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Polêmica no Polivalente: professor explica o que aconteceu

Por Livia Rangel

Publicado em 27 de fevereiro de 2015 às 16:36
Atualizado em 27 de fevereiro de 2015 às 22:21
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Loren

Loren Filho: “Vários alunos estavam usando celular ao mesmo tempo na sala de aula. Chamei a atenção de todos, mas o vídeo só mostrou uma”.

Até que ponto deve ser autorizado o uso de aparelhos celulares dentro da escola? E de que maneiras o professor deve manifestar sua autoridade em sala de aula? Os adolescentes estão sem limites? Estamos exagerando no uso das tecnologias e redes sociais? Essas são apenas algumas perguntas que podem ser pensadas com relação que aconteceu esta semana durante uma aula na Escola Estadual Dr. Silva Mello (Polivalente).

Em busca de esclarecimentos, o Jornal Folha da Cidade conversou com o professor de Inglês Loren José Guimarães dos Santos Filho, que virou alvo de críticas, mas também conquistou apoiadores por sua atitude em classe, ao não tolerar o uso de celular durante sua aula. “Fui julgado e crucificado antes de me perguntarem qualquer coisa”.

Com expressão serena e fala tranquila e bem articulada, o professor ficou com olhos marejados em alguns momentos da entrevista, demostrando não apenas sua decepção com a grande atenção dada ao episódio, mas também com o desrespeito à sua profissão.

“Importante deixar claro que não temos nada contra alunos, pais ou qualquer pessoa. Pelo contrário, queremos que todos participem da gestão democrática. Que os gestores da educação brasileira nos ofereçam condições dignas de trabalho. Temos visto uma geração passiva, perdida e sem esperança, escrava de coisas e da tecnologia. Queremos que o povo reaja, que as famílias se unam para formar cidadãos de valor, capazes de ser úteis e exigir melhorias”, deu o tom.

Loren também destacou que a cena que circula na internet foi mostrada fora de contexto e está sendo veiculada de maneira ilegal até mesmo em grandes veículos de comunicação – é expressamente proibido o uso de imagem de qualquer tipo no interior de escolas estaduais sem autorização da Sedu ou do próprio professor, segundo regulamento estadual. O Folha da Cidade, desde o início, respeitou essa norma.

“Não foi apenas àquela garota que eu estava me referindo naquele momento. Havia vários outros usando celular, mas isso o vídeo não mostra. Eu simplesmente quis chamar a atenção deles para a aula e se falasse baixo, eles apenas ririam da minha cara e continuariam a me desrespeitar”, disse. Ele completa “O professor não é valorizado, nem entendido nas suas necessidades. Viramos reféns das más condições de trabalho”.

Ao contrário da atitude da mãe da aluna retratada no vídeo, que afirmou que iria processar o professor, Loren não pretende tomar nenhuma medida judicial sobre o assunto. “Se nós, professores, fossemos processar cada insulto, cada xingamento que recebemos, se acionássemos a justiça toda vez que alguém depredasse o patrimônio da escola ou pichasse palavras obscenas nos muros da escola, não haveria advogados ou juízes suficientes”, completa.

Também presente na conversa, a colega e professora de Português Mídia Rosa Fraga destaca que o episódio trouxe muita insegurança ao professor. “Ficamos chocados com o que aconteceu. Quem produziu o vídeo pulou todas as instâncias escolares e até a própria constituição federal. Não houve direito de defesa, nem diálogo. O vídeo foi transmitido antes mesmo que o caso pudesse ser discutido dentro da escola”.

Ela completa que o celular pode ser uma ótima ferramenta pedagógica em sala de aula. “Porém, não há maturidade para isso. É muito difícil lidar com adolescentes, é preciso levar isso em consideração também. O professor muitas vezes deve ‘baixar o nível’ da aula para que o aluno possa compreender os conteúdos. Por exemplo, há uma grande deficiência em conceitos gramaticais básicos, na escrita de palavras simples”, lamenta.

Solidariedade. Alunos da escola também se mostraram solidários ao que aconteceu com Loren Filho. O membro do Grêmio Estudantil do Polivalente, Luís Augusto Simões, afirmou que em tese, deveria estar ao lado dos alunos, mas a estudante perdeu sua razão ao expor a imagem do professor sem buscar primeiro um diálogo com o pedagogo, coordenador ou diretor da escola. “Não temos que julgar as pessoas, mas o contexto”.

Ao agir daquela maneira, Luís avalia que a aluna contribuiu para aumentar a desvalorização do professor, que é justamente o que deve ser combatido, para o bem da Educação no país.

“Acho que a partir de agora todos nós, estudantes, professores, sociedade, devemos nos concentrar no debate sobre a valorização do professor e também a reformulação do Ensino Médio. Porque a maioria dos jovens sai do Ensino Fundamental sem nenhum preparo ou estrutura para esse ambiente novo. Eles não enxergam que o Ensino Médio é um momento decisivo”. Fica aí o espaço para reflexão.

Gabriely Sant’Ana

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