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Entrevista: morador de Guarapari, Sérgio Mileipe fala sobre novo cargo e novas diretrizes de operações da Samarco

Por Gislan Vitalino

Publicado em 25 de novembro de 2021 às 18:28
Atualizado em 26 de novembro de 2021 às 18:24

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Entrevista: morador de Guarapari, Sérgio Mileipe fala sobre novo cargo e novas diretrizes de operações da Samarco
Fotos: HM Comunicação.

No final do mês de outubro, a Samarco divulgou um novo nome que assumiria a Diretoria de Planejamento e Operações da empresa. Morador de Guarapari há 45 anos, o engenheiro mecânico Sérgio Mileipe, assumiu o novo cargo um ano após o início do processo de retomada das atividades da empresa.

Em entrevista exclusiva ao Folhaonline.es, Mileipe falou sobre sua trajetória, os desafios e mudanças que vem observando na Samarco Mineração, que esteve paralisada após o rompimento ocorrido em 2015, com a barragem de rejeitos em Fundão, em Mariana (MG). O novo diretor também falou sobre o planejamento que vai guiar a retomada à 100% da capacidade de operação da empresa.

Confira abaixo a entrevista exclusiva do diretor de Planejamento e Operações da Samarco Mineração, Sérgio Mileipe, ao Folhaonline.es.

Folhaonline.es: Mileipe, trilhar uma carreira profissional em uma grande organização como a Samarco é um sonho para muitas pessoas. Qual a retrospectiva que você faz ao lembrar da sua chegada à empresa?

Mileipe: Minha história de vida se mistura à da Samarco. Quando eu ainda era bem novo, me lembro de um dia ter ido a Anchieta pescar e, como conseguimos pegar um peixe grande, essa data ficou marcada na minha memória. Quando estávamos voltando, passei na frente da Samarco e perguntei para o meu pai, o que era aquele lugar, com um navio, máquinas grandes. Na simplicidade dele, ele me explicou. Aquilo me encantou e falei que quando crescesse, trabalharia ali. Isso ficou na minha memória.

Hoje são 24 anos dedicados à empresa. A gente precisa se preparar e estar pronto para as oportunidades que vão surgir. É preciso conhecer o mercado de trabalho, os valores das empresas, quais habilidades se esperam de um profissional e estar pronto para conseguir capturar as oportunidades quando elas surgirem.

Folhaonline.es: Como capixaba e morador da região de atuação direta da empresa, quais mudanças você percebeu na economia local ao longo desse período?

Mileipe: A Samarco é uma empresa que exporta grande parte de sua produção e temos uma contribuição forte na geração de emprego e renda nos municípios, em especial em Anchieta, onde estamos alocados. Mas essa geração de emprego vai além de Anchieta. Recentemente nós vimos o efeito negativo da paralisação das atividades e o como isso afetou tantos municípios.

Nos últimos anos, temos acompanhado o crescimento da atividade econômica do nosso estado, com destaque para o setor de serviço e indústria. Mesmo diante dos efeitos da pandemia da Covid-19, temos visto o anúncio de importantes investimentos no nosso estado, que tem um ambiente favorável aos negócios.

Em 2015, a Samarco ocupava a 12ª posição entre as empresas que mais exportavam e a receita da empresa equivalia a 6,4% do PIB do Espírito Santo.

A Samarco hoje tem um papel fundamental na geração de emprego e renda, geramos muitos impostos e a ideia é de que a gente possa contribuir ainda mais. Voltamos com uma produção ainda restrita, estamos operando com 26% da capacidade. Temos 4 usinas, mas só uma está funcionando. É a mais moderna e eficiente delas, produz em torno de 8 milhões de toneladas por ano, mas a capacidade é de produzir até 28 milhões de toneladas por ano. Por isso, nossa expectativa é de contribuir ainda mais no desenvolvimento econômico, na distribuição de riqueza e renda para todo mundo aqui na região.

Folhaonline.es: Foram também transformações sociais diretas em comunidades de Anchieta e de Guarapari. Pode comentar?

Mileipe: A paralisação da atividade econômica da Samarco trouxe um viés de dificuldade de arrecadação, os municípios precisaram se adaptar. Anchieta, por exemplo, precisou diversificar a economia.

A sociedade teve que se transformar e a Samarco também tem investido no desenvolvimento de empreendedores. Temos hoje o programa Força Local, que tem o objetivo de capacitar empresas para que elas se adequem e tenham o suporte para se tornarem fornecedoras da Samarco. Recentemente, encerramos o primeiro ciclo desse pilar, que capacitou 16 empresas no Espírito Santo.

Temos esse papel de dar essa oportunidade para que o empreendedor entenda o processo, a ideia é desenvolver os empreendedores e a base econômica dos municípios.

Folhaonline.es: Qual o paralelo que faz entre a empresa antes e depois do acidente com a barragem de Fundão, em 2015?

