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Após viajar 5.000 km, índio ianomami realiza o sonho de voar aos 70 anos

Por Livia Rangel

Publicado em 17 de abril de 2015 às 12:20
Atualizado em 17 de abril de 2015 às 13:18
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ianomami voo livre (5)

Repleto de emoção, o voo aconteceu na segunda (13) e teve duração de 20 minutos.

Como muitos membros de sua tribo, o índio ianomâmi Matake Terany, 70 anos, sempre observava os pássaros e pensava como conseguir realizar a fascinante emoção de voar. “Muitos subiam em morros e se jogavam, tentando incorporar os espíritos das aves, e acabavam morrendo, mas eu nunca me arrisquei”, relembra.

Mas, finalmente, às vésperas do Dia do Índio – comemorado este sábado (19) – ele alcançou o seu intento, saltando da rampa de voo livre de Cachoeira Alta, em Alfredo Chaves. O piloto alfredense, Rodolpho Cavalini, com experiência há 20 anos em voo de parapente, foi quem proporcionou a aventura.

Terany viajou cerca de cinco mil quilômetros para enfim estar mais perto do céu. Ele vive em uma tribo em Roraima e lá é considerado uma espécie de conselheiro tribal e curandeiro.

O sonho de voar tornou-se mais real quando, de passagem por Búzios (RJ), o índio conheceu o brasileiro Magno de Barros, atualmente morando nos Estados Unidos. Ele é filho de índios e possui um projeto de intercâmbio com as tribos brasileiras. Depois de relatar seu maior sonho, foi trazido para a rampa de Cachoeira Alta, considerada uma das melhores do país para prática do esporte.

“Escolhi a rampa de Cachoeira Alta por ser muito famosa e recomendada por grandes pilotos brasileiros e internacionais. Lembrei do Rodolpho e de sua experiência, então decidimos onde seria realmente concretizado o sonho de Matake”, disse Barros.

Segundo Cavalini, proprietário da escola de voo livre Fora do Ar, o voo foi emocionante e ocorreu no final da tarde de segunda (13) com duração de 20 minutos. “Fiquei emocionado com o grande sentimento do índio. Foi incrível. Nosso trabalho é realizar sonhos e quando vemos que esse sonho é maior que todos os interesses pessoais, ficamos ainda mais empolgados. Fui apenas um instrumento para proporcionar a realização de um desejo, com segurança e emoção”, disse o instrutor.

A rampa de Cachoeira Alta fica a 5 km da sede do município e tem 465 metros de altitude. Devido a sua geografia, ela é excelente para voo de parapente e asa delta. Lá, diversos pilotos, como Cavalini, oferecem voo duplo para quem deseja realizar um sonho como o do ianomami.

ianomami voo livre (4)

Alegria depois do sonho realizado.

 

Sobre os ianomami

Os ianomami formam uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta tropical do Norte da Amazônia cujo contato com a sociedade nacional é, na maior parte do seu território, relativamente recente. Seu território cobre, aproximadamente, 192.000 km², situados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela na região do interflúvio Orinoco – Amazonas (afluentes da margem direita do rio Branco e esquerda do rio Negro). Constituem um conjunto cultural e lingüístico composto de, pelo menos, quatro subgrupos adjacentes que falam línguas da mesma família (Yanomae, Yanõmami, Sanima e Ninam). A população total dos Yanomami, no Brasil e na Venezuela, é hoje estimada em cerca de 26.000 pessoas. (Fonte:http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami)

Índio percorre o país em busca de ajuda
ianomami voo livre (2)

Matake Terany também visitou algumas escolas de Alfredo Chaves. Na foto, ele é acompanhado por funcionários e alunos da rede municipal.

Terany vem percorrendo todo o Brasil para conseguir ajuda para sua tribo e para realizar integração com outros índios e aldeias. Sua vinda ao Espírito Santo, além de realizar o sonho de voar, tem outro motivo: ajudar os índios Guaranis de Aracruz, Norte do Estado.

Em Alfredo Chaves, o indígena realizou algumas preces na vila de Cachoeira Alta, a fim de pedir chuva para a região, visitou escolas do município e ainda fez chás para pessoas doentes da comunidade.

De acordo com o conselheiro tribal, ele deveria voltar para a tribo em setembro, obedecendo ao chamado do pajé que enviou mensagem pelas estrelas, mas de acordo com ele, só voltará no final do ano, após ajudar os índios Guaranis e conseguir um barco com motor para sua tribo, que necessita para transportar alimentos pelo rio.

“Vivemos no meio da floresta, e um barco a motor nos ajudará muito”, disse o ianomami, que segue para Aracruz neste final de semana.

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