Outlier - O padrão é ser extraordinário

Outlier é uma coluna sobre pessoas, ideias e empresas que desafiaram o comum para construir algo extraordinário. Histórias reais de visão, coragem, inovação e trajetórias que provam que grandes resultados quase nunca nascem de caminhos convencionais.

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Sidnei Trancoso

Sidnei Trancoso

Publicitário, estrategista de comunicação e sócio da HM Comunicação. Atua há mais de duas décadas no mercado de mídia, marketing e posicionamento de marcas.

O Google que você conhecia acabou

A busca deixou de ser uma lista de links. Agora, ela começa a entregar respostas, decisões e caminhos.

Sidnei Trancoso
Publicado em 8 de junho de 2026 às 16:24
Atualizado em 8 de junho de 2026 às 20:46

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Não, o Google não vai desaparecer.

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Mas o Google como nós conhecemos — aquele da página com dez links azuis, onde o usuário pesquisava, clicava, comparava e decidia sozinho — está ficando para trás.

A mudança é maior do que uma atualização de algoritmo. É uma mudança de comportamento. Antes, o Google mostrava caminhos. Agora, cada vez mais, ele tenta entregar a resposta pronta.

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E isso muda tudo para empresas, marcas, veículos de comunicação, profissionais de marketing e produtores de conteúdo.

O que está mudando no Google?

Durante muitos anos, aparecer bem no Google significava ocupar boas posições nos resultados de busca. O jogo era claro: criar conteúdo, otimizar páginas, disputar palavras-chave e conquistar cliques.

Esse modelo ainda existe. Mas já não é suficiente.

Com recursos como AI Overviews e AI Mode, o Google passou a usar inteligência artificial para interpretar perguntas, buscar informações em várias fontes e gerar respostas mais completas dentro da própria página de busca.

Em termos simples: o usuário não precisa mais visitar dez sites para montar uma conclusão. A IA faz parte desse trabalho por ele.

O fim do clique fácil

Esse é o ponto que mais preocupa empresas e criadores.

Se o Google entrega uma resposta completa na própria busca, o usuário pode não clicar em nenhum site. A visibilidade continua importante, mas o clique deixa de ser garantido.

Isso não significa que sites morreram. Significa que o valor de um site mudou.

Antes, a grande pergunta era:

Como faço para aparecer no Google?

Agora, a pergunta passa a ser:

Como faço para ser entendido, citado e recomendado pelas inteligências artificiais?

É aqui que SEO e GEO começam a se encontrar.

SEO não morreu. Mas ficou mais exigente.

As boas práticas de SEO continuam relevantes para a busca generativa. A diferença é que não basta escrever para ranquear. É preciso criar conteúdo com clareza, autoridade, experiência real e valor próprio.

O conteúdo genérico perde força.

Aquele texto que apenas repete o que todo mundo já disse — “5 dicas para vender mais”, “7 formas de melhorar sua presença digital”, “como aparecer no Google” — tende a ser cada vez menos relevante.

Por quê?

Porque a inteligência artificial já consegue resumir o óbvio.

O que ela não consegue inventar com qualidade é experiência real, opinião fundamentada, bastidor, análise local, dados próprios, visão estratégica e autoridade construída ao longo do tempo.

O que é GEO?

GEO é a sigla para Generative Engine Optimization, ou otimização para motores generativos.

Na prática, é pensar em como uma marca, empresa ou conteúdo pode ser encontrado, compreendido e citado por sistemas de inteligência artificial.

Não se trata de abandonar o SEO. Trata-se de ir além.

SEO ajuda o Google a encontrar e entender uma página.

GEO ajuda a IA a reconhecer que aquela informação tem valor suficiente para ser usada em uma resposta.

O novo desafio das empresas

Durante anos, muitas empresas trataram o digital como uma vitrine.

Criaram um site, abriram redes sociais, fizeram alguns posts e esperaram o cliente chegar.

Esse tempo acabou.

A nova busca exige presença consistente, conteúdo autoral, reputação distribuída, informações técnicas bem organizadas, páginas atualizadas e uma marca que tenha algo próprio a dizer.

A inteligência artificial não valoriza apenas quem publica mais. Ela tende a valorizar quem ajuda melhor.

Essa é uma mudança profunda.

Empresas que dependiam apenas de tráfego orgânico podem sentir queda nos acessos. Por outro lado, marcas bem posicionadas, com autoridade e conteúdo de qualidade, podem ganhar um novo tipo de relevância: serem citadas como referência nas respostas da IA.

O Google não morreu. Ele mudou de função.

O Google está deixando de ser apenas um buscador.

Está se tornando uma camada de interpretação da internet.

Ele lê, cruza, resume, compara e entrega caminhos. Em alguns casos, começa a agir como um assistente. Em outros, como um consultor. Em outros, como um filtro entre a empresa e o consumidor.

Por isso, a frase mais honesta talvez seja esta:

O Google não acabou. Mas o Google que dependia apenas do clique está acabando.

E quem ainda pensa em comunicação digital apenas como publicação, impulsionamento e palavras-chave está olhando para um jogo que já mudou de fase.

O que fazer agora?

A resposta não está em pânico. Está em estratégia.

Empresas precisam revisar seus sites, seus conteúdos, sua autoridade, suas páginas institucionais, seus dados, suas provas sociais e sua presença em diferentes canais.

Não basta aparecer.

É preciso ser confiável.

Não basta publicar.

É preciso ter ponto de vista.

Não basta disputar atenção.

É preciso se tornar referência.

A era da busca por inteligência artificial não elimina a necessidade de comunicação. Ela aumenta.

Porque, em um mundo onde a IA responde cada vez mais rápido, só será lembrado quem tiver algo realmente relevante para ser encontrado.

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As informações e/ou opiniões contidas neste artigo são de cunho pessoal e de responsabilidade do autor; além disso, não refletem, necessariamente, os posicionamentos do folhaonline.es

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