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Pastor Raphael Abdalla
Coluna Raphael Abdalla

Pastor Raphael Abdalla escreve para o folhaonline.es aos domingos passando mensagens de fé e esperança aos leitores.

Coluna Raphael Abdalla

Lucidez: boas decisões em longo prazo

Por Redação Folhaonline.es
pela fe
Foto: reprodução

Aprendi com um grande amigo psiquiatra, Dr. Roberto Aylmer, essa definição de lucidez: a capacidade de tomar boas decisões em longo prazo. Gostei da frase desde a primeira vez que a ouvi. Ela amplia o conceito comum de lucidez, que normalmente associamos apenas à clareza mental ou à ausência de confusão. Nessa perspectiva, uma pessoa lúcida não é apenas aquela que enxerga a realidade como ela é, mas também aquela que consegue avaliar as consequências de suas escolhas para além do momento presente.

Grande parte dos problemas que enfrentamos nasce justamente da dificuldade de pensar adiante. O impulso costuma ser um péssimo conselheiro. A gratificação imediata frequentemente parece mais atraente do que os benefícios construídos com paciência. Muitos relacionamentos são destruídos por decisões tomadas em minutos. Carreiras promissoras são comprometidas por escolhas precipitadas. Finanças são abaladas quando o desejo de hoje fala mais alto do que a responsabilidade com o amanhã. Falta-nos, muitas vezes, a capacidade de enxergar a estrada inteira e não apenas a próxima curva.

A Bíblia apresenta diversos exemplos dessa tensão. Esaú trocou sua primogenitura por um prato de lentilhas. A fome daquele instante falou mais alto do que o valor de uma herança que impactaria toda a sua vida. Sua decisão fez sentido para o momento, mas revelou-se desastrosa quando analisada à luz do futuro. A lucidez exige exatamente o contrário: a capacidade de submeter os desejos imediatos a uma visão mais ampla.

Talvez por isso as Escrituras associem tantas vezes a sabedoria à prudência. O sábio não é simplesmente aquele que acumula conhecimento. É aquele que consegue aplicar a verdade de forma responsável. Ele entende que cada escolha carrega sementes que produzirão frutos mais adiante. Nem sempre os resultados aparecem rapidamente, mas inevitavelmente chegam.

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Essa reflexão se torna ainda mais necessária numa cultura marcada pela velocidade. Somos incentivados a responder rápido, comprar rápido, opinar rápido, desistir rápido. Pouco espaço é reservado para a ponderação. A calma passou a ser confundida com lentidão. A reflexão, com indecisão. Entretanto, muitas das melhores decisões da vida amadurecem no silêncio, na oração e na observação cuidadosa dos fatos.

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Ser lúcido não significa prever o futuro. Nenhum de nós possui essa capacidade. Significa, porém, considerar o futuro antes de agir. Significa perguntar: “Que tipo de pessoa esta decisão me ajudará a me tornar?”, “Quais serão seus efeitos daqui a cinco ou dez anos?”, “Ela honra os valores que afirmo defender?”. Perguntas assim costumam nos proteger de muitos arrependimentos.

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Jesus ensinou algo semelhante ao falar sobre calcular o custo antes de construir uma torre. A vida madura não é conduzida apenas pela emoção do momento, mas pela responsabilidade de quem compreende que escolhas têm consequências. A verdadeira liberdade não está em fazer tudo o que se deseja, mas em escolher aquilo que produz os melhores frutos.

Talvez a lucidez seja uma das virtudes mais necessárias para nossos dias. Em meio ao excesso de vozes, pressões e urgências, vale a pena desacelerar e refletir. Algumas decisões mudam apenas uma tarde. Outras moldam décadas. A sabedoria consiste em reconhecer a diferença. Afinal, ser lúcido é aprender a viver o presente sem perder de vista o futuro.

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