*por Bárbara de Assis Quinteiro – OAB/ES 43.844

A inteligência artificial já faz parte da nossa rotina. Consegue pesquisar informações, analisar documentos, encontrar padrões e produzir textos que antes levariam horas para serem feitos.
No Direito, essa transformação também chegou. Surge, então, uma pergunta: se uma máquina consegue encontrar uma lei, pesquisar decisões e até ajudar a construir uma resposta, o que acontece quando essa resposta envolve a vida de uma pessoa?
A tecnologia pode ser rápida. Pode ser eficiente. Pode facilitar o trabalho de quem atua com o Direito. Mas existe algo que não cabe em números, documentos ou comandos: a história de cada pessoa.
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Pense em alguém que procura o INSS depois de perder a capacidade de trabalhar. Para um sistema, podem existir apenas datas, contribuições e documentos. Para aquela pessoa, pode existir a preocupação de não conseguir pagar as contas, comprar seus remédios ou sustentar a própria família.
Da mesma forma, uma situação de trabalho pode parecer, no papel, apenas uma discussão sobre salário, jornada ou contrato. Mas, para quem viveu aquela realidade, pode representar anos de esforço, uma injustiça ou até a perda da própria dignidade.
É nesse espaço entre os dados e a vida real que a presença humana continua sendo indispensável.
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Uma máquina pode encontrar uma resposta. Mas será que consegue perceber quando a pergunta está errada?
Pode analisar centenas de documentos. Mas consegue entender qual deles revela algo que o cliente ainda não conseguiu explicar?
Pode apresentar uma solução. Mas consegue medir o impacto daquela decisão na vida de quem está do outro lado?
Essas perguntas não significam que devemos temer a tecnologia. Pelo contrário. A inteligência artificial pode tornar o Direito mais acessível, agilizar tarefas e permitir que os profissionais dediquem mais tempo ao que realmente importa.
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O desafio está em não transformar pessoas em números apenas porque os números são mais fáceis de processar.
A tecnologia deve servir às pessoas, e não fazer com que as pessoas precisem se adaptar ao que ela consegue compreender.
No fim, talvez o futuro não seja uma disputa entre seres humanos e máquinas, mas uma parceria em que a tecnologia faça aquilo que sabe fazer melhor e nós preservemos aquilo que nenhuma ferramenta deveria substituir: a capacidade de ouvir, sentir, questionar e compreender.
O Direito pode até caber em códigos e algoritmos. As pessoas, não.

Pós-graduanda em Direito e Processo Previdenciário. Pós-graduanda em Direito e Processo do Trabalho. Instagram: @barbaraquinteiro.adv