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O jornalismo profissional escreve a nossa história

Publicado em 7 de abril de 2021 às 11:00
Atualizado em 8 de abril de 2021 às 09:02

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por José Carlos Corrêa(*)

Foto: arquivo.

Há pouco mais de um século, nascia o jornalismo profissional e, com ele, a técnica jornalística que tem como princípios a publicação da informação confirmada por checagem prévia que confronta as várias versões dos acontecimentos, a prestação de serviços à comunidade e a mediação, com ética, entre os fatos e a população. Por essas razões a imprensa é considerada uma conquista da civilização indispensável à democracia, que garante ao cidadão o acesso ao direito à informação.

Praticado cada vez mais no conceito de multiplataforma – no qual o consumidor obtém a informação na forma por ele preferida, seja no papel impresso, na internet, no rádio ou na TV – o jornalismo se tornou essencial à vida das pessoas, principalmente nessa época de proliferação exacerbada das fake news, as notícias falsas que se espalham como vírus nas redes sociais digitais, deformando as informações.

Na passagem do século XIX para o século XX, as notícias e reportagens publicadas pelo jornalismo profissional cumpriram o importante papel de separar os boatos e versões tendenciosas da informação correta. Atualmente, essa relevante missão do jornalismo se renova, como contraponto às fake news que, com clara motivação política espalham a desinformação e prejudicam a sociedade.

A trajetória do jornalismo profissional é marcada por um processo permanente de atualização decorrente dos avanços tecnológicos e mudanças nos hábitos das pessoas. Foi assim com as rotativas que potencializaram a capacidade de impressão dos jornais e revistas multiplicando a quantidade de leitores. Foi assim com a invenção do rádio e da TV, meios que transformaram o mundo em uma aldeia global, como escreveu Marshall McLuhan. Está sendo assim com a popularização da internet que abriu novas possibilidades de disseminação das informações.

É um equívoco pensar, contudo, que a internet é um concorrente capaz de liquidar a mídia impressa, o rádio ou a TV. A história ensina que as inovações tecnológicas, na maioria das vezes, mais do que criar concorrências, abrem novas possibilidades de mudanças e adequações para os agentes que atuam no mercado. Os jornais e as revistas, assim como as emissoras de rádio e TV passaram a ganhar novas audiências graças à internet.

É natural que em um ambiente de tão significativas e rápidas mudanças, os agentes que atuam no meio experimentem perdas e ganhos com relação à participação no mercado. É o caso, por exemplo, dos jornais e revistas impressos que tiveram reduções nas suas tiragens enquanto crescia o número de assinaturas digitais. Mais do que uma transição do impresso para o digital o fato representa uma adequação do jornalismo profissional que passa a ser acessado no conceito multiplataforma. 

Basta verificar que o conteúdo editorial dos jornais e revistas impressos – aprofundado, contextualizado, interpretativo, que leva o leitor à reflexão – é inteiramente diferente do conteúdo veiculado pelos jornais e revistas digitais, que utilizam textos e parágrafos mais curtos que conduzem a leituras mais rápidas como são próprias do meio. Ou seja, o impresso e o digital mais se complementam do que concorrem entre si. Não é por outra razão que os grandes jornais do país mantêm, simultaneamente a edição impressa em papel e a digital.

O jornalismo profissional, nessa primeira quadra do século XXI, se mostra capaz de desenvolver linguagens distintas para cada uma das plataformas que utiliza para alcançar os seus fiéis leitores e consumidores de informação, sem prejuízo do legado cultural que deixa para as comunidades onde atua. Não é sem razão que a ANJ, Associação Nacional de Jornais, veiculou a campanha “Nunca se leu tanto jornal”, ressaltando o conceito das múltiplas plataformas. É também a ANJ que, baseada nas métricas auditadas pelo IVC, informa que o acesso aos jornais cresceu 40% durante a pandemia da Covid-19, com os leitores ávidos por informações confiáveis.

A importância do jornalismo profissional pode ser avaliada pela voracidade com que os bolsões políticos radicais que se espalham pelas redes sociais da internet – e que são os maiores disseminadores das fake news – se voltam contra ele. Esses grupos sabem, mais do que ninguém, que o jornalismo profissional é o antídoto capaz de neutralizar a desinformação e as mentiras. Sabem que a imprensa profissional é a fonte procurada pelos consumidores quando buscam informação de qualidade e com credibilidade e pelos pesquisadores que desejam reconstituir a história recente da sociedade.

No dia 7 de abril se comemora o Dia do Jornalista. Essa data motivou a elaboração desse artigo que procura resgatar o valor do jornalismo profissional – e de todos os meios e plataformas por ele utilizados – e o papel que ele desempenha de historiador da trajetória da sociedade contemporânea. 

(*) José Carlos Corrêa é jornalista e professor.

O artigo foi produzido a pedido do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no Estado do Espírito Santo – Sindijores. O objetivo, nesta data, é falar destacar a imprensa, o jornalismo profissional e o valor dele na sociedade, especialmente nessa época em que as ‘fake news’ proliferam como ervas daninhas nas redes sociais da Internet e que muitos governantes desmerecem a importância dos nossos veículos.

As informações e/ou opiniões contidas neste artigo são de cunho pessoal e de responsabilidade do autor; além disso, não refletem, necessariamente, os posicionamentos do folhaonline.es

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