Antes de ocupar a bancada de um dos programas jornalísticos mais conhecidos da televisão brasileira, Vinícius Rangel foi apenas um menino sentado na sala da casa da avó, observando atentamente aquilo que aparecia na televisão.
Enquanto muitas crianças esperavam pelos programas de entretenimento, eram os telejornais que mais despertavam sua curiosidade. Vinícius se interessava pela maneira como uma reportagem conseguia explicar um problema, mobilizar uma comunidade e, em alguns casos, transformar a vida de alguém.
Talvez ele ainda não soubesse, mas o sonho já estava começando ali.
Anos depois, aquele menino de Guarapari se tornaria jornalista e apresentador do Brasil Urgente Espírito Santo, na Band. Entre uma cena e outra, porém, existe uma história que a televisão não mostra por completo.
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Uma história feita de ônibus, ruas, renúncias, medo, recomeços e oportunidades bem aproveitadas.
O jornalismo começou na rua
Vinícius iniciou a graduação em Jornalismo na Universidade Vila Velha, em 2011. Ainda no começo do curso, procurou uma amiga porque queria uma oportunidade de aprender a profissão na prática.
Foi assim que conheceu o jornalista Wilcler Lopes e recebeu o convite para integrar a equipe do Portal 27, em Guarapari.
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“Meu começo foi literalmente na rua”, recorda.
Ao lado da jornalista Roberta Bourguignon, passou a acompanhar acidentes, crimes, acontecimentos cotidianos e histórias que afetavam diretamente a população.
A estrutura era simples. Muitas vezes, Vinícius pegava um ônibus, chegava ao local da ocorrência, entrevistava as pessoas, registrava as informações, escrevia a matéria e retornava para a redação.
Antes das grandes emissoras, dos estúdios e das entradas ao vivo, houve o transporte coletivo, o trabalho diário e a disposição para estar onde a notícia acontecia.
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Foi naquela fase que ele aprendeu uma das lições mais importantes da profissão:
“Credibilidade não se conquista quando as pessoas sabem o seu nome. Credibilidade se conquista quando elas confiam em você no pior dia da vida delas.”
Com o tempo, novas portas se abriram. Vinícius participou da Residência em Jornalismo da Rede Gazeta e passou a atuar como correspondente do jornal A Tribuna em Guarapari, Anchieta e Piúma. Também se tornou correspondente de O Estado de S. Paulo, levando acontecimentos da região para o cenário nacional.
Quem acompanhou o começo
A trajetória de Vinícius não é reconhecida apenas pelos lugares por onde passou, mas também pelas pessoas que acompanharam de perto seus primeiros passos.
Rosimara Marinho foi uma delas. Ao decidir seguir um novo caminho profissional, foi ela quem indicou Vinícius para assumir a correspondência de A Tribuna. Ao olhar para a trajetória construída por ele, ainda reconhece a mesma intensidade que enxergava no jovem jornalista:
“Vinícius é daqueles jornalistas que não fazem uma matéria mais ou menos. Ele tem sede de fazer uma reportagem de capa, de abrir o jornal. E, por isso, vai atrás da notícia com riqueza de detalhes. Lembro de quando cobríamos polícia juntos e eu dizia que ele tinha ‘sangue nos olhos’ para conseguir a notícia em primeira mão. Faz jornalismo com o gosto de quem quer ver a notícia transformando a vida das pessoas que precisam de ajuda. Eu o conheci ainda novinho, como chamamos um foca no jornalismo. Agora, ele tem uma linda trajetória pelas terras capixabas. Começou em Guarapari e percorreu o Brasil. É um orgulho da terra.”
Roberta Bourguignon, que dividiu com ele muitas das primeiras coberturas nas ruas de Guarapari, enxerga sua história como resultado de uma escolha contínua por não desistir:

“Vinícius Rangel é uma das pessoas que mais me inspiram. Sua história nunca foi sobre sorte, foi sobre fé, coragem, renúncias e uma determinação que sempre me encantou. Ele saiu de casa, recomeçou quantas vezes foi preciso e nunca perdeu de vista o sonho de apresentar um grande jornal. Hoje, vê-lo realizando esse sonho é a prova de que quem acredita e persiste chega exatamente onde o coração sempre quis estar.”
