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Coluna Palavra de Fé: Solidão em meio à multidão
Por Raphael Abdalla
Publicado em 21 de junho de 2026 às 12:00
Atualizado em 21 de junho de 2026 às 12:00
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Uma das maiores contradições dos nossos dias é que nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão solitários. A tecnologia encurtou distâncias, permitiu conversas instantâneas e criou inúmeras formas de interação. Em poucos segundos é possível falar com alguém do outro lado do mundo, acompanhar a rotina de centenas de pessoas e participar de grupos dos mais variados interesses. Ainda assim, cresce o número daqueles que carregam um sentimento profundo de isolamento. Estão cercados de gente, mas sentem-se sozinhos. Participam de reuniões, frequentam ambientes movimentados, acumulam contatos e seguidores, mas experimentam um vazio que a presença física de uma multidão não consegue preencher.
A solidão nem sempre se apresenta como ausência de pessoas. Muitas vezes ela surge justamente onde há movimento. Há quem volte para casa após um dia inteiro de convivência e perceba que não teve uma única conversa verdadeira. Há quem esteja rodeado por familiares e amigos, mas não encontre espaço para falar de suas dores, dúvidas e medos. Existem pessoas que sorriem em público, participam de eventos, trabalham em equipes e mantêm uma aparência de normalidade, enquanto travam batalhas silenciosas dentro de si. A multidão pode oferecer companhia, mas somente relacionamentos genuínos oferecem pertencimento.
O problema se torna ainda mais sério quando a solidão deixa de ser uma experiência momentânea e passa a fazer parte da rotina. O ser humano foi criado para viver em comunhão. Desde as primeiras páginas das Escrituras encontramos a declaração divina de que não era bom que o homem estivesse só. A necessidade de relacionamento não é uma fraqueza humana; faz parte da própria estrutura da vida. Quando essa necessidade é ignorada, surgem consequências emocionais, espirituais e até físicas. O desânimo se intensifica, a esperança diminui, a ansiedade encontra terreno fértil e os desafios da vida parecem mais pesados do que realmente são.
Em muitos casos, a busca por aceitação acaba agravando o problema. Algumas pessoas passam a medir seu valor pela quantidade de curtidas, comentários ou visualizações que recebem. Outras tentam preencher o vazio com uma agenda cada vez mais ocupada. O resultado costuma ser frustrante. Nenhum aplicativo substitui um abraço sincero. Nenhuma plataforma digital consegue reproduzir a profundidade de uma amizade construída com confiança, tempo e presença. A alma humana continua necessitando de algo que a tecnologia, por mais avançada que seja, não consegue produzir.
A Bíblia apresenta uma resposta significativa para essa realidade. Deus não criou o ser humano para caminhar sozinho. Ao longo das Escrituras vemos a importância da família, da amizade e da comunhão entre os irmãos. Jesus, mesmo sendo o Filho de Deus, escolheu viver cercado de relacionamentos. Compartilhou refeições, conversas, alegrias e lágrimas. Em seus momentos mais difíceis, desejou a companhia daqueles que estavam ao seu lado. Seu exemplo nos lembra que a vida não foi planejada para ser enfrentada em isolamento.
Talvez a melhor maneira de combater a solidão seja reaprender a cultivar relacionamentos verdadeiros. Isso exige tempo, interesse genuíno e disposição para ouvir. Exige também coragem para abandonar máscaras e permitir que outras pessoas conheçam quem realmente somos. Nenhum relacionamento profundo nasce da superficialidade. Ele floresce quando existe confiança suficiente para compartilhar não apenas conquistas, mas também fragilidades.
A solidão em meio à multidão é uma realidade para muitas pessoas. Talvez mais próxima do que imaginamos. Por isso, vale a pena olhar com mais atenção para aqueles que estão ao nosso redor. Um convite para conversar, uma visita, uma ligação ou uma palavra de interesse sincero podem fazer mais diferença do que supomos. Em uma sociedade que acumula contatos, mas carece de vínculos, o amor continua sendo uma das respostas mais poderosas.
Afinal, a maior necessidade do ser humano não é simplesmente estar perto de pessoas. É saber que pertence, que é amado e que não precisa caminhar sozinho.
Raphael Abdalla é pastor titular da Primeira Igreja Batista em Guarapari e presidente da Convenção Batista do Espírito Santo. Possui formação em Direito, Teologia e MBA em Liderança. Idealizador do projeto Redes de Voluntários. Casado com Ana Paula Abdalla.
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As informações e/ou opiniões contidas neste artigo são de cunho pessoal e de responsabilidade do autor; além disso, não refletem, necessariamente, os posicionamentos do folhaonline.es
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