De acordo com o dicionário, algumas definições do gênero são: 1) Qualidade do que é terrível. 2) Perturbação grave, trazida por perigo imediato, real ou não; medo, pavor. 3) Causa de ansiedade ou preocupação. Com isso, é possível notar que esse estilo no entretenimento parte daquilo que causa essas sensações, pelo menos em grande parte das pessoas.
Há, porém, o terror nas obras solares, no silêncio das cenas comuns, sem músicas tensas e nem personagens sobrenaturais. Talvez daí surge o tipo de medo mais assustador. Aquele que vem de uma fala ácida proferida com um sorriso, da reprodução de momentos históricos violentos, do reflexo turvo do mundo presente e até de outras coisas disfarçadas de tradição.
As artes se alimentam desse aspecto para falar em tom crítico e dar voz a épocas que marcaram a humanidade. Eventualmente de forma gritante, aos berros do contexto, mas muitas vezes, nas entrelinhas da capacidade interpretativa. É aí que nascem obras dignas de atenção máxima. Filmes para serem discutidos nas rodas de conversa e livros para serem estudados desde o fundamental. O curioso é que, quem mais precisa desse conhecimento fantasiado de ficção, não o faz.
As sugestões de hoje são um compilado não explícito da categoria terror. Um convite para a avaliação do momento presente, misturado com a atmosfera horripilante que se aproxima, o Halloween (e, principalmente, o segundo turno das eleições). Não espere por roteiros leves, narrativas relaxantes ou personagens divertidos. Prepare o estômago, pois pode ser indigesto.
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No vale do incômodo
Parasita (2019) • Esse aclamado longa coreano mostra a difícil realidade de uma família que vive em apuros financeiros, mas encontra brechas diante da crueldade social para melhorar a vida. A trama conta, através de ironia e humor, como as injustiças sociais afetam diretamente as pessoas e como valores questionáveis são expostos quando o assunto é dinheiro.

FILME • Suspense, Comédia | Classificação indicativa: A16 | 132 minutos
Onde assistir: Netflix
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Her (2014) • Um escritor solitário se apaixona por um sistema operacional de computador. Romance incomum, lançado há mais de 10 anos, mas que abre questionamentos assustadores e pertinentes acerca dos impactos da inteligência artificial na vida humana.

FILME • Drama, Ficção Científica | Classificação indicativa: A14 | 126 minutos
Onde assistir: Aluguel individual no Youtube/outros
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Ainda Estou aqui (2024) • Premiado e mundialmente respeitado, este filme é necessário. Se você ainda não teve oportunidade assisti-lo, trata-se da história de Eunice Paiva e família durante a ditadura militar no Brasil. Baseado no livro de mesmo nome, ele é mergulho amargo numa época sombria, que é difícil de ser lembrada, mas não pode ser esquecida.

FILME • Drama, Biografia | Classificação indicativa: A14 | 137 minutos
Onde assistir: Globoplay
Longe de um conto de fadas
O Conto da Aia (2018-2025) • Pode-se dizer que esta distopia adaptada para a TV é uma das series mais brutais com essa temática. Um regime teocrático e conservador muda toda a estrutura da sociedade, se desenhando agressivamente e dizimando o que se conhece. A destruição dos direitos civis é somente a ponta do grande iceberg, que tem como um dos principais pontos, a mulher como posse do Estado. Ela também foi inspirada no livro de grande sucesso internacional.

SÉRIE • Drama, Ficção | Classificação indicativa: A18 | 6 temporadas – episódios de 45 a 60 minutos.
Onde assistir: Netflix
Prepare o desconforto
Fahrenheit 451 (2024) • Clássico distópico, já adaptado para o cinema e escrito em 1950, no momento delicado de censura dos EUA por Ray Bradbury (1920-2012). Ele possui esferas de interpretação diversas e causa reflexões desde a primeira publicação, ao contar a história de um bombeiro que ateia fogo em livros.

216 páginas
Onde encontrar: Amazon Prime para aquisição