Wilcler Lopes, responsável por uma das primeiras oportunidades profissionais de Vinícius, destaca a obstinação que já podia ser percebida no início da carreira:
“Vinícius é um profissional obstinado e extremamente talentoso. Poucas vezes vi alguém demonstrar tanto amor e dedicação à profissão. Seu sucesso é resultado de muito trabalho, competência e comprometimento. Hoje, posso afirmar com certeza: ele se consolidou como um dos melhores jornalistas do Espírito Santo, construindo uma trajetória marcada pela excelência e pelo respeito à informação.”
Os depoimentos ajudam a compreender que nada aconteceu de uma hora para outra.
Cada oportunidade foi consequência do trabalho realizado na oportunidade anterior.
Era preciso sair para crescer
A trajetória de Vinícius não ficou limitada ao Espírito Santo. Ele trabalhou em Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo.
Conheceu outras realidades, ampliou sua visão sobre o Brasil e enfrentou o desafio de recomeçar longe de casa.
Um dos momentos decisivos aconteceu quando recebeu o convite para trabalhar no SBT, em São Paulo.
Começou na madrugada. Em menos de um mês, foi transferido para o jornal da tarde e, pouco depois, passou a integrar a equipe do SBT Brasil, principal telejornal da emissora naquele momento.
Mais tarde, também trabalhou na equipe investigativa do Primeiro Impacto, produzindo reportagens especiais de repercussão nacional.
Uma delas denunciou médicos do SAMU de São Paulo que registravam o ponto e abandonavam os plantões. A reportagem teve grande repercussão e alcançou um dos maiores picos de audiência do programa.
Mas o crescimento profissional teve um preço que pouca gente conseguia enxergar.
“A televisão mostra o resultado. Quase ninguém vê o caminho.”
Vinícius abriu mão de aniversários, datas especiais, momentos com a família, amizades, relacionamentos e do conforto de permanecer perto de casa.
O medo também esteve presente.
Medo de sair. Medo de começar novamente. Medo das grandes coberturas. Medo de trocar a segurança de uma carreira nacional por um novo desafio no Espírito Santo.
Foi durante esse processo que ele compreendeu algo que ultrapassa o jornalismo:
“Coragem não é a ausência do medo. Coragem é decidir que o sonho vale mais do que ele.”
Voltar também pode ser uma forma de avançar
Depois de percorrer diferentes estados e viver experiências em uma das maiores emissoras do país, Vinícius recebeu o convite de Alexandre Gabriel e Janine Jordaim para retornar ao Espírito Santo e assumir a apresentação do Brasil Urgente ES.
Era uma decisão importante.
De um lado, estava a carreira construída no jornalismo nacional. Do outro, a oportunidade de voltar para perto de casa e colocar tudo o que havia aprendido a serviço da população capixaba.
Vinícius decidiu voltar.
“Eu nunca saí do Espírito Santo porque queria ir embora. Eu saí porque precisava crescer.”
A frase ajuda a explicar toda a sua trajetória.
Às vezes, precisamos nos afastar para ampliar o olhar. Precisamos conhecer outros lugares para compreender o valor da nossa origem. Precisamos deixar a segurança para descobrir do que somos capazes.
Vinícius voltou diferente, mas sem esquecer quem era.
Voltou trazendo a experiência das ruas de Guarapari, das redações locais, das coberturas nacionais, das investigações e dos muitos recomeços enfrentados pelo caminho.
Hoje, à frente do Brasil Urgente Espírito Santo, ele reconhece que mereceu a posição que conquistou. Não como sinal de arrogância, mas como reconhecimento dos anos de trabalho que vieram antes dela.
Ele sabe de onde veio. E sempre soube onde queria chegar.
Os pequenos começos não são pequenos
A história de Vinícius Rangel não inspira apenas aqueles que desejam trabalhar na televisão.
Ela fala com qualquer pessoa que esteja começando, enfrentando dificuldades ou acreditando que as grandes oportunidades estão reservadas para quem nasceu nos grandes centros.
Vinícius começou pegando ônibus para cobrir acontecimentos nas ruas de Guarapari.
Hoje, entra diariamente na casa de milhares de pessoas pela televisão.
Entre esses dois momentos existiram muitos “nãos”, dúvidas, lágrimas e decisões difíceis. Mas também existiram preparação, disciplina, estudo, gratidão e a coragem de continuar.
“Nunca despreze os pequenos começos. Eles costumam ser silenciosos, mas quase sempre são eles que constroem as grandes histórias.”
O menino que assistia aos telejornais ao lado da avó tornou-se o jornalista que agora conta as histórias de outras famílias.
E talvez a maior lição de sua caminhada esteja justamente nisso: nossa origem ajuda a explicar quem somos, mas não determina até onde podemos chegar.