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Da diversão a profissão: streamer de Guarapari participa da maior convenção de games da América Latina

Por Aline Couto

Publicado em 3 de novembro de 2022 às 16:45

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Da diversão a profissão: streamer de Guarapari participa da maior convenção de games da América Latina
Fotos: arquivo pessoal.

Stephanie Vieira, que prefere ser chamada de Steph ou Steph Vieira, tem 21 anos e vem colhendo os frutos da nova profissão, streamer e influencer de games, que surgiu de forma natural para a guarapariense que sempre teve o gosto pelos jogos.

Eu jogo desde pequenininha, os games fizeram parte da minha infância graças ao meu pai que sempre trabalhou com informática. Joguei muitos videogames antigos como Atari, Mega Drive, jogos competitivos e multijogador que estiveram muito presentes na minha adolescência”.

A ex-estudante de publicidade, que por conta do crescimento da nova profissão precisou trancar a faculdade, contou que tudo aconteceu de forma repentina no início da pandemia da Covid-19, em 2020.

Foi tudo muito imprevisível para mim! Na verdade, eu estava tomando um caminho totalmente diferente, estudando publicidade e indo para a área do design e redação publicitária. Mas a pandemia veio, e com todo mundo sem sair de casa, a busca pelo entretenimento aumentou e profissões relacionadas a isso estouraram. Muita gente começou a streamar na pandemia para ocupar o tempo e se divertir, e eu fui uma delas. Muitos também começaram a consumir mais streams, principalmente na Twitch, a principal plataforma de streams no mundo”.

Nessa época, Steph estava fazendo aulas da faculdade a distância e estágio em home office. “Resolvi comprar uma webcam para participar das aulas. De brincadeira, tive a ideia de fazer minha primeira live para meus amigos, sem nenhuma pretensão. Só que eu tomei muito gosto pela coisa e fui fazendo mais e mais. Pessoas foram aparecendo para me assistir. A partir daí fui investindo e me desenvolvendo mais na profissão. Por mais de um ano, eu fazia um grande esforço para conciliar lives, faculdade e estágio. Eu usava boa parte do dinheiro do meu estágio para ajudar a investir em equipamentos de melhorias para as lives (webcam, computador melhor, cenário) e foram surgindo pessoas que me apoiavam financeiramente e gostavam de ver a evolução do canal. Até que chegou o momento em que eu senti a necessidade de sair de casa para viver minha independência financeira, e seis meses depois, tranquei a faculdade e parei de trabalhar CLT para focar 100% no meu sonho. Hoje, depois de um ano e meio de lives, somamos 24 mil seguidores no meu canal da Twitch”, comemora.

Da diversão a profissão: streamer de Guarapari participa da maior convenção de games da América Latina

Streamer

O que exatamente faz um streamer, profissão ainda desconhecida de muitos, é descrito como quem cria conteúdo ao vivo, através de transmissões que permitem interação com o público que assiste. “Diferentemente dos programas de TV, vídeos no YouTube etc., as streams não tem edições, cortes, e o diferencial é justamente permitir a interação e participação do espectador. O objetivo de cada streamer pode variar, podendo ser criado um conteúdo de entretenimento, informativo, acolhedor, entre outros. No meu caso, por exemplo, meu foco é em fazer lives de jogos e conversação que promovam entretenimento e interação. A profissão existe desde muito tempo, muitos streamers streamam há uma década, mas a profissão se tornou mais conhecida e difundida no período pandêmico”, esclareceu a influencer.

Maior convenção de games da América Latina

Aconteceu no mês de outubro deste ano, na cidade de São Paulo, a 13ª edição da Brasil Game Show (BGS), a maior feira de videogames da América Latina. A feira é conhecida por unir amantes dos videogames em geral, mas também entusiastas de tecnologia e consumidores de conteúdo da cultura pop no geral.

Steph participou da feira neste ano e fez uma live no estande da Twitch, de onde foi credenciada e convidada, sendo transmitida no telão para todo evento.

“Foi uma oportunidade única de conhecer o público, minha comunidade e o pessoal do chat. Tiramos fotos, assinei camisetas. Uma troca muito bacana e a possibilidade de fazer networking. Havia muitos expositores e estandes, o local recebeu cerca de 90 mil pessoas”.

Retorno financeiro

Sobre a possibilidade de viver somente como streamer, Steph Vieira respondeu que depende do ponto que cada um está na carreira. “Existem streamers pequenos, com pouca média de espectadores, que tem uma comunidade muito ativa financeiramente e conseguem viver só das lives, são casos e casos”.

Ela ainda explica que é preciso saber que a renda desse mercado não vem só propriamente das streams, com o apoio dos espectadores, mas que na verdade, para os gigantes que já se estabeleceram no meio, como Casimiro, Gaules, Gabi Catuzzo, Alanzoka e Cellbit, a maioria da renda vem de publicidade e trabalhos que o streamer faz por fora. “As marcas cada vez mais investem no mercado gamer e streamers acabam se tornando também influencers. E muitos são patrocinados por grandes marcas recebendo até mesmo uma renda fixa mensal para serem embaixadores e representantes da marca, como da Samsung, Intel, iFood, Logitech, HONDA, Red Bull, Lenovo”.

Steph reforçou que a stream, como qualquer profissão autônoma, é um empreendimento: a renda varia a cada mês, tendo meses melhores e outros piores, dependendo se naquele mês tiveram mais apoiadores e mais trabalhos de publicidade. “Dependendo da carreira e da jornada de cada um, chega um ponto em que a média mensal acaba sendo suficientemente estável para viver disso, mas como eu disse não existe uma fórmula: alguns conseguem viver da profissão com apenas seis meses, outros demoram anos e anos para se estabelecer no meio”.

Da diversão a profissão: streamer de Guarapari participa da maior convenção de games da América Latina

Futuro

Sobre o que espera daqui para frente, a guarapariense relatou que em termos de números, tem o objetivo de crescer cada vez mais o alcance, média do número de espectadores da própria stream, e o público das mídias sociais. “Sonho em me estabelecer fortemente no meio como uma referência e uma figura que inspire outras mulheres que têm esse sonho de ingressar e trabalhar no meio dos games e das lives. Quero também melhorar cada vez mais o meu conteúdo para que ele inspire e melhore o dia daquele que me assiste”.

Da diversão a profissão: streamer de Guarapari participa da maior convenção de games da América Latina

Conselho

A streamer aproveitou e aconselhou quem deseja seguir o caminho. “Comece aos poucos, sem colocar grandes expectativas financeiras. Faça porque gosta e se diverte, e não pensando no dinheiro. Não vai ser fácil: no começo, você vai fazer lives para cinco, 10 pessoas, mas faça com alegria e qualidade como se fossem duas mil te assistindo. Crescer nesse meio é demorado e não existe uma fórmula, cada um tem uma história e jornada muito individual, então vá com paciência, aproveite o seu processo, e lembre-se de sempre conversar, gerar assuntos interessantes e criar na sua live aquilo que você gostaria de assistir”.

É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização do FolhaOnline.es.

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