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Fruto abençoado

Por Livia Rangel

Publicado em 26 de janeiro de 2015 às 12:29
Atualizado em 28 de janeiro de 2015 às 10:45

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Cada vez mais, a uva torna-se um dos principais produtos do agronegócio em Alfredo Chaves. Apenas em uma propriedade, a previsão é que sejam colhidos 5 mil quilos da fruta que, na linguagem bíblica, simboliza alegria. Conheça algumas histórias de sucesso nessa reportagem especial

Foto Abre

O milagre da multiplicação se tornou realidade em Alfredo Chaves. Em uma área de 4.800 metros quadrados que mal dava para produzir 20 sacas de feijão e 25 de milho, agora são colhidas 5 toneladas de uva. A fruta, que na linguagem bíblica simboliza a alegria de viver e a comunhão, se tornou uma verdadeira benção para o agricultor Sílvio Dassiê e sua família. “Minha vida mudou completamente depois que comecei a trabalhar com a uva. O solo, arenoso e cheio de pedregulhos, é perfeito para ela. Agora não passamos mais necessidade”, destaca o produtor que iniciou o cultivo em 2007.

Localizada em Carolina, a propriedade agora tem o nome de Recanto da Videira, tamanho o agradecimento ao que a fruta vem proporcionando aos Dassiê. Sílvio pertence à quarta geração da família à frente do sítio e já prepara o terreno para que o filho Thales, 21 anos, siga a tradição. Logo na entrada, uma frondosa árvore, plantada pelo seu tataravô, dá às boas-vindas a quem chega. Lá também são produzidas hortaliças, como pimentões, abóboras e tomates, além de ovos caipiras, tudo vendido no local.

Silvio

Sílvio Dassiê comemora a produção recorde deste ano.

Mas a grande estrela do sítio é o parreiral, um verdadeiro mar verde que pode ser visto à distância da estrada de chão que dá acesso ao Recanto. E Sílvio não perde tempo para exibi-lo orgulhoso à nossa reportagem. A cada dois metros, uma pausa para mostrar uma parreira mais carregada que a outra e oferecer um dos milhares (se não milhões) de cachos adocicados da espécie Niágara Rosada.

“Eu amanheço e anoiteço aqui durante a safra. Faço o trabalho pesado praticamente sozinho, pois meu filho ainda tem outras responsabilidades na sede e minha esposa também trabalha lá. Mas nos finais de semana, todos vêm me auxiliar”.

Tamanha dedicação cobra seu preço – com cerca de 1,90 de altura, o agricultor passa o dia curvado, cuidando das plantas uma a uma, e à noite, vêm as dores nas costas. “Mas nada sério, pelo menos por enquanto. Daqui uns dias, porém, não sei. Talvez vire um sócio de carteirinha do ortopedista”, minimiza sem perder o bom humor.

Colheita. No parreiral do sítio Recanto da Videira, localizado em Carolina, existem 750 pés da Niágara Rosada, sendo 450 em plena produção, além de algumas plantas das espécies Cora e Violeta. “Quero investir mais nessas duas para conseguir fazer também o suco de uva, que é bastante solicitado pelos clientes que vêm aqui”. Todas as mudas são fornecidas pela Embrapa de São Paulo e os enxertos são feitos no sítio a partir de muita experimentação.

Com boa produção desde o início, este ano a colheita surpreendeu até o próprio Sílvio. Há pés que deram mais de 40 kg cada um e que de tão carregados, ficaram bem baixos deixando os cachos ao alcance das mãos até de uma criança – e desafiando ainda mais a coluna do agricultor. “Sinceramente, eu não sei o motivo, pois fiz todos os processos da mesma maneira que nos anos anteriores. Pode ter sido o calor que estamos passando agora, a idade das plantas… Queria saber a fórmula para repetir sempre”, brinca.

É preciso destacar também a qualidade da fruta. De sabor bem adocicado e quase sem sementes, a Niágara produzida por Sílvio é superior às que estamos acostumados a comprar nos supermercados. “Pode ter outros produtores fazendo igual, mas melhor uva que a minha não existe”, dispara.

O produtor destaca que, tirando o desconforto térmico, a estiagem que persiste desde dezembro está sendo boa para ele. “Tem gente que pensa que a uva é uma fruta que gosta de tempo frio, mas é o contrário. Ela se desenvolve muito melhor no calor, pois o risco de contrair alguma praga é muito menor”, ensina.

Para quem quiser conferir e comprovar, o sítio está com suas portas abertas para receber visitantes até meados de fevereiro. O visitante pode entrar no parreiral e colher a própria uva, vendida a R$ 6,00 o quilo. Somente em um final de semana, foram recebidas quase 200 pessoas, diz o agricultor que faz planos para o futuro. “Já conseguir instalar o sombrite, que agora cobre todo o parreiral, um novo sistema de irrigação, mais econômico, e comprei um microtrator. Agora vou fazer melhorias na casa e na entrada da propriedade para receber os visitantes com mais conforto”.

