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Ele está de volta e na tela do Brasil Urgente ES

Vinícius Rangel, jornalista de Guarapari, é o entrevistado da edição 66 da revista Sou

Por Carolina Brasil
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Vinícius Rangel, jornalista premiado e natural de Guarapari. Fotos: divulgação

Conversamos com o jornalista Vinícius Rangel, natural de Guarapari e com raízes fortes no município. Formado pela UVV e pós-graduado em Ciências Penais e Segurança Pública, e também em Comunicação e Marketing, Vinícius foi repórter, editor de texto e produtor em afiliadas da TV Globo e do SBT em vários estados desse nosso Brasil. Mas, como “o bom filho a casa torna”, em julho deste ano, ele assumiu o comando do Brasil Urgente ES, na TV Tribuna/Band. A bagagem acumulada, a nova fase e o jornalismo que corre nas veias desse profissional premiado, foram os principais temas dessa conversa. Confira!

Revista Sou: Você é jovem, apenas 33 anos, e muito experiente profissionalmente. Como você equacionou essa conta?

Vinícius Rangel: Eu costumo dizer que a idade nem sempre revela o tamanho da caminhada. Aos 33 anos, olho para trás e percebo que vivi muitas etapas intensamente. Comecei cedo, ainda muito jovem, e desde o início entendi que, se quisesse chegar aonde sonhava, precisaria abrir mão de muitas coisas. E, enquanto muitos amigos estavam aproveitando finais de semana e feriados, eu estava estudando, gravando reportagens, viajando ou esperando uma entrada ao vivo. O jornalismo me ensinou que nem sempre existe horário para trabalhar, mas também me mostrou que não existe recompensa sem dedicação. Saí de Guarapari para buscar oportunidades em outras cidades, enfrentei mudanças, recomeços e o desafio de provar meu trabalho em ambientes completamente diferentes. Passei por redações locais, depois regionais e cheguei ao jornalismo nacional. O Vinícius que em 2012 pegava uma van e seis ônibus para estudar e trabalhar, se orgulha demais da trajetória desse jovem que carrega oito prêmios nacionais e estaduais na conta.

SOU: Percebo que, para você, o jornalismo é mais do que uma profissão. Então, como você define?

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VR: O jornalismo é a forma que encontrei de servir às pessoas. Muito além de informar, acredito que nossa missão é dar voz a quem muitas vezes não consegue ser ouvido. É fiscalizar, explicar, emocionar, denunciar quando necessário e, principalmente, provocar transformações. Sempre gostei das histórias que mudam vidas. Da reportagem que ajuda uma família, da denúncia que faz o poder público agir, da informação que evita injustiças. É isso que dá sentido ao meu trabalho. Também acredito que o jornalismo cria pontes. Aproxima realidades diferentes e faz com que a sociedade enxergue problemas que antes estavam invisíveis. Quando uma reportagem consegue gerar esse movimento, ela deixa de ser apenas uma notícia e passa a cumprir um papel social.

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SOU: E como você vê o jornalismo diante das novas tecnologias e do leque que se abriu para que as pessoas se sentissem à vontade para agir como comunicadores?

VR: A tecnologia democratizou a comunicação, e isso tem aspectos muito positivos. Hoje qualquer pessoa pode registrar um fato importante em segundos e contribuir para que uma informação chegue mais rápido à sociedade. Ao mesmo tempo, essa facilidade aumentou a responsabilidade do jornalismo profissional. Ser comunicador não é apenas publicar primeiro. É apurar, contextualizar, ouvir todos os lados e assumir responsabilidade pelo que está sendo divulgado. Por isso acredito que o papel do jornalista ficou ainda mais relevante. A tecnologia muda as ferramentas, mas não muda os princípios. Ética, compromisso com a verdade e responsabilidade continuam sendo os pilares da profissão.

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SOU: Conta sobre as suas origens e da relação com Guarapari.