Mileipe: A grande diferença entre a Samarco antes e a Samarco hoje, é que nós aprendemos com o que aconteceu. Nós ressignificamos o que a palavra segurança transmitia. Hoje, temos um compromisso muito forte com a sustentabilidade do nosso negócio e a segurança vai além dos aspectos que tradicionalmente se trata.

A empresa hoje traz como grande missão fazer uma mineração diferente. Isso não se faz só com palavras, mas com ações. Um exemplo disso é que nós retornamos às atividades trabalhando com a proposta da eliminação de barragens, que sempre foram utilizadas na mineração.

Hoje ainda temos as barragens em Germano, há um processo de eliminar os riscos dessas estruturas. Estamos fazendo o aproveitamento das cavas para disposição da lama e utilizando uma tecnologia que permite secar e empilhar os rejeitos arenosos, em estruturas muito mais estáveis e seguras, monitoradas por auditorias independentes.

“É possível fazer diferente, fazer melhor e de forma sustentável. Esse é o nosso propósito principal hoje”

Sérgio Mileipe

Folhaonline.es: O que funcionários, clientes, fornecedores, parceiros e população podem esperar dessa postura atual da Samarco?

Mileipe: O que eles podem esperar é esse nosso compromisso. Nosso interesse é gerar parceria. Temos trabalhado de forma transparente, privilegiado o diálogo, tentado nos aproximar de todos os públicos. Há um bom relacionamento com nossos fornecedores.

Recentemente, participamos de uma pesquisa de clima organizacional da FIA e da Uol que nos agraciou com o primeiro lugar do setor de mineração no prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar. Essa é uma demonstração clara de como os empregados têm esse orgulho de fazer parte e trabalhar na Samarco.

Nosso objetivo é implantar políticas sociais e de desenvolvimento que tragam esse benefício para toda a sociedade.

Folhaonline.es: O que muda nessa passagem de gerente-geral de Operações para Diretor de Planejamento e Operações?

Mileipe: Mudam algumas coisas, mas eu continuo o mesmo. Ganhei novas responsabilidades, mas eu já respondia por parte dessas ações. É com trabalho e determinação que vamos superar os desafios e trabalhar com muita vontade, representando bem o povo capixaba e a população da região.

Folhaonline.es: Quais os maiores desafios? E a sua meta principal, se puder eleger uma?

Mileipe: Hoje os maiores desafios relacionados às operações da empresa envolvem desenvolver tecnologias que permitam aproveitar economicamente os rejeitos na mineração.

Nós já temos muitos estudos nesse sentido, que visam transformar, por exemplo, a lama, em um produto útil para a indústria da siderurgia. É transformar um rejeito em uma matéria prima para o nosso cliente.

Como meta pessoal, a segurança é algo muito importante. Quero que a Samarco seja reconhecida como uma empresa segura de se trabalhar. Essa é uma meta pessoal que vou perseguir e está reverberando muito bem na organização.

Folhaonline.es: É possível projetar data para 100% das atividades no Complexo de Ubu?

Mileipe: É possível. Temos trabalhado um plano de negócios para a retomada gradual e prevemos a chegada a 100% da capacidade, mas isso se dá de forma gradativa.

Nossa previsão é de que essa retomada aconteça até 2030, com 100% da nossa capacidade produtiva. Obviamente, trabalhamos buscando formas de acelerar isso. É importante ressaltar que esse processo está sujeito à obtenção de recursos, licenças ambientais e outras necessárias, além da aprovação de nossos acionistas.

Folhaonline.es: E qualmensagem você deixa para a população, principalmente os mais jovens, que estão iniciando a carreira e veem a Samarco como futuro?

Mileipe: A mensagem principal é “Não desista dos seus sonhos”. Esse já foi o meu sonho e consegui realizar. E não basta sonhar, é preciso trabalhar para alcançar nossos sonhos. Temos que acreditar que somos capazes. Dedique seu tempo, tenha foco, tenha resiliência, tenha vontade de aprender, conheça o mercado em que a empresa está inserida e os valores dessa empresa. Assim, quando tiver a oportunidade de estar em uma entrevista com o gestor que vai te dar a chance de seguir carreira na Samarco, você vai poder demonstrar que compartilha desses valores e transmitir a vontade de fazer parte disso.

“E não basta sonhar, é preciso trabalhar para alcançar nossos sonhos. Temos que acreditar que somos capazes

Sérgio Mileipe

A Samarco hoje mantém, em Anchieta, o programa “Profissionais do Amanhã”, uma parceria entre Samarco e a Escola de Tempo Integral que apresenta o cenário sociocultural e produtivo da Samarco, por meio de palestras dos profissionais aos estudantes dos cursos de Mecânica e Elétrica.

Este ano, também retomamos nosso programa de trainee, com oportunidades para as áreas de tecnologia, engenharia, comunicação, entre outras. Esta é uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional para que novos talentos integrem nosso time e trilhem conosco rumo a uma mineração diferente.

É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização do FolhaOnline.es.

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