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Coluna Palavra de Fé: Cuidado com o excesso
Por Raphael Abdalla
Publicado em 14 de junho de 2026 às 12:00
Atualizado em 14 de junho de 2026 às 12:00
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Existe uma frase antiga que atravessou séculos e continua atual: “Tudo em excesso faz mal”. Embora pareça um simples conselho popular, ela carrega uma sabedoria profunda. Muitos dos maiores problemas da vida não surgem da falta, mas do exagero. O excesso frequentemente se disfarça de virtude, de zelo ou de necessidade, até que começa a cobrar um preço alto.
A história humana é marcada por uma curiosa tendência: acreditamos que mais é sempre melhor. Mais dinheiro, mais compromissos, mais informações, mais bens, mais experiências. No entanto, a realidade mostra que o acúmulo nem sempre produz satisfação. Existem pessoas cercadas de recursos e ainda assim cansadas, ansiosas e vazias. O excesso cria uma ilusão de plenitude enquanto, aos poucos, drena aquilo que realmente sustenta a vida.
O excesso raramente chega de maneira abrupta. Ele se instala discretamente. Um compromisso a mais na agenda. Uma responsabilidade assumida sem necessidade. Alguns minutos extras diante das telas. Uma preocupação carregada para casa. Uma atividade que parecia temporária e se tornou permanente. Quando percebemos, a agenda está lotada, a mente sobrecarregada e a alma sem espaço para descansar.
O livro de Provérbios valoriza a prudência, o equilíbrio e o domínio próprio. A sabedoria bíblica sempre reconheceu a importância dos limites. O ser humano foi criado para trabalhar, mas também para descansar. Foi criado para administrar recursos, mas não para ser dominado por eles. Foi criado para desfrutar da vida, mas não para transformar desejos em senhores do coração.
Até mesmo coisas boas podem se tornar prejudiciais quando ocupam um lugar maior do que deveriam. O trabalho é digno e necessário, mas seu excesso compromete relacionamentos e saúde. A busca por excelência é admirável, mas o perfeccionismo aprisiona. A informação é útil, mas seu excesso produz confusão. O dinheiro é uma ferramenta importante, mas sua busca descontrolada pode transformar meios em fins.
Os excessos também aparecem nas emoções. Há quem viva sob o peso de preocupações que ainda não aconteceram. Outros permanecem presos a culpas que já deveriam ter sido entregues a Deus. Alguns alimentam expectativas tão elevadas que tornam impossível desfrutar das alegrias simples da vida. Quando as emoções perdem o equilíbrio, o coração passa a carregar fardos que não foram feitos para serem suportados sozinho.
Jesus ofereceu um caminho diferente. Sua vida demonstrou equilíbrio, simplicidade e clareza de prioridades. Ele trabalhava intensamente, mas encontrava tempo para orar. Servia multidões, mas também se retirava para lugares solitários. Atendia necessidades urgentes sem perder de vista aquilo que era essencial. Seu exemplo revela que uma vida frutífera não depende de fazer mais, mas de fazer aquilo que realmente importa.
A maturidade ensina uma lição valiosa: nem tudo o que podemos fazer precisamos fazer. Nem toda oportunidade deve ser abraçada. Nem toda discussão merece resposta. Nem toda demanda precisa ser aceita. Parte da sabedoria consiste em reconhecer limites e respeitá-los. Dizer “não” para determinadas coisas muitas vezes significa dizer “sim” para aquilo que possui verdadeiro valor.
Talvez seja hora de fazer uma avaliação sincera. Existe algo em excesso em sua rotina? Existe alguma preocupação ocupando espaço demais? Existe alguma busca consumindo energia além do necessário? A resposta para muitas inquietações não está em acrescentar mais alguma coisa à vida, mas em remover aquilo que está pesando além da medida. Uma vida equilibrada não é uma vida vazia. É uma vida organizada em torno das prioridades corretas. Quando aprendemos a lidar com os excessos, encontramos mais espaço para a fé, para a família, para as amizades, para o descanso e para a gratidão. E descobrimos que a verdadeira riqueza não está na quantidade de coisas que acumulamos, mas na qualidade daquilo que preservamos.
Raphael Abdalla é pastor titular da Primeira Igreja Batista em Guarapari e presidente da Convenção Batista do Espírito Santo. Possui formação em Direito, Teologia e MBA em Liderança. Idealizador do projeto Redes de Voluntários. Casado com Ana Paula Abdalla.
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As informações e/ou opiniões contidas neste artigo são de cunho pessoal e de responsabilidade do autor; além disso, não refletem, necessariamente, os posicionamentos do folhaonline.es
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