Parreiral

“Mar verde”: centenas de parreiras substituíram a plantação de milho e feijão no sítio Recanto da Videira

Vinho

Eloílson Cetto e sua produção de vinhos

Produtor também aposta no vinho 

“Quando eu era criança, ia ao mercado com a minha mãe e ficava admirando aqueles cachos tão bonitos. Então eu pensava: um dia ainda vou ter uma plantação dessa fruta”. Foi assim que o agricultor Eloílson de Souza Cetto revela que surgiu a sua paixão pela uva, que já cultiva há sete anos no Sítio Cachoeira Alta, localizado na comunidade de mesmo nome em Alfredo Chaves.

Há dois anos, ele produz vinho tinto e rosé, que vende em sua propriedade e mercados da região. A safra deste ano produziu uma bebida de cor bem forte e sabor marcante à base da espécie Niágra Rosada. Primeiro, ele produziu o vinho tipo Seco e agora está em fase de maturação do Suave. A previsão é que ele já esteja à disposição para venda no começo de fevereiro.

“Trabalhar com uva me dá muita alegria. Eu me sinto realizado”, afirma o proprietário do parreiral com mais de 1.200 pés da fruta. Porém, o produtor reclama da falta de apoio do poder público. “Não temos nenhum técnico enólogo contratado pelo Estado que possa nos dar algum tipo de orientação. Quando tenho dúvidas, entro em contato com produtores amigos de Santa Tereza, mais experientes na atividade, ou com os técnicos da Embrapa, em São Paulo. Mando fotos, faço perguntas e peço dicas, mas o que a gente precisa é de um profissional que venha nas propriedades e faça uma análise, pois cada local tem um solo, um clima, uma realidade diferente. O que dá certo lá, pode não dar aqui”, lamenta.

Mesmo assim, a paixão fala mais alto e Eloílson agora testa um novo tipo de uva, a Vitória. Com sabor intensamente doce e resistente a doenças, ela também não possui sementes.

O agricultor conseguiu cultivar cerca de 50 pés, que deram seus primeiros cachos em dezembro. Segundo ele, é o primeiro teste em terras baixas aqui no Estado. O sítio tem apenas 17 metros de altitude. “Fiquei surpreso com o resultado. Os cachos chegaram a dar 800 gramas cada e o sabor muito adocicado”, garantiu. As mudas foram fornecidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que produz a Vitória desde 2012.

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Produção. A produção de uva vem crescendo em Alfredo Chaves. Atualmente cerca de 30 famílias cultivam a fruta, em diversas regiões do município. Mais de 170 toneladas de uva são produzidas anualmente. A maioria é cultivada no distrito de São Bento de Urânia.

De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o distrito de São Bento de Urânia é responsável pela maior parte da produção da fruta no município. As espécies mais cultivadas são Isabel precoce, Niágara, violeta e bordô. A fabricação de vinho artesanal gira em torno de 12 mil garrafas por ano.

Festa da Uva e do Vinho

Para comemorar a colheita farta, a comunidade de São Bento de Urânia promove a 51ª Festa da Uva e do Vinho nos dias 07 e 08 de fevereiro. A previsão é vender mais de cinco toneladas de uva nos dois dias de festa, além de derivados como geleia e vinho.

Também haverá apresentações culturais, shows e palestras técnicas para produtores. A comunidade fica a 41 km da sede e conta com três acessos: um por Vitor Hugo, na altura do km 71 da BR 263, onde é preciso percorrer uma estrada asfaltada de 11 km; entrando pelo Posto do Café (km 60 da BR 262) ou por Alfredo Chaves, seguindo no sentido Matilde e passando por Carolina. Até Matilde a estrada é pavimentada e o restante é de chão, mas em boas condições de tráfego. Confira a programação aqui.

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[box style=”0″] DIRETO DO PÉ PARA SUA MESA
Vários sítios no interior de Alfredo Chaves iniciaram a colheita de uva e estão abrindo as porteiras para visitação. Lá você pode visitar os parreirais, colher a própria uva ou ainda comprar flores, verduras, aves, massas, doces, vinhos e outros produtos típicos da região. Agende sua visita:

CACHOEIRA ALTA
Sítio Cachoeira Alta
(somente vinho da safra 2013/2014)
Conato: Eloilson Cetto – Tel.: 27  9 9945-1288

CAROLINA
Sítio Recanto das Videiras

Contato: Silvio Dassiê – tel.: 27 99718-6337

IBITIRUI
Sítio Ibitirui

Contato: Gleisson Coutinho – tel.: 27 99945-4326

SÃO BENTO DE URÂNIA
Sítio Simoni

Contato: Isair Simoni – Tel.: 27 9 9894-2002
Sítio Gratieri
Contato: Jandir Gratieri – Tel.: 27 9 9962-8502
Sítio Pianzoli
Contato: Antônio Pianzoli – Tel.: 27 9 9983-6539 / 9 9608-5042
Sítio Cebim
Contato: Virgílo Cebim / Givargo – Tel.: 27 9 9900-2361/ 9 9971-9023  [/box]

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