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Uso das “canetas emagrecedoras” exige cuidado nutricional

Nutricionista destaca que medicamentos são aliados, mas a alimentação adequada é fundamental

Por Redação +Sou
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Medicamento não substitui a alimentação. Foto: reprodução

Alguns medicamentos podem ajudar no tratamento da obesidade, mas alimentação adequada, hidratação e preservação da massa muscular são fundamentais para que o emagrecimento aconteça com saúde.

As chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram populares e passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas que buscam o tratamento da obesidade e do excesso de peso. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem contribuir para a perda de peso quando utilizados com indicação e acompanhamento profissional.

No entanto, existe um ponto que não pode ser esquecido, o medicamento não substitui a alimentação. Ao contrário disso, durante o tratamento, o acompanhamento nutricional pode se tornar ainda mais importante.

O papel do nutricionista é ajudar o paciente a transformar a redução do apetite em uma oportunidade para melhorar a qualidade da alimentação.

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Durante o tratamento, esse profissional pode acompanhar auxiliando na ingestão adequada de proteínas, consumo de frutas, verduras, legumes e fibras, hidratação, funcionamento intestinal, tolerância aos alimentos, possíveis deficiências nutricionais, preservação da massa muscular, evolução da composição corporal e construção de hábitos alimentares sustentáveis.

Para a nutricionista do Hifa, Raquel Faria, a caneta pode ajudar, mas não faz todo o trabalho.

“Os medicamentos podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade, mas eles não substituem uma alimentação adequada. Como a fome costuma diminuir, precisamos ter atenção especial à qualidade da alimentação e à ingestão de proteínas, vitaminas, minerais, fibras e água. Também é importante acompanhar os efeitos gastrointestinais e orientar o paciente sobre os sinais que precisam ser comunicados à equipe de saúde. O objetivo não deve ser apenas perder peso, mas cuidar da saúde durante todo o processo, preservando massa muscular, mantendo uma boa nutrição e construindo hábitos que possam permanecer depois do tratamento.”

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O tratamento da obesidade pode envolver diferentes estratégias e profissionais. É fundamental compreender que medicamento, alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional atuam juntos para que o emagrecimento seja mais seguro e sustentável.

Como as “canetas” agem?

De forma simplificada, esses medicamentos imitam ou potencializam a ação de hormônios que participam do controle da fome, da saciedade e da glicemia. Com isso, a pessoa tende a sentir menos fome, ficar satisfeita com menor quantidade de comida e, consequentemente, reduzir a ingestão alimentar.

É justamente aí que surge um dos principais desafios: comer menos não significa necessariamente comer melhor. Quando o apetite diminui muito, pode ficar mais difícil consumir a quantidade adequada de proteínas, vitaminas, minerais, fibras e água. Durante o processo de emagrecimento, o organismo pode perder tanto gordura quanto massa muscular.

Cuidados e efeito colaterais

Náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dor abdominal e sensação de estômago cheio estão entre os efeitos que podem ocorrer durante o tratamento.

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Isso acontece, em parte, porque esses medicamentos também interferem no funcionamento do sistema gastrointestinal, inclusive retardando o esvaziamento do estômago. Na maioria das situações, os sintomas são manejáveis, mas não devem ser ignorados quando são intensos ou persistentes.

Alterações importantes do funcionamento intestinal, por exemplo, podem exigir avaliação médica. Entre as complicações gastrointestinais descritas estão casos de íleo ou obstrução intestinal, embora sejam situações diferentes dos efeitos digestivos mais comuns.

Dor abdominal intensa ou persistente, vômitos repetidos, distensão abdominal importante ou dificuldade para eliminar gases e fezes são sinais que precisam de avaliação profissional. O uso inadequado desses medicamentos pode trazer outros riscos.

Controle e prudência

Em fevereiro de 2026, a Anvisa emitiu um alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido dos agonistas de GLP-1, reforçando que esses medicamentos devem ser utilizados conforme as indicações aprovadas e sob acompanhamento de profissional habilitado.

No Brasil, desde junho de 2025, medicamentos dessa classe passaram a ter retenção da receita nas farmácias, uma medida adotada pela Anvisa diante da preocupação com o uso inadequado e com eventos adversos.

Isso não significa que os medicamentos sejam inseguros quando corretamente indicados. Significa que, como qualquer tratamento farmacológico, eles precisam ser utilizados com responsabilidade e acompanhamento.

*Com informações da Assessoria de Comunicação Grupo Hifa