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“Sei o que é sentir fome e não ter o que comer”, diz voluntária na doação de sopa em Guarapari

Aspásia é faxineira e apesar dos poucos recursos já usou do próprio dinheiro para comprar os ingredientes para a produção da sopa

Por Aline Couto

Publicado em 24 de maio de 2021 às 17:06

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“Sei o que é sentir fome e não ter o que comer”, diz voluntária na doação de sopa em Guarapari
Aspásia, Eloá e Divaldina na produção da sopa no último final de semana. Fotos: Folha Online.

Uma vez por semana Aspásia Carvalho Leito e Costa, 67 anos, se encontra com Eloá Fernandes dos Prazeres, 60 anos e as duas se direcionam para a casa de Dona Divaldina Pinto Amorim, 77 anos, no bairro Lameirão, para que o trio produza junto uma grande quantidade de sopa que é distribuída para cerca de 50 famílias, com aproximadamente cinco pessoas cada, do bairro e localidades do entorno.

Aspásia contou que apesar de não ter muito, sempre aprendeu a dividir com os outros e ajuda porque conhece o que é passar por necessidade. “Eu sei o que é uma mãe passar necessidade com os filhos em casa e não ter o que comer. Meu pai e minha mãe já ficaram doentes com nove filhos dentro de casa e não tinha o que comer. Mesmo assim a gente sempre dividiu o pouco que tinha com os outros”.

Segundo ela, a primeira preocupação do grupo é dar a satisfação da comida dentro de casa. “Às vezes é um prato de sopa que ajuda. Semana passada terminamos a produção da sopa por volta das 2h da manhã e ligamos para uma pessoa que sempre ajudamos para avisar. Ele comemorou porque não tinha nada para comer e mandou um pote grande, foi o almoço dela e dos seis filhos no dia seguinte. Isso é muito gratificante”.

Apesar dos poucos recursos que o trabalho de faxineira lhe proporciona, Aspásia sempre foi envolvida em doações. “Comecei fazer a sopa por conta própria e tirava o dinheiro do meu bolso. Depois começaram as doações”.

Grupo

A sopa é produzida nos finais de semana na casa de Dona Divaldina. “Moro há 40 anos no Lameirão e tenho satisfação em ajudar. Emprestar a casa e minha ajuda faz eu me sentir uma pessoa melhor. Gosto de ajudar, mesmo cansada e cheia de dor, me sinto bem quando posso servir uma pessoa. Me traz uma paz”.

Já Eloá entrou para o trio após se voluntariar em um grupo espírita. “Morava em Cataguases, Minas Gerais, e lá já ajudava com distribuição de sopa. Quando vim para Guarapari eu bati na porta do Grupo Espírita Alan Kardec, em Olaria, e me voluntariei. Aí conheci Aspásia que me contou da sopa no Lameirão. Eu deixo meu lazer do fim de semana e vou. É maravilhoso, sinto o prazer do dever cumprido. Apesar de bastante cansativo, dá muita satisfação. Eu deito na cama e durmo com a consciência tranquila”.

“Sei o que é sentir fome e não ter o que comer”, diz voluntária na doação de sopa em Guarapari

Lameirão

A distribuição da sopa inicialmente acontecia em Meaípe, em um núcleo espírita do bairro. Como a necessidade do fechamento por conta da pandemia, o Lameirão foi o novo local escolhido para a ajuda. “A sopa é feita de amor, da vontade de mudar a mim mesma e ser mais humana. Quando eu vejo uma mãe pegar a sopa com aquele olhar gostoso de gratidão, eu me sinto um pouco mais tranquila”, descreve Aspásia.

Ela também aproveitou para deixar um recado e um pedido. “Poderia ter mais solidariedade, para produzirmos mais vezes a sopa. Infelizmente as pessoas não tem essa facilidade de disponibilizarem um tempo para voluntariar. Sair de casa, pegar ônibus, carregar peso. Moro na Praia do Morro e já trouxe os ingredientes de bicicleta, as vezes ainda faço. Seria maravilhoso se tivéssemos mais voluntários, assim ajudaríamos bem mais famílias”.

Ajuda

Cerca 50 famílias recebem a sopa que é dividida para 4 a 5 pessoas em cada casa. Além da sopa, atualmente, 33 famílias do Lameirão estão cadastradas para receberem as cestas básicas arrecadadas pelos Casa de Apoio Amigos do Bem. Outras doações, como roupas e móveis, também são repassadas a essas famílias.

Quem quiser colaborar, pode ajudar como voluntário na confecção da sopa ou doando legumes, carne, roupas, vasilhas, fogão, guarda roupa, o que puder. “É uma área bem precária e eles necessitam de muito”, finaliza Aspásia.

Mais informações: (27) 99874-4925 – Aspásia.

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