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Variante inglesa do coronavírus provoca aumento acelerado de novos casos no ES

Em coletiva para a imprensa, o diretor do Laboratório Central do Estado informou que a cepa britânica foi identificada em Barra de São Francisco

Por Redacão Folha Vitória

Publicado em 22 de março de 2021 às 15:48
Atualizado em 23 de março de 2021 às 15:31

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Foto: Divulgação/Sesa.

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, atualizou informações sobre o enfrentamento à Covid-19 no Espírito Santo em uma coletiva para a imprensa nesta tarde (22). Ele estava acompanhado de Rodrigo Rodrigues, diretor do Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen/ES). Está confirmada a presença da variante inglesa, a B117, no Estado. “Existe uma amostra oriunda do Espírito Santo que trata de uma amostra de B117 positiva. Essa amostra foi colhida em Barra de São Francisco. Ela foi sequenciada pelo grupo da UFMG, e foi confirmada como uma variante do Reino Unido”, afirmou Rodrigues. 

Atualmente, no Brasil, há registro das variantes P1 (descoberta em Manaus), B 1351 (vinda da África do Sul) e B 117 (do Reino Unido). Essas variantes causam preocupação pois tem capacidade de infecção e de transmissão maior que a linha original do causador da Covid-19.

Confira o que falou o diretor do Lacen, Rodrigo Rodrigues:

Investigação

“Hoje trazemos o resultado de uma investigação conduzida no Lacen, que identificou no início de março variantes contendo a mutação da Covid-19 da variante. Esse slide mostra o perfil da pandemia desde março do ano passado até essa semana, mostrando que o Espírito Santo experimentou três momentos de crescimento. Como parte da nossa rotina de análise, nós sempre fazemos um relatório que coloca a taxa de casos positivos frente a taxa de casos negativos encontrados por dia no Estado, isso permite que possamos traçar um perfil de positividade desde o início da pandemia. Nesse gráfico, apresentamos quatro recortes do início de fevereiro até semana passada. O perfil da pandemia no Estado, como apresentado no gráfico, mostrou três momentos de alta durante o período que percorreu de março de 2020 a março de 2021. Sobrepomos uma linha de tendência sobre o gráfico”.

Velocidade de transmissão

“A velocidade de transmissão atual é a maior desde o início da pandemia no Estado. Vários fatores podem ter causado isso: interação, baixo uso de máscaras, surgimento de novas variantes, entre outros. Novas variantes surgem diariamente. Dentre aquelas que conhecemos, existem três, chamadas de variantes de preocupação: a B117, que se originou no Reino Unido, a B1351 e a P1. Desde o início de março, as principais linhagens que ocorriam no Brasil eram distribuídas de forma homogênea, mas a partir de setembro, houve o descobrimento de duas novas variantes. A variante P2 predominou a transmissão da doença em vários estados, inclusive no Espírito Santo. A P1 tem sido encontrada em alguns Estados da nação. Em estudo da Fiocruz, foi capaz de detectar a mutação comum em duas das variantes de preocupação”.

Estudo de Minas Gerais

“Em um estudo conduzido recentemente por um grupo mineiro, foram encontradas pelo menos amostras de 10 Estados onde a linhagem B117 foi detectada. Isso provocou cadeiras contínuas de transmissões desde o início de dezembro de 2020. Consequências desta propagação ainda permanecem desconhecidas. A variante B117 surgiu na Grã-Bretanha, apresenta uma taxa de infecciosidade mais elevada do que as outras variantes; esse aumento é de 43 a 90%. Ela é encontrada em vários países do mundo, e nos Estados Unidos ela ocupa uma posição de destaque. Em meados de abril, ela já deve ser a cepa predominante naquele país. Um detalhe importante é que nos EUA o número de infectados por essa cepa, dobra a cada 10 dias”. 

Alta carga viral nas amostras

“Detecção de SGTF é mais barata, que é o RT-PCR. É uma técnica ágil, tem baixo custo e o resultado é em tempo real. O sequenciamento genômico tem custo alto, é uma técnica demorada e o uso em tempo real é inviável. Passamos a investigar a ocorrência de amostras com essas características em todas as amostras processadas no Lacen. Todas as amostras SGTF positivas apresentam um valor que indica que a carga viral nessas amostras é significativamente mais elevada do que nas amostras consideradas padrão. Isso tem uma implicação importante de que o paciente SGTF tem carga viral maior, ou seja, pode infectar mais pessoas”. 

Barra de São Francisco

“65 dos 78 municípios são positivos com a presença da SGTF. Um fator importante é: por que a Grande Vitória não aparece como epicentro? Porque essas amostras que testamos no Lacen. As amostras da Grande Vitória têm sido direcionadas para laboratórios privados. A faixa de idade até 30 anos concentrou um aumento dos casos SGTF em relação a outros casos de variantes encontrados. Existe uma amostra oriunda do Espírito Santo que trata de uma amostra de B117 positiva. Essa amostra foi colhida em Barra de São Francisco. Ela foi sequenciada pelo grupo da UFMG, e foi confirmada como uma variante do Reino Unido”.

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