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Professora que lecionou por mais de meio século celebra 84 anos, em Guarapari

A professora de Língua Portuguesa, mesmo depois de aposentada, lecionou por mais 13 anos

Por Larissa Castro

Publicado em 23 de agosto de 2020 às 15:00
Atualizado em 24 de agosto de 2020 às 17:48

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Com seis filhos, dez netos e dois bisnetos, a professora Arizonas Silva Neto de Souza completou 84 anos no último dia 17 de agosto. Desta trajetória, ela contabiliza 62 anos em salas de aula de diversas escolas públicas e privadas de Guarapari, sendo professora das matérias Português e Literatura, dos 19 aos 81 anos, mesmo depois de aposentada.

Nascida no ano de 1936, Arizonas, que mora atualmente no bairro Olaria, mas viveu grande parte da vida no Caminho da Fonte, localizado no Centro de Guarapari, celebrou os 84 anos cercada pelo amor da família, apesar de gostar de estar rodeada por amigos e pessoas queridas. “Eu gosto de estar no meio de muita gente, pois me acostumei com salas de aula de no mínimo 40 alunos. A situação não permitiu a casa cheia este ano, mas a gente tem que levar. Né?! De qualquer forma, os amigos não esquecem de mim”, conta.

Arizonas no aniversário de 84 anos. Foto: Arquivo pessoal.

Durante a vida como profissional da educação, Arizonas conquistou muitos alunos e pais. Ela relembra que foi a partir do dom para lecionar, que teve a oportunidade de se tornar professora.”Dei aula inicialmente em casa, reforçando as crianças. Depois, na alfabetização e, por anos assim fiquei, eu gostava muito. Quando comecei, eu tinha só a oitava série. Recebi a habilitação dada pela Secretaria de Educação, e isso eu consegui pois eu recebia muito elogio, devido ao esforço para conquistar algo, pois na época era tudo muito difícil. Me tornei conhecida pelos pais dos alunos, pois eu tinha muita paciência, muito jeito para dar aula; alfabetizava rápido”, relembra.

Arizonas na década de 50. Foto: Arquivo pessoal.

O talento foi tanto, que o município construiu a primeira escola no bairro Olaria, e Arizonas foi a primeira professora da instituição, que hoje é nomeada de Joventina Simões.”Eu trabalhei em quase todas as escolas, mas iniciei em Iguape, na roça. De lá eu ia a pé várias vezes para Muquiçaba, também dar aula. Em Olaria, eu fui a primeira professora, criaram a escola para eu dar aula; as ruas não eram calçadas, eram barro, perdi muitos chinelos ali; tenho muito orgulho disso”, recorda.

Com o hábito de ficar na janela de casa olhando o movimento da rua e, em tempos sem pandemia, gostar de passear por Guarapari, Arizonas encontra ex-alunos e se orgulha. “Até hoje homens mais velhos passam por mim e me chamam de professora, eles partilham comigo as alegrias do passado. A última escola que dei aula foi o Lyra Ribeiro Santos, eu trabalhava em dois, três horários. Durante o trajeto como professora, fiz faculdade de Pedagogia e pós-graduações”.

A profissão que foi exercida com amor, ficou para os filhos. Dos seis, quatro são professores formados. “Fui professora por mais de 50 anos. Comecei aos 19, parei em 2017, me aposentei, mas continuei trabalhando por mais de 13 anos. Hoje, alguns dos meus filhos seguem a carreira”, comemora.

A última escola de atuação da professora Arizonas está localizada no bairro Kubitschek. Foto: Arquivo pessoal.

Carinhosamente chamada de Zozó, na época em que atuava em escolas, ela recorda em clima nostálgico. “Sinto muitas saudades do tempo de escola. Mudou muita coisa para melhor, pois mesmo o professor sem ganhar muito, a alegria de ficar no meio de alunos é muito boa. Recebo muitos elogios, todos gostam de mim, sou muito conhecida na cidade, gosto demais disso. O que aconteceu comigo na minha trajetória de trabalho, coincidiu com minha maneira de ser, pois eu digo que eu adoro aparecer. Gosto muito de viver!”

E ela completa: “Eu dava muita liberdade aos alunos, por isso colocavam apelidos, até hoje eles passam e me chamam de Zozó; é muita alegria quando me veem. Acho que ninguém tem ressentimento de mim, mas eu também castigava, eu não era mansinha não, mas na hora de fazer carinho, me dedicar, claro eu fazia o papel e dava conselhos: sem estudar, vai ser difícil viver, pois estudando é difícil, sem estudar, é pior. A mola do mundo é o dinheiro e a educação. Ver meus ex-alunos se formando em profissões, me deixa muito feliz, pois eu os vejo e relembro”, celebra.

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