponto de pesca, ficaram lá um tempo e pegaram uma Sarda Cavala de uns dez quilos e voltaram. “No retorno, um pouquinho antes de chegarmos em Perocão, ele me olhou e perguntou com um sorriso: o senhor não sabe mesmo quem eu sou? Eu falei que não. Ele estava com um estojo de charutos e me ofereceu. Peguei logo dois e então ele me falou que era o Ministro das Comunicações do Lula”, conta o velho pescador.

Além da paixão pelo mar, que já rendeu memoráveis histórias, outra paixão de Dubú é a pintura em tela. Ele conta que começou a pintar quando alguns professores da Ufes passeavam e o viram desenhando na areia da Praia do Boião.

“Eu tinha este costume de desenhar coisas do mar na areia da praia. Um dia eu estava lá desenhando na areia, que era um habito que eu tinha desde criança e eles pararam e perguntaram porque eu não pintava quadros. Falei que nem sabia como fazer isso e um deles me disse que ia me presentear com cavalete e tela para eu aprender”, relembra Dubú.

O velho pescador lamenta que as novas gerações não têm vontade de aprender sobre as tradições do bairro. Foto: João Thomazelli/Folha da Cidade

O velho pescador lamenta que as novas gerações não têm vontade de aprender sobre as tradições do bairro. Foto: João Thomazelli/Folha da Cidade

“Um tempo depois  eu nem lembrava mais disso. Estava no Bar do Jô (tradicional bar que funcionou durante décadas em Perocão ) e o cara que tinha me dito que ia trazer as telas para eu pintar apareceu. Ele chegou e falou: ‘Não falei que ia fazer o senhor pintar quadro’. Eu nem acreditei e a partir dali comecei a fazer minhas pinturas. Já fui parar até em São Paulo para apresentar meus quadros”, conta orgulhoso.

Dubú diz que muitas vezes não consegue pintar pois o material é caro e nem sempre o mar recompensa os pescadores. “As telas e as tintas são muito caras e às vezes não dá para comprar. Sempre que tem quadro eu consigo vender para alguns conhecidos, mas nem sempre posso comprar o material. Quando estou com muita vontade de pintar e não tem como comprar o material, eu saio procurando pedaços de madeira ou madeirites e pinto neles mesmo”, diz com certo receio.

Dos tempos antigos, Dubú lembra de uma coisa em especial. “As pessoas se respeitavam mais. Hoje os jovens não estão nem aí para nada. Não preservam a história do lugar onde vivem, não procuram saber das coisas… Vejo que Perocão está sendo esquecida e aos poucos os costumes e as pessoas mais antigas vão se perdendo. Adoro este lugar e o mar, mas tanto um quanto o outro estão sendo muito castigados pelo homem. Temos que  tentar evitar isso”, finaliza Mestre Dubú.

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