VR: Sou natural de Guarapari, e a minha ligação com a cidade vai muito além do lugar onde nasci. Ela faz parte da história da minha família e da construção da minha própria identidade. Meus avós ajudaram a construir Guarapari. Meu avô participou de uma fase importante do desenvolvimento da cidade e foi um dos responsáveis por colocar as pedras na rua da Praia das Castanheiras, um lugar que faz parte da memória afetiva de tantos capixabas. Minha família também morava em frente à pracinha do antigo Hotel Coronado, numa época em que a cidade ainda estava escrevendo a sua história. Mas, quando penso nas minhas origens, é impossível não falar da minha avó, Benigna Rangel. Ela foi a pessoa que despertou em mim o olhar para o outro. Acho que muito do jornalista que me tornei nasceu ali, observando a forma como ela acolhia as pessoas e enxergava valor em cada ser humano. Mesmo depois de morar em outras cidades e trabalhar em diferentes estados, Guarapari nunca deixou de ser o meu ponto de partida. É a cidade que me lembra diariamente quem eu sou, de onde vim e quais valores eu quero levar comigo por toda a vida. Hoje consigo viver Guarapari de uma forma diferente. Sempre que posso, gosto de estar perto da família, rever amigos, caminhar pela orla e aproveitar uma cidade que combina natureza, acolhimento e qualidade de vida.

SOU: Você publicou “tô de volta pra casa”. Qual foi a sensação desse retorno e quais as suas expectativas?

VR: Foi uma das decisões mais emocionantes da minha vida. Nos últimos anos tive a oportunidade de trabalhar em diferentes estados e viver experiências que ampliaram muito minha visão de mundo. Sou profundamente grato por tudo isso. Mas voltar para o Espírito Santo tem um significado diferente. É reencontrar minhas raízes, minha história e as pessoas que acompanharam o início da minha caminhada. Existe um sentimento muito bonito de recomeço. Não é voltar ao ponto de partida. É voltar transformado. Chego mais maduro, com novas experiências e ainda mais vontade de fazer um jornalismo próximo das pessoas. Minha expectativa é construir uma relação de confiança com o público, contar histórias relevantes e ajudar a fortalecer um jornalismo que esteja sempre do lado da sociedade.

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SOU: Agora, sobre essa nova etapa no comando do Brasil Urgente Espírito Santo. O que há em comum entre o Vinícius Rangel e o programa?

VR: A vontade de estar ao lado das pessoas. O Brasil Urgente sempre teve como característica olhar para os problemas reais da população, cobrar soluções e acompanhar histórias que impactam diretamente o dia a dia das famílias. Esse também sempre foi o meu jeito de fazer jornalismo. Acredito que informação de qualidade não é a que fala mais alto, mas a que esclarece. Recentemente, recebi mensagens de um adolescente de 12 anos e de uma senhora de 93 anos. Os dois diziam exatamente a mesma coisa: “Você fala a nossa língua”. Para mim, esse é um dos maiores elogios que um jornalista pode receber. Se consigo transformar assuntos complexos em informações acessíveis, sem perder a profundidade e o compromisso com a verdade, sinto que estou cumprindo a minha missão. No fim das contas, o que existe em comum entre o Vinícius Rangel e o Brasil Urgente Espírito Santo é justamente isso: a responsabilidade de informar com clareza, proximidade e respeito pela inteligência de quem está do outro lado da tela.

SOU: Para finalizar, nos bastidores da vida, quem é o Vinícius?

VR: Fora da televisão, sou uma pessoa bastante simples. Gosto de estar com a minha família, cozinhar, reunir amigos, viajar quando surge uma oportunidade e aproveitar momentos tranquilos. Apesar da rotina intensa do jornalismo, valorizo muito esses momentos porque são eles que recarregam minhas energias. Eu gosto do mar, da natureza e do Crosfit. Sou apaixonado por estar entre amigos, assistir corais e torcer para o Flamengo. A fé também ocupa um espaço muito importante na minha vida e me ajuda a manter os pés no chão, especialmente nos momentos de maior desafio. Sou cristão protestante, que busca trabalhar o dom da comunicação para levar o amor de Deus por aí. A televisão mostra apenas uma parte de quem eu sou. Nos bastidores existe alguém curioso, que gosta de ouvir histórias, aprender coisas novas e que acredita que as melhores conquistas sempre vêm acompanhadas de humildade.