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Pastor Raphael Abdalla
Coluna Raphael Abdalla

Pastor Raphael Abdalla escreve para o folhaonline.es aos domingos passando mensagens de fé e esperança aos leitores.

Coluna Raphael Abdalla

Quando ninguém acredita em ninguém

Por Redação Folhaonline.es
Quando ninguem acredita em ninguem Magnific
Foto: reprodução/Magnific

Basta alguém dizer “pode deixar comigo” para surgir a pergunta: “Tem certeza?”. A reação parece pequena, mas revela um desgaste profundo. Estamos perdendo a confiança na palavra, nos acordos, nas instituições e até nas pessoas próximas. A sinceridade, quando aparece, precisa provar que é sincera.

A confiança é um patrimônio invisível. Uma cidade funciona porque o paciente confia no médico, o consumidor espera receber aquilo que comprou e duas pessoas consideram valioso o compromisso que assumiram. Quando esse patrimônio se desfaz, tudo fica mais caro e cansativo. Multiplicam-se contratos, câmeras, senhas e protocolos. Onde a palavra perde valor, a burocracia tenta ocupar o seu lugar.

Parte dessa defesa é compreensível. Golpes se tornaram frequentes, informações falsas circulam com aparência de verdade e algumas pessoas mudam de discurso conforme a conveniência. Depois de sucessivas decepções, a suspeita parece prudência. O perigo surge quando todo desconhecido vira ameaça e toda bondade parece esconder uma estratégia. A desconfiança permanente nos rouba a capacidade de receber o bem sem procurar uma armadilha.

Confiança madura caminha com discernimento, observa atitudes e estabelece limites. Também recusa a ideia de que todos sejam culpados até prova em contrário. Quem enxerga segundas intenções em cada gesto termina aprisionado pelas próprias suspeitas. Investiga conversas, interpreta silêncios e constrói histórias sem evidência. Assim, amizades adoecem e famílias se distanciam.

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Reconstruir a confiança exige menos discursos e mais coerência. Começa com atitudes simples: chegar no horário, devolver o que foi emprestado, admitir um erro, guardar uma confidência, pagar o que se deve e cumprir uma promessa mesmo quando ninguém cobraria. Instituições recuperam credibilidade pela transparência. Pessoas, pela constância. A confiança cresce devagar porque precisa atravessar o teste do tempo.

Talvez a pergunta mais urgente não seja “em quem ainda posso confiar?”, e sim: “a minha palavra merece confiança?”. É fácil lamentar a desonestidade do mundo e ignorar as pequenas incoerências que toleramos em nós. Uma sociedade desconfiada começa a mudar quando alguém decide ser confiável. Poucas coisas são tão valiosas quanto encontrar uma pessoa cujo “sim” ainda significa sim.

Jesus resumiu esse compromisso de forma direta: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não” (Mateus 5.37). Talvez a pergunta mais urgente não seja “em quem ainda posso confiar?”, e sim: “a minha palavra merece confiança?”. Uma sociedade desconfiada começa a mudar quando alguém decide ser confiável. Poucas coisas são tão valiosas quanto encontrar uma pessoa cuja vida confirme o que os seus lábios dizem.

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