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Pastor Raphael Abdalla
Coluna Raphael Abdalla

Pastor Raphael Abdalla escreve para o folhaonline.es aos domingos passando mensagens de fé e esperança aos leitores.

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O perigo das pequenas concessões

Por Redação Folhaonline.es
O perigo das pequenas concessoes Magnific
Foto: reprodução/Magnific

Quase ninguém decide arruinar a própria vida de uma vez. O funcionário honesto não acorda determinado a fraudar a empresa. O cônjuge fiel não planeja destruir sua família. Um líder respeitado não inicia o dia desejando perder a credibilidade que levou anos para construir. Quedas assim costumam começar com uma permissão concedida ao que, até então, a consciência recusava.

A concessão sempre apresenta bons argumentos em sua defesa. Será apenas desta vez. Ninguém ficará sabendo. O prejuízo é pequeno. Outras pessoas fazem coisas piores. A intenção continua sendo boa. Essas frases diminuem o peso da escolha e transformam uma decisão séria em algo aparentemente inofensivo. O maior risco talvez não esteja no tamanho do primeiro passo, e sim no precedente que ele estabelece. Depois que uma fronteira é atravessada, torna-se mais fácil atravessá-la novamente.

O livro de Cantares traz uma imagem curiosa: “Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor” (Cantares 2.15). O vinhedo florescia, havia vida e a expectativa de uma boa colheita. Mesmo assim, pequenas raposas podiam comprometer aquilo que estava sendo cultivado. Nem sempre o que ameaça uma construção valiosa chega com aparência assustadora. Algumas coisas entram sem provocar alarme e, justamente por isso, encontram pouca resistência.

As pequenas concessões aparecem em todas as áreas. Surgem quando alguém altera discretamente uma informação para parecer mais competente, apaga uma mensagem para evitar explicações, participa de uma conversa maldosa sob o pretexto de preocupação ou promete algo que já sabe que não cumprirá. Também estão no hábito de levar para casa uma irritação acumulada no trabalho, tratar com aspereza quem nos ama e usar o cansaço como autorização para ferir. Separadas, essas atitudes podem parecer menores. Repetidas, começam a definir uma pessoa.

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A consciência não costuma perder a voz de repente. Primeiro, deixamos de ouvi-la nos casos pequenos. Depois, aprendemos a argumentar contra ela. Por fim, aquilo que antes produzia incômodo passa a ser tratado como normal. Esse processo explica por que algumas pessoas se espantam ao perceber a distância entre quem se tornaram e quem um dia desejaram ser. Elas não chegaram ali por meio de uma única decisão, mas por uma sequência de permissões.

Sansão é um exemplo conhecido. Sua história não se resume ao momento em que revelou a Dalila o segredo de sua força. Muito antes disso, ele já brincava com limites, aproximava-se repetidamente do perigo e confiava que poderia sair ileso mais uma vez. Quando chegou a grande derrota, sua força já vinha sendo desperdiçada em escolhas menores. A queda pública apenas revelou um desgaste que estava em curso havia tempo.

É importante distinguir integridade de rigidez. Pessoas maduras sabem ceder em gostos, métodos e preferências. Uma família, uma igreja, uma empresa e qualquer convivência saudável exigem negociação. O problema começa quando tratamos princípios como se fossem meras preferências. Quem nunca cede em questões secundárias torna a convivência insuportável. Quem cede em seus valores perde, pouco a pouco, o respeito por si mesmo.

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Jesus afirmou: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito” (Lucas 16.10). A fidelidade no pouco não recebe aplausos e raramente será notícia. Ela aparece no troco devolvido, na informação apresentada por inteiro, na conversa interrompida antes de virar difamação, no compromisso honrado quando seria fácil inventar uma desculpa. O caráter se fortalece nessas escolhas comuns.

Por isso, não convém esperar uma grande crise para corrigir uma pequena desordem. Uma concessão precisa ser chamada pelo nome enquanto ainda parece pequena. Em certos casos, será necessário pedir perdão, reparar um prejuízo, encerrar uma relação imprópria ou procurar alguém maduro a quem prestar contas. Adiar essa decisão permite que o hábito crie raízes.

O futuro de uma pessoa também é protegido pelas recusas que ninguém presencia. Há decisões que parecem mínimas no dia em que são tomadas, mas preservam um casamento, uma vocação, uma reputação e a paz de consciência. A melhor hora para proteger o vinhedo é quando as raposinhas ainda parecem inofensivas.

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