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“Unidade de saúde não tem pediatra, só clínico geral”

Por Glenda Machado

Publicado em 17 de maio de 2016 às 18:09
Atualizado em 17 de maio de 2016 às 18:17

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160 atendimentos por dia. Essa é a média registrada nos meses de março e de abril no Hospital Francisco de Assis (HFA). Mas 90% desses casos são sensíveis à atenção básica de saúde do município segundo a instituição, que é filantrópica e conta com convênio estadual e municipal para a manutenção dos serviços de urgência e emergência para crianças de até 12 anos pelo SUS. Com isso, a superlotação tem gerado diversas reclamações na demora do atendimento.

HFA lotação março (2)

HFA tem registrado 160 atendimentos pediátricos por dia.

Para entender o que tem levado os pais a procurarem o hospital ao invés das unidades de saúde, a nossa equipe de reportagem percorreu alguns postos. “A unidade de saúde do bairro não tem pediatra, só tem clínico geral. Somente alguns casos que ele encaminha para o pediatra do posto de Muquiçaba”, conta a babá Aliandra Fernandes, que mora no Adalberto Simão Nader.

Em visita à Unidade de Saúde Jader de Avelar Boghi, que cobre Lagoa Funda e Tartaruga além do Adalberto Simão Nader, uma funcionária informou que o agente de saúde passa mensalmente nas residências marcando as consultas com o clínico geral da unidade. Mas de acordo com a moradora não é bem assim que funciona.

“Toda sexta-feira é dia de marcação. Eu pertenço a microárea 5, que são 70 famílias. Mas só disponibilizam cinco fichas para a minha área. Então, a gente tem que chegar bem cedo, antes mesmo das 5h, para conseguir marcar para a próxima semana”, afirma Aliandra. Mas como ela tem uma filha de 2 anos, confessa que às vezes prefere ir direto para o HFA.

“Se minha filha estiver com febre ou fazendo vômito eu não vou esperar. Eu vou ao hospital, porque lá ela vai ser atendida por pediatra. Às vezes demora. Mas quando é grave e recebemos fita laranja ou vermelha, atendem mais rápido”, disse Aliandra.

Na Unidade Bela Vista, a situação é ainda pior. O posto conta com duas equipes, uma para atender Bela Vista, Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora da Conceição, e outra para São José, São Gabriel e Maxinda. Só que uma das equipes está sem médico há um mês. Questionada se o médico da outra equipe poderia nos atender, respondeu que não.

Fomos então à Unidade de Saúde Dr. Arnaldo Magalhães Neto em Muquiçaba. Eram dois atendentes, enquanto um funcionário fornecia informações, a outra continuou tricotando. Disse que são dois pediatras. Enquanto uma médica teria vaga só mês que vem (junho), o outro ainda teria horário disponível para este mês (maio). Mas que o dia certo de marcação é no final do mês. Agora, em maio, seria dia 25.

Roberto CAlmon

FILA em dia de marcação de consulta. (Foto: arquivo)

Na Unidade de Saúde Dr. Roberto Calmon no Centro também conta com dois pediatras. Aqui, o sistema de agendamento é diferente. A funcionária orientou chegar o mais cedo possível antes das 7h – horário que abre o posto – para que eu conseguisse pegar ficha de atendimento, o que também não garantiria a consulta para o próximo dia, pois a agenda já tem revisões pré-agendadas.

 

Prefeitura diz que disponibiliza cinco pediatras na rede

Guarapari conta com 29 unidades de saúde que funciona de segunda a sexta das 7h às 16h. A Prefeitura informou que disponibiliza cinco pediatras distribuídos no Centro Municipal de Saúde, Dr. Roberto Calmon e Dr. Arnaldo Magalhães.

“A Portaria n.º 2.488/2011 define como integrante da equipe de unidade de saúde, o médico generalista ou médico da família que está habilitado e possui capacidade técnica para prestar atendimento a todas as faixas etárias”, disse em nota.

Ainda explicou que “o protocolo prevê a obrigatoriedade dos médicos realizarem 16 consultas por turno, cuja carga horária varia entre 20 e 40 horas semanais. Alguns pediatras são referência para pacientes crônicos, o que demanda mais tempo de consulta, reduzindo o número de atendimentos de intercorrências, retornos e agendamentos”.

Também informou que o município tem convênio com o HFA, que funciona na retaguarda da atenção básica. “O ideal é que as pessoas façam o acompanhamento médico nas unidades de saúde. E nos casos de emergência ou urgência, procurem o HFA”.

 

HFA busca parceria com Secretaria de Saúde

O HFA está trabalhando em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Sema) para que os territórios sanitários sejam contemplados com unidades de saúde capazes de atender a demanda pediátrica da atenção básica, realizando assim o serviço de promoção e prevenção de saúde da população e evitando que haja encaminhamentos desnecessários aos serviços de urgência e emergência do HFA.

